Michel Laub

Egopress

– O livro Deus é Brasileiro, do tradutor holandês Harrie Lemmens (Zouk Editora, 245 págs.), com fotos de Ana Carvalho, trata da obra e de encontros com vários escritores do país, eu entre eles.

– Podcast da rádio irlandesa RTÉ sobre Diário da queda: http://goo.gl/RcUxGS.

O imperador no Simba Safári

Claudio Angelo em A Espiral da Morte (Companhia das Letras, 489 págs.), livro sobre a mudança no clima, o derretimento dos polos, o fim do mundo como o conhecemos e uma de suas primeiras vítimas:

“Em alguns lugares, seria preciso matar os ursos e diminuir a população para que ela se tornasse viável, ou encher zoológicos de ursos-polares e cruzá-los em cativeiro até que as emissões de gases-estufa diminuíssem a ponto de permitir uma volta do gelo e sua devolução à natureza (o que pode levar décadas, séculos ou simplesmente não acontecer). Em outros, seria preciso atrair os ursos para as zonas de alimentação diferentes e acostumá-los a procurar comida nesses lugares (…). Em outros ainda, os ursos selvagens precisariam ser alimentados pelos humanos todos os anos, durante vários meses, para sobreviver (…). Essa medida traz uma série de questões políticas, econômicas, éticas e de conservação. Por exemplo: é ético caçar um mamífero [focas] para alimentar outro mamífero? O grupo [de pesquisadores] sugere que não, até porque o degelo também ameaça as populações de focas. Portanto, os ursos teriam de ser alimentados com ração especial, do tipo que é dada a animais no zoológico. O que traz outra dificuldade: como fazer isso? E quem vai pagar a conta? (…) O estudo conclui que, dada a importância econômica dos ursos-polares para algumas regiões, alimentá-los pode, sim, ser uma opção válida de conservação. Várias porções do Ártico seriam, dessa forma, convertidas numa espécie de Simba Safári gigante, onde um animal que simboliza tudo o que há de mais remoto e selvagem no imaginário do Homo sapiens seria convertido numa ‘semifera’ eternamente dependente daqueles que lhe roubaram a casa e a comida (…). Um final melancólico para o reinado de 6 milhões de anos do imperador do Ártico, o maior predador da terra.”

Fim de semana

Um livro – A espiral da morte, Claudio Angelo (Companhia das Letras, 489 págs.).

Um ensaio – Bernardo Carvalho sobre literatura e multiculturalismo (aqui).

Uma série mediana – The Affair.

Uma fraquinha – Love.

Uma temporada que só vi agora – Game of Thrones, 01.

Fim de semana

Uma série – The Jinx.

Um filme argentino – O Décimo Homem, Daniel Burman.

Um filme argentino/espanhol – Truman, Cesc Gay.

Um disco de 2014 – Bad Debt, Hiss Golden Messenger.

Um livro – Depois a Louca sou Eu, Tati Bernardi (Companhia das Letras, 140 págs.).

Egopress

– Na quarta, 18/5, 19h30, converso com alunos do curso de tradução da Uninove da Barra Funda/SP.

– No sábado, 21/5, 11h, participo do programa/debate ‘Segundas Intenções’, com Manuel da Costa Pinto, na Biblioteca de São Paulo (Carandiru).

– Vídeo completo do debate sobre autoficção, também com Manuel da Costa Pinto, que fiz no Café Filosófico da CPFL/Campinas: https://vimeo.com/162537991.

– Participação (a 42:00) no programa Radioteca, da Universidade de Coimbra/Portugal, em que a jornalista Ines Rodrigues também entrevistou Luiz Rufffato e falou de Paulo Scott e Julián Fuks: https://goo.gl/6Fm2FY

Algo chamado decoro mesmo quando estamos sozinhos

Junichiro Tanizaki em A Vida secreta do senhor de Musashi (Companhia das Letras, 218 págs., tradução de Dirce Miyamura:

“Damas nascidas numa família de daimyo (…) jamais permitiam que alguém, nem elas próprias, visse os sólidos excretados por seu corpo. Esse tipo de reserva era cumprido cavando-se abaixo do vaso sanitário uma fossa bem profunda que era preenchida com terra depois da morte da dama (…). A discrição sobre este assunto era compartilhada por todas as damas da alta sociedade. Em comparação, o vaso sanitário moderno com descarga automática, embora satisfaça no quesito limpeza e higiene, apresenta tudo abertamente à frente de nossos olhos, e assim (…) é um equipamento vulgar, grosseiro, cujo criador deve ter esquecido que existe algo chamado decoro mesmo quando estamos sozinhos.”

