Michel Laub

Mês: novembro, 2012

Fim de semana

Um hospício em Guadalajara – Cabañas.

Um painel de José Clemente Orozco – Palácio do governo.

Um filme – Marcelo Yuka no caminho das setas, Daniela Broitman.

Um livro – Jesus’ son, Denis Johnson (Granta, 133 págs.).

Outro – Um útero é do tamanho de um punho, Angélica Freiras (Cosacnaify, 93 págs.).

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Os últimos dias do Olímpico

Há vários cemitérios nas proximidades do estádio Olímpico, em Porto Alegre. Também um crematório e funerárias. Também casas e ruas onde eventualmente alguém infarta, leva um tiro ou é atropelado. Mas o luto que impregna a região por estes dias é mais amplo: um mundo e um tempo estão morrendo à medida que o Grêmio joga suas últimas partidas em sua sede histórica. A partir do fim do ano ela será substituída pela Arena, na zona norte da cidade, e a construção ovalada onde o clube gaúcho fez suas principais campanhas ao longo de 109 anos de existência será implodida.

Trecho de texto publicado na Folha de São Paulo. Íntegra aqui.

Fim de semana

Um livro – Joseph Anton, Salman Rushdie (Companhia das Letras, 614 págs.).

Um disco – Americana, Neil Young.

Um bar de tapas em Londres – Morito.

Um bar de queijo de ovelha – Dehesa.

Um filme de mercado – Gonzaga, Breno Silveira.

Egopress

1) Diário da queda terá edições também nos Estados Unidos (Other Press), Israel (Modan) e Itália (Feltrinelli). Mais sobre o livro aqui.

2) O segundo tempo entrou na lista do Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE) 2013.

3) Saiu a edição da Granta em inglês (http://goo.gl/WdZeh). Texto de Adam Thirlwell sobre o meu conto na revista: http://goo.gl/9M8De.

4) Já está nas livrarias o número dos Cadernos de Literatura Brasileira, do Instituto Moreira Salles, que homenageia Carlos Drummond de Andrade. Os trechos de crônicas, diários e entrevistas da seção Por ele mesmo foram selecionados por mim.

Feriado

Um livro – Barba ensopada de sangue, Daniel Galera (Companhia das Letras, 424 págs.).

Outro livro – Big Jato, Xico Sá (Companhia das Letras, 184 págs.).

Uma exposição em Londres – Sugimoto + Rothko, Pace Gallery.

Outra – Cartier-Bresson + fotógrafos em cores, Somerset House.

Mais outra – Richard Hamilton, National Gallery.

Um filme – Argo, Ben Affleck.

Links

– Anne-Marie Slaughter sobre mulheres, feminismo e trabalho: http://goo.gl/8Ykgy

– Kwame Appiaha sobre honra e revoluções morais: http://goo.gl/b4Xl6

– Eduardo Pinheiro sobre consumo consciente: http://goo.gl/9Eg48

– Jeffrey Eugenides sobre ‘Virgens suicidas’ quando o livro completou 16 anos: http://goo.gl/JVtKL

– Fotos de albinos: http://goo.gl/hR0l7

– Mark Twain num vídeo de 1909: http://goo.gl/gHCM3, via @sergiotodoprosa

– A biblioteca e o método de Wilson Martins, por @miguelsanchesnt: http://goo.gl/v64m5

– Pacientes e medicina soviéticos, 1970s: http://goo.gl/JwBQo, via @alexandrerodrig

– Roda Viva com João Saldanha, circa 1987: http://goo.gl/MNGA1

– Sobre escritores, agentes e profissionalização do mercado, por JP Villalobos e @jocaterron: http://goo.gl/bn0Nj  +http://goo.gl/QiYlA

– Entrevista clássica de Nelson Rodrigues: http://goo.gl/6RstZ

Fim de semana

Um documentário em áudio – Jorge Ben na Rádio Batuta (aqui).

Um pacote de discos de aniversário – Velvet Underground and Nico (aqui).

Uma edição – Cadernos de Literatura Brasileira/Drummond (IMS, 288 págs.).

Uma torta zebra – Pita Kebab.

Um filme – Elefante branco, Pablo Trapero.

