Michel Laub

Mês: novembro, 2010

Tweets/links

(@michellaub):

– Boxeadores antes e depois da luta: http://tinyurl.com/2cywywt

– Pinguins, zebras, tubarões, macacos: http://b.globe.com/c3POmY

Brilho eterno de uma mente sem lembranças vira realidade: http://tinyurl.com/29uhgwx

– 31 fotos de gelo: http://tinyurl.com/ngdcws

– 500 dicas/aulinhas sobre storyboards: http://migre.me/2ng1X, via @defanti

– Crianças na União Soviética: http://tinyurl.com/2avu3e3

– EUA em fotos muito boas, 1939-1943: http://tinyurl.com/2ujnj9c. Via @ricardolombardi

– Entrevista longa com Stephen King: http://tinyurl.com/2wk4xre

– Mandelbrot, fractais e Z -> Z2 + C: http://tinyurl.com/254vhzm

– Desenhos de animais imaginários: http://tinyurl.com/32oa5ov, via @LordAss

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Música do dia

Fim de semana

Um livroO olhar da mente, Oliver Sacks (Companhia das Letras, 224 págs.).

Um livro meio emoRetalhos, Craig Thompson (Companhia das Letras, 592 págs.).

Um disco de 2009 Vessel States, Wilderness.

Outro disco de 2009Keep calm and carry on, Stereophonics.

Um restaurante – Allez, Allez.

Um lançamento em DVDBad Lieutenant, Werner Herzog.

10 coisas que eu não gostaria de ler em 2011

(Mas vou, porque gosto dos meus amigos, etc. etc.):

1. Matérias cujo título ou chamadas tenham verbos no imperativo ou a palavra você.

2. Artigos que usam os termos fascismo, nazismo e stalinismo em debates sobre cigarro, brigas de rua, congresso de jornalistas.

3. Variantes da fórmula “mas ao menos ele tem o mérito de abrir o debate”.

4. Entrevistas de arquitetos defendendo que falta à arquitetura mais discussão sobre estética x função social.

5. Entrevistas de escritores se queixando da crítica, que “ou é ligeira e impressionista, como nos jornais, ou está encastelada na Academia.”

6. Elogios a publicidade.

7. Reportagens sobre pixadores e performers presos por vandalismo –  e no ano seguinte convidados para expor nos lugares onde aconteceram as prisões.

8. Críticas de cinema implicando com o off em documentários e filmes de ficção.

9. Argumentação de quem propõe trabalho gratuito ou semi-gratuito.

10. Jornalismo literário.

Egopress

1) Sou um dos djs – junto com André Conti, Daniel Galera e Marcos Sacchi – da festa Ficções, no Alberta#3, nesta terça, 23/11. Mais informações aqui.

2) Sábado, 27/11, 17h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, como parte do Vira Cultura, estarei num debate/leitura com Luciana Saadi, Daniel Galera e Ronaldo Bressane. Programação geral do evento aqui.

Nascer, viver e morrer segundo Rubem Braga

Trechos do livro 200 crônicas escolhidas (Record, 488 págs):

1. “Esses pequeninos e vagos animais sonolentos que ainda não enxergam, não ouvem, não sabem nada, e quase apenas dormem, cansados do longo trabalho de nascer – ali está o mundo continuando, insistindo na sua peleja e no seu gesto monótono. Nós todos, os homens, lhes daremos nosso recado; eles aprenderão que o céu é azul e as árvores são verdes, que o fogo queima, a água afoga, o automóvel mata, as mulheres são misteriosas e os gaturamos gostam de frutas. Nós lhes ensinaremos muitas coisas, das quais muitas erradas e outras que eles mais tarde verificarão não ter a menor importância.”