Fim de semana

Um filme – Straight Outta Compton, F. Gary Gray.

Um filme de Yorgos Lanthimos – The Lobster.

Outro – Dogtooth.

Um perfil – A vida de Coppola na Itália (aqui)

Um ensaio – Camila Von Holdefer sobre literatura x otimismo (aqui).

Links

– Como a manipulação do DNA mudará o mundo: http://goo.gl/hDUcDY

– Como é tirar João Gilberto no Violão: http://goo.gl/tTm891

– Por que o azul não é mencionado em relatos de civilizações antigas: http://goo.gl/QDfKHd

– Bactérias que curam tumores cerebrais: http://goo.gl/o6mfMQ

– O que sonham os doentes terminais (e como os médicos lidam com isso): http://goo.gl/QQMsvo

– Ideologia de quem vive mais ou menos como mendigo (e de quem aplaude): http://goo.gl/fqM1oo

– Javier Marías em defesa do passado: http://goo.gl/CUVseS

– Pulitzer para resenhas de heavy metal: http://goo.gl/tpV199

– História boa e horrível sobre uma mãe que perdeu a guarda do filho: http://goo.gl/HvraZ8

– Mishima falando: https://goo.gl/3O1Tja

– George Steiner falando: https://goo.gl/U4chvy

– Contos de fada são mais antigos do que se sabia: http://goo.gl/Kvg0LX

– Uma teoria original (e americana) sobre a desigualdade brasileira: http://goo.gl/U5iOGK

Fim de semana

Um filme – A grande aposta, Adam McKay.

Um documentário – Best of enemies, Robert Gordon e Morgan Neville.

Outro – Eu sou Carlos Imperial, Ricardo Calil e Renato Terra.

Um terceiro – A paixão de JL, Carlos Nader.

Um romance – A vida secreta do senhor de Musashi, Junichiro Tanizaki (Companhia das Letras, 218 págs.).

Um lagarto à espreita

Leonardo Padura em O Homem que amava os cachorros (Boitempo, 589 págs., tradução de Helena Pitta):

“Durante anos Stalin parecera-lhe tão insignificante que, por mais que esquadrinhasse a memória, nunca conseguira visualizá-lo naquele que deve ter sido o primeiro encontro entre os dois, em Londres, em 1907. Nessa altura ele era o Trotski que já tinha atrás de si a dramática participação na revolução de 1905, quando chegou a ser presidente do Soviete de Petrogrado: o orador e jornalista capaz de convencer Lenin, ou mesmo de enfrentá-lo, chamando-o de ditador incipiente, Robespierre russo. Era um revolucionário mundano, mimado e odiado, que deve ter olhado sem grande interesse para o georgiano que acabara de se juntar à emigração, inculto e sem história, com a pele do rosto marcada pela varíola. No entanto, conseguia se lembrar dele naquela coincidência fugaz em Viena, no decurso de 1913, quando alguém os apresentou formalmente, sem achar necessário dizer ao montanhês quem era Trotski, uma vez que nenhum revolucionário russo poderia deixar de conhecê-lo. Lembrava-se ainda que, nessa altura, Stalin apenas apertara a sua mão, voltando para a sua xícara de chá, como um animalzinho mal alimentado, que só conseguiria ficar na sua memória devido àquele olhar distante e amarelo, saído de uns olhos pequenos que, tal como os de um lagarto à espreita – foi esse o pormenor! –, não pestanejavam. Como não fora capaz de perceber que um homem com aquele olhar de réptil era um ser altamente perigoso?”

Fim de semana

Um romance – O homem que amava os cachorros, Leonardo Padura (Boitempo, 589 págs.).

Uma série – Horace and Pete, Louis CK.

Um filme – Cemitério do esplendor, Apichatpong Weerasethakul.

Um filme simpático – Ave, César, irmãos Coen.

Um disco – The wilderness, Explosions in the Sky.

Egopress

– Diário da queda está entre os 10 finalistas do Dublin International Literary Award. O resultado sai em junho. Mais infos aqui.

– Nesta segunda (4/4, 19h30), estarei no Sesc CPF (SP) conversando com Vivian Schesinger e os alunos do curso Clubes de Leitura: como formar e multiplicar.

– Na sexta (8/4, 19h), converso com Manuel da Costa Pinto sobre autoficção no Café Filosófico (Cultura CPFL, em Campinas).

– Na quarta seguinte (13/4, 20h), participo da Semana do Livro e da Leitura do SESC em Cuiabá, numa mesa com Carlos Henrique Schroeder.

Ausência

O blog volta em 2016.

Fim de semana

Um documentário – Joe Strummer, the future is unwritten, Julien Temple.

Um filme – Pasolini, Abel Ferrara.

Outro – Órfãos do Eldorado, Guilherme Coelho.

Uma reportagem – Megan Phelps-Roper e a deserção da Westboro Baptist Church (aqui).

Um livro – Brasil, uma biografia, Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa Starling (Companhia das Letras, 792 págs.).

Egopress

1) Nesta sexta, 13/11, às 19h, estarei numa das mesas do EMIL (1º Encontro Internacional de Criação Literária), na Livraria Cultura do Shopping Market Place, em São Paulo. Mais informações aqui.

2) Dia 28/11, às 16h30, participo de uma mesa na Bienal do Livro de Alagoas. Programação completa do evento aqui.

Fim de semana

Uma resenha – Karl Ove Knausgaard sobre Michel Houellebecq (aqui).

Um artigo/entrevista – James Hambling/Alan Levinovitz sobre comida x moral (aqui).

Um filme – The end of the tour, James Ponsoldt.

Um documentário médio de TV – Richard Pryor, Icon.

Uma montagem – Caesar, dir. Roberto Alvim.

O Rei de Jerusalém em alto-mar

Joseph Conrad em A linha de sombra (Hemus, 165 págs., tradução de Maria Antonia Von Acker):

“Havia momentos em que eu sentia não só que iria enlouquecer, mas que já tinha enlouquecido; de modo que não ousava abrir a boca por medo de me trair com algum grito insano. Felizmente só tinha ordens a dar, e uma ordem tem uma influência estabilizadora sobre aquele que a deve dar. Além do mais, o marinheiro, o oficial de quarto dentro de mim, estava suficientemente são. Eu era como um carpinteiro louco fazendo uma caixa. Por mais que ele estivesse convencido de ser o Rei de Jerusalém, uma caixa que ele fizesse seria uma caixa sã.”

Fim de semana

Um filme – Love & Mercy, Bill Pohlad.

Um documentário de 2011 – Page one: inside the New York Times, Andrew Rossi.

Uma reportagem – Vida, morte e pós-morte de um anônimo em NY (aqui).

Uma palestra – Gilberto Vasconcellos sobre Câmara Cascudo (aqui).

Um disco – Fading Frontier, Deerhunter.

Cobras, gatos, netos

Francisco Alvim em O metro nenhum (Companhia das Letras, 89 págs.):

COBRA – a que continua viva/ depois de morta/ é a que pica mais forte// Por isso é mister/ esconder o pau/ (e não mostrá-lo/ como pensa o vulgo)// Assim nunca saberá/ a cobra/ de onde baixa o porrete/ eternidade afora

PIORA – Adotou um gatinho/ que ia visitar toda semana/ no asilo/ de gatinhos velhinhos/ Quis procurar o dono do cavalo/ cabisbaixo/ fincado nas quatro patas/ que via todo dia na beira/ do trilho/ quando passava no/ trem/ Uma vez quase desceu de sua sala/ para falar com o mendigo da praça/ dono de um cachorro/ mais estropiado do que o/ admissível/ cujo sofrimento era o dele/ cachorro/ e o dela

HISTÓRIAS DE NETO – São muito chatas/ Mas esta vale a pena/ A babá/ mocinha tinha treze catorze anos/ resistiu quanto pôde/ mas acabou que/ confessou tudo/ Só que o tudo era outra coisa/ muito pouco/ quase nada/ cinco reais um lençol um quilo de arroz/ o Cartier, negou/ Ele três aninhos só ouvindo/ e/ de repente:/ (nunca vi criança tão inteligente)/ Mas que perigo/ podiam ter roubado/ a minha chupeta

Fim de semana

Uma reportagem – Consuelo Dieguez sobre o BNDES na Piauí.

Um relato – Oliver Sacks sobre os últimos anos de Spalding Gray, idem.

Um documentário médio – Life itself, Steve James.

Outro – Keith Richards: under the influence, Morgan Neville.

Um livro – O oitavo selo, Heloisa Seixas (Cosac Naify, 192 págs.).

O universo é um eufemismo

Mathieu Lindon em O que amar quer dizer (Cosac Naify, 287 págs., tradução de Marília Garcia):

“Tenho tendência a dizer ‘Menti’ em vez de ‘Me enganei’, ‘Posso roubar seu lápis por um minuto?’ em vez de ‘Me empresta?’, porque é assim que gosto de brincar com a língua, como meu irmão adolescente dizia que era preciso ‘comer os remédios’, que é o que todo mundo faz, só que ninguém diz dessa forma. Gosto de injetar um pouco de inadequação, de brutalidade na linguagem porque não consigo evitar que, seja qual for a situação, mesmo a mais delicada, a brutalidade e a inadequação sejam sempre a melhor maneira de descrevê-la. O universo inteiro não passa de um eufemismo.”

Feriado

Um documentário – Amy, Asif Kapadia.

Outro –Who Is Harry Nilsson (And Why Is Everybody Talkin’ About Him)?, John Scheinfeld.

Um filme estranho – Jauja, Lisandro Alonso.

Um romance brasileiro – O ano em que vivi de literatura, Paulo Scott (Foz, 251 págs.).

Outro – Enquanto Deus não está olhando, Débora Ferraz (Record, 366 págs.).

Egopress

Nesta sexta, 9/10, às 20h, estarei com a Clara Averbuck numa das mesas da Feira do Livro de São Luís/MA. Programação completa aqui.

Fim de semana

Uma coletânea de poesia – O Livro das semelhanças, Ana Martins Marques (Companhia das Letras, 108 págs.).

Um romance – Pssica, Edyr Augusto (Boitempo, 94 págs.).

Um filme – A pele de vênus, Roman Polanski.

Um filme médio – Love, Gaspar Noé.

Um disco – B’lieve I’m goin down…, Kurt Vile.

Velhos

Microcontos de Dalton Trevisan em Pico na veia (Record, 239 págs.), Ah, é? (Record, 137 págs.) e 99 corruíras nanicas (L&PM, 112 págs.):

1.

O casal brigado, de costas. Longo silêncio. De repente o velho:

– Sua diaba. Para de ficar ouvindo o meu pensamento!

2.

O velho:

– Acordo às três da manhã. Daí começo a brigar.

– Com quem?

– Com a minha cabeça.

3.

Como dormir se, para os mil olhos da insônia, você só tem duas pálpebras?

4.

A velha:

– Por que você abre a boca, João, quando olha para cima?

– Não sou eu. É o queixo que cai.

5.

Enfim sós, e a velhinha toda meiguice:

– Mais um dia em que me arrependo de ter casado com você.

6.

– Sempre vaidoso, o meu velho. Primeiro me fez ir ao alfaiate. Estreitar um palmo na cintura da calça.

–Tão acabadinho, coitado.

– Agora vou ao sapateiro. Mais três furos no cinto.

– Será que desconfia?

– Bem iludido, o pobre. Daquela cama se levanta nunca mais.

7.

O velho em agonia, no último gemido para a filha:

– Lá no caixão…

–Sim, paizinho.

–…Não deixe essa aí me beijar.

8.

– Se um de nós faltar… ai, João…

– Durma, velha.

– …o que vai ser de mim?

9.

– Por que ele está demorando tanto?

Se pergunta no fim do dia a viúva inconformada, sondando tristinha pela janela.

10.

Olhinho perdido na janela, suspira o velho:

– O que será que o meu canarinho anda fazendo?

Fim de semana

Um romance – Sérgio Y vai à America, Alexandre Vidal Porto (Companhia das Letras, 181 págs.).

Uma edição – Pais e filhos, Turguêniev (Cosac Naify, 352 págs.).

Uma reportagem – Kathryn Schultz sobre o Grande Terremoto Inevitável na New Yorker (aqui).

Um filme convencional bom – Mr. Turner, Mike Leigh.

Um filme convencional médio – Nocaute, Antoine Fuqua.

O oráculo divergente

No dia 19 de maio de 1990, a banda de rock Legião Urbana subiu ao palco do Gigantinho, em Porto Alegre, para um dos shows da turnê do LP As Quatro Estações, lançado no fim do ano anterior. Há um vídeo dessa apresentação no YouTube (https://goo.gl/xyUEzw), no qual os enquadramentos são um tanto estáticos para os padrões atuais desse tipo de transmissão. A imagem é ruim, o som é achatado, há cortes e um ligeiro delay em alguns trechos. Renato Russo, o vocalista, letrista e líder do grupo, usa um bigode e uma camisa de estampa abotoada no colarinho que poderiam ser transportados para uma caricatura hipster de 2015.

A precariedade e o anacronismo do que aparece na tela nos direcionam para uma apreciação irônica, condescendente. E, no entanto, minha memória daquela noite tem outro registro. Eu acabara de completar 17 anos e estava terminando o colégio. O ingresso que havia comprado era falso e, ao ser barrado na roleta, fui encaminhado para uma sala no Estádio Beira-Rio, do Internacional, que fica ao lado do Gigantinho. A produção manteve ali cerca de trinta vítimas do golpe, com a promessa de permitir nossa entrada caso não houvesse risco de segurança num ginásio já superlotado – o que acabou ocorrendo durante a terceira música do show.

Dois amigos estavam junto comigo. Começamos a beber cerveja no percurso de ida e continuamos ao longo da noite. Também cheiramos um pano embebido numa solução de éter. Fazia frio em Porto Alegre, e foi a última das três vezes em que vi Renato Russo se apresentar. Nas décadas seguintes, a frequência com que eu ouvia suas músicas foi diminuindo até quase desaparecer. O legado de sua obra teria sobrevivido apenas em um conjunto disforme de lembranças, ganhando os sentidos que a manipulação afetiva impõe a elas, se fatores culturais e tecnológicos não estimulassem a revisita a esse passado – e, como efeito, uma mudança na forma como vejo minha própria experiência.

Trecho inicial de texto publicado na revista Piauí, setembro de 2015. Íntegra para assinantes aqui.

Feriado

Um vídeo – Nelson Rodrigues sendo Nelson Rodrigues (aqui).

Um disco de 2004 – Le Fil, Camille.

Um disco de 2014 – Granada, Sílvia Pérez Cruz.

Um romance – Tirza, Arnon Grunberg (Rádio Londres, 460 págs.).

Uma série apesar de etc. etc. – Narcos.

Objetos

Poemas do livro Da arte das armadilhas, de Ana Martins Marques (Companhia das Letras, 83 págs.):

COLHER – Se o sol nela/ batesse/ em cheio/ por exemplo/ numa mesa posta/ no jardim/ imediatamente se formaria/ um pequeno lago/ de luz

GARFO – Em três ramos/ floresce/ o metal

FRUTEIRA –  Quem se lembrou de pôr sobre a mesa/ estas doces evidências/ da morte?

CANTEIRO – Onde a casa cresce/ sem projetos/ ao sabor do sol/ das sombras/ e atenta/ ao noticiário/ das nuvens

TORNEIRA – Quem abre a torneira/ convida a entrar/ o lago/ o rio/ o mar

Fim de semana

Uma entrevista de 1996 – Caetano Veloso no Roda Viva (https://goo.gl/PJQm11)

Um filme de 1981 – Meu jantar com André, Louis Malle.

Duas palestras – Esper Cavalheiro e José Miguel Wisnik sobre música e ciência (https://goo.gl/N8FDAx)

Um vídeo – Cor e narrativa no cinema (http://goo.gl/RLQl5n)

Uma exposição de fotos – Coletivo Rolê, Mirante 9.