Há algo de insuportavelmente triste num cruzeiro pelo Caribe

David Foster Wallace em sua reportagem/ensaio sobre uma viagem turística pelo Caribe, publicada em Ficando Longe do fato de já estar meio que longe de tudo (Companhia das Letras, 304 págs., tradução de Daniel Galera e Daniel Pellizzari):

Algumas semanas antes (…), um rapaz de dezessete anos se atirou do convés superior de um meganavio (…), um suicídio. Segundo a versão noticiada, foi um caso adolescente de amor frustrado, um romance a bordo que terminou mal etc. Creio que em parte foi outra coisa (…). Existe algo de insuportavelmente triste num Cruzeiro de Luxo comercial. Como a maioria das coisas insuportavelmente tristes, parece incrivelmente esquivo e complexo em suas causas e simples em seu efeito: a bordo do Nadir – especialmente à noite, quando cessam as diversões organizadas, as gentilezas e o barulho animado no navio – eu senti desespero. Desespero é uma palavra que foi desgastada até se tornar banal, mas é uma palavra séria e estou usando-a com seriedade. Para mim, ela denota uma mistura simples – um estranho anseio pela morte combinado com um sentimento esmagador da minha pequenez e da minha futilidade, que se apresenta como um medo da morte. Talvez seja algo próximo daquilo que as pessoas chamam de pavor ou angústia. Mas é bem outra coisa. É como desejar morrer para escapar da sensação insuportável de compreender que sou pequeno e fraco e egoísta e que sem a menor dúvida vou morrer. É querer se atirar do navio (…). Eu, que antes desse cruzeiro nunca estivera no oceano, sempre associei o oceano com pavor e morte. Quando criança eu costumava decorar todo tipo de informação sobre mortes causadas por tubarões. Não apenas ataques: mortes. A morte de Albert Kogler em Baker Beach, Califórnia, em 1959 (Tubarão-Branco). A tripulação do USS Indianapolis transformada em banquete nos arredores das Filipinas em 1945 (muitas variedades, mas oficialmente se acredita que a maioria eram Tigres e Azuis) [5]; a série de incidentes envolvendo o maior-número-de-mortes-atribuídas-a-um-único-tubarão ao redor de Matawan/Spring Lake, Nova Jersey, em 1916 (Tubarão-Branco, novamente; desta vez pegaram um carcharias na baía de Raritan, Nova Jersey, e encontraram partes humanas in gastro (sei quais partes, e a quem pertenciam)). Na escola, acabei escrevendo três trabalhos diferentes sobre o trecho ‘O náufrago’ de Moby Dick, o capítulo em que o grumete Pip cai no mar e enlouquece por conta da imensidão vazia onde se vê flutuando. E hoje, quando dou aulas, sempre apresento o assustador ‘O bote’ de Crane e fico muito transtornado quando a garotada acha o conto chato ou meramente aventuresco: quero que sintam o mesmo pavor medular do oceano que sempre senti, a intuição do mar como o nada primordial (…), profundezas habitadas por coisas gargalhantes cravejadas de dentes avançando até você na velocidade de uma pena caindo. Enfim, essa é a origem do fetiche atávico por tubarões que, preciso admitir, voltou junto com uma vingança longamente reprimida contra esse Cruzeiro de Luxo [6], e fiz tanto alarde sobre a única (provável) nadadeira dorsal que enxerguei a estibordo que meus companheiros da Mesa 64 do jantar acabaram tendo que me mandar, com o maior tato possível, calar minha boca de uma vez (…).

Notas:

[5] Isso é tudo de memória. Não preciso de livro nenhum. Ainda consigo lembrar os nomes de todas as vítimas fatais do Indianapolis que foram documentadas , incluindo alguns números de série e cidades natais. (Centenas de homens perdidos, 80 classificados como vítimas de tubarão, 7-10 de agosto de 1945; o Indianapolis havia acabado de entregar Little Boy na ilha de Tinian, para ser entregue em Hiroshima, para deleite dos ironistas. Robert Shaw, como Quint, recordou o incidente inteiro em Tubarão, de 1975, um filme que, como se pode imaginar, foi como pornografia fetichista para mim aos treze anos).

[6] E vou admitir que na primeiríssima noite do 7NC perguntei à equipe do restaurante Cinco-Estrelas Caravelle do Nadir se haveria alguma chance de eu talvez conseguir um balde de entranhas au jus para tentar atrair tubarões a partir da balaustrada dos fundos do último convés, e que esse pedido pareceu a todos, do maître em diante, perturbador e até mesmo perturbado, e acabou se mostrando um sério faux pas jornalístico, porque tenho quase certeza de que (…) esse foi o motivo principal por trás da interdição do acesso a coisas como a cozinha do navio, empobrecendo assim o escopo sensório deste artigo (…).

Feriado

Um serviço – Google Cultural Institute.

Um filme – Moonrise Kingdom, Wes Anderson.

Um lugar em BH – Museu de Artes e Ofícios.

Um lugar no Rio – Palácio do Catete.

Outro – Lamas.