2. “Os animais se domesticam facilmente com um chicote na mão direita e um torrão de açúcar na esquerda. Os vegetais querem tesoura e estrume (…). Entre os homens às vezes há reis. E quando é Rei de fato (…) ele monta sua máquina de mandar. São máquinas monstros de mil compartimentos complexos – masmorras e picadeiros, com aparelhos de metralhadoras, microfones, casas de moedas e medalhas, uniformes, bandeiras, talentos, alicates de arrancar unhas e técnicos em festinhas escolares, foguetes, benemerências –, e se a quisésseis conhecer, toda essa engrenagem de aço e sentimentos, de ouro e vaidades, de bem-aventuranças fáceis e torturas facílimas, havereis de gastar uma vida, e não conseguiríeis. Não é preciso. Afinal, tudo é simples, tudo é chicote e torrão de açúcar, tudo é tesoura e estrume.”

3. “É costume dizer que a esperança é a última que morre. Nisto está uma das crueldades da vida; a esperança sobrevive à custa de mutilações. Vai minguando e secando devagar, se despedindo dos pedaços de si mesma, se apequenando e empobrecendo, e no fim é tão mesquinha e despojada que se reduz ao mais elementar instinto de sobrevivência.”

4. “O melhor é não amar, porém aqui, para dar fim a tanta amarga tolice, aqui e ora vos direi a frase antiga: que é melhor não viver. No que não convém pensar muito, pois a vida é curta e, enquanto pensamos, ela se vai, e finda.”

Fim de semana

Um show – Terra.

Outro show (se eu conseguir ingresso) – Paul McCartney.

Um terceiro show (se alguém me der ingresso e buscar em casa) – Lou Reed.

Um restaurante – Dui.

Um evento – Balada literária.

Uma exposição – Renato Parada, fotos na Livraria da Vila (Fradique).

Um livro de poesia Lar, Armando Freitas Filho (Companhia das Letras, 133 págs.).

Três (possíveis) motivos para a internet mudar a literatura

(Escrito a partir de conversas com Emilio Fraia)

Leitura – É quase consenso que muito mais gente lê hoje que há dez ou quinze anos, e que na maioria dos casos são leituras dispersas, superficiais.  Ficou mais difícil enfrentar um romance extenso, e praticamente impossível fazê-lo com exclusividade, ao longo de meses, com as pausas, voltas e reflexões que uma experiência do gênero exige, ou costumava exigir. Essa dispersão progressiva sempre existiu, mas em geral se dava com a idade: o grosso das leituras descompromissadas, e portanto realmente formativas, acontecia da adolescência/início da vida adulta até a fase em que tudo fica mais difícil por causa de trabalho, família, outros interesses. Tenho dúvidas se o período de concentração inicial ainda existe, ao menos para o número relevante de leitores que forma a base do chamado sistema literário. O mais provável é que não: o pensamento e gosto estético do futuro serão ditados por gente que já começou a vida intelectual imerso na fragmentação e na interatividade típicas da cultura digital. Mudando a forma como se lê, muda a forma como se escreve: não só porque o escritor é antes de tudo um leitor – dos outros e de si mesmo –, mas porque é a tal base que determina as convenções literárias de uma época – que às vezes se adaptam aos autores, é verdade, mas na maioria das vezes fazem com que os autores se adaptem a elas.

Escrita – Apesar do discurso comum entre escritores que se criaram na internet – o de que ela seria apenas meio, instrumento –, não dá para desprezar o impacto que uma década de emails, posts sem mediação de editores e conversas on line teve sobre o texto em geral. Achar que essa linguagem do dia-a-dia não terá influência na maneira como produzimos ficção é o mesmo que desprezar a influência da fala nas mudanças da norma culta. Uma possibilidade: que tenhamos menos paciência com a prosa de feição “literária” – num ritmo mais lento, usando verbos no mais que perfeito e coisas assim – do que com a tentativa de reprodução do discurso oral – mais rápido, menos preocupado com o polimento das frases, mais aberto a imperfeições de sintaxe. Ou o contrário: que a escrita “obsoleta” soe mais original, justamente porque diversa dos timbres, tons e inflexões ouvidos a toda hora e em todo lugar.

Intimidade – Conceito que não mudou com o surgimento de blogs e redes sociais, mas teve seu eixo deslocado: há quinze anos, soariam ridículas práticas comuns hoje, como a do artista alardear uma crítica favorável a uma obra sua, ou a de se ter longas conversas privadas em público, ou a de se compartilhar opiniões sobre qualquer assunto. Nos acostumamos com esse tipo de exposição – a ideia de que, para existir, tudo deve ser mostrado e comentado –, e talvez nem mais a consideremos falta de decoro, mas a linha entre o que é íntimo e não é segue existindo. É o que está do outro lado dela que buscamos quando escrevemos ou lemos um autor – quem ele é de fato, como pensa para além das regras do seu tempo e das próprias travas morais, mesmo que isso apareça em histórias descoladas de sua biografia. A impressão é que um nível de revelações mais raso, antes aceitável por funcionar como entrada no universo desconhecido desse autor – entidade então misteriosa e hoje acessível por um simples email ou consulta ao Google ou Facebook –, tornou-se insuficiente para que um texto atinja a densidade que diferencia a literatura do mero relato. Pode-se argumentar que sempre foi assim, mas há uma mudança de grau aí: no que se diz e na forma como isso é dito será preciso ainda mais esforço para construir algo além do testemunho ou experiência pessoal, uma exigência que torna ainda mais duro – e mais compensador quando o resultado é positivo – o caminho para se transmitir a quem lê a verdade de quem escreve.

Música do dia

Tweets/links

(@michellaub):

– Virginia Woolf, Huxley, Forster, Wodehouse e outros falando para a BBC: http://tinyurl.com/28f8vl5, via blog do @ricardolombardi

– Martin Amis, The last days of Muhammad Atta: http://tinyurl.com/34cjbz6

– Mulheres na Primeira Guerra: http://tinyurl.com/23grjvj

– A Guerra Civil espanhola por Robert Capa, Gerda Taro e David Seymour: http://tinyurl.com/2c9vow3

– 12 congestionamentos históricos (dois em SP): http://tinyurl.com/34qnep7

– O louco de palestra, por @vmbarbarahttp://tinyurl.com/35uf62o

– Cidades japonesas pequenas e sem ninguém na rua: http://tinyurl.com/y8z7h86

– Um fotógrafo: Peter Kemp. http://tinyurl.com/2dp5fx2

– Um desenho de piscina por dia, durante um ano, por Guazzelli: http://tinyurl.com/28smvga

Tweets/links

(@michellaub):

– Isaac B. Singer caminha por Coney Island: http://tinyurl.com/22sgunl. E fala na cerimônia do Nobel: http://tinyurl.com/29bulyg

–Melhores ensaios americanos de 2010, segundo Christopher Hitchens: http://goo.gl/z02O, via @rlevino

– Escritores que foram da glória ao fracasso: http://tinyurl.com/37n4j72. Recorde: Dostoiévski, que fez o percurso em 15 dias

– 26 das 1 milhão de imagens de girafas coletadas por um norueguês: http://tinyurl.com/33gsxtz

– Como fotografar uma bomba atômica: http://tinyurl.com/35wf9ug

– Cachorros sozinhos em carros: http://tinyurl.com/36sawes

– Boxeadores antes e depois da luta: http://tinyurl.com/2cywywt

– Um pai e seu filho autista: http://tinyurl.com/2b8t865

– 31 fotos de gelo: http://tinyurl.com/ngdcws

– Tiras do Laerte desde janeiro de 2000: http://goo.gl/SfsJS, via @bramatti, @revistabula

Egopress

1) O livro Autores e Ideias, da jornalista Mona Dorf, tem entrevistas com vários escritores brasileiros, eu entre eles.

2) Como parte do programa Viagem Literária, do governo de São Paulo, esta semana dou oficinas de ficção em Pacaembu (9/11), Osvaldo Cruz (10), Getulina (11), Promissão (11) e Penápolis (12).

Fim de semana

Um livroQuintessence, Betty Cornfeld e Owen Edwards (Black dog & Leventhal, 94 págs.).

Outro livro200 crônicas escolhidas, Rubem Braga (Record, 488 págs.)

Um izakaya – Bueno.

Outro izakaya – Issa.

Um documentárioUma noite em 67, Renato Terra e Ricardo Calil.

Um disco okLet the dog drive home, Teitur.

Festinha do dia

Via Marildinha: