Michel Laub

Mês: março, 2018

Fim de semana

Um filme – Projeto Flórida, Sean Baker.

Um documentário – Torquato Neto – Todas as Horas do Fim, Eduardo Ades e Marcus Fernando

Um livro – Marlene Dumas: the Image as Burden (Tate/D.A.P., 176 págs.).

Uma novela média – Pinball, 1973, Haruki Murakami.

Um ensaio de provocação – Literatura de Esquerda, Damián Tabarovsky (aqui).

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Fim de semana

Um artigo – O fim do liberalismo racial nos EUA (aqui).

Uma reportagem – O desastre estratégico da intervenção no Rio (aqui).

Um livro – Citizen, Claudia Rankine (Graywolf Press, 174 págs.).

Uma exposição – Erwin Olaf no MIS.

Um disco – Beneath the Redwoods, Morrison Kincannon.

Notas sobre o fígado

Um livro bom pode demorar a se revelar, em dezenas ou centenas de páginas de aparência apenas competente. Já a ruindade literária é imediata: meia dúzia de frases são suficientes para percebermos o amadorismo de um texto.

Integrar júris de prêmios para escritores, como fiz algumas vezes nos últimos anos, é reafirmar essa norma com poucas exceções. Ali está o grosso da produção ficcional do país, em diversos níveis de acabamento. No extinto Talentos da Maturidade, do Santander – voltado para candidatos acima dos 60 anos, diletantes em sua quase totalidade –, não era incomum encontrar na categoria conto uma oração de agradecimento a Jeová ou uma carta de saudades a uma tia morta. Já no do Sesc, que reúne concorrentes inéditos com mais noção de caminho artístico e profissional, as principais fontes de emulação do cânone brasileiro – Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Rubem Fonseca – e discursos emprestados de fontes não literárias – como o jornalismo e a autoajuda – ainda são um parâmetro seguro para a eliminação rápida de candidatos.

As coisas se tornam mais complexas em concursos de livros publicados. Em 2015, fui um dos dez jurados da etapa inicial do Prêmio São Paulo de Literatura, que distribuiu 400 mil reais em três categorias de autores cujos romances saíram em 2014. Um cachê de 4 500 reais foi pago para que eu avaliasse 215 títulos em pouco menos de dois meses, e a aparente impossibilidade da tarefa é desmentida pela norma da ruindade: uma triagem sem grande esforço fez sobrar sessenta deles. Dos sessenta, separei 25 ou 30, muitos dos quais eu já havia lido no ano anterior, para olhar mais de perto. Numa reunião, somam-se as notas de cada juiz, faz-se uma média, debate-se uma ou outra controvérsia e tem-se um ranking cujos primeiros colocados – dez não estreantes, sete estreantes com mais de 40 anos, quatro estreantes até 40 – viram finalistas. Na etapa seguinte, um outro júri, do qual não participei, decidiu os vencedores.

Trecho inicial de texto que publiquei na revista Piauí, edição de março. Íntegra para assinantes: https://goo.gl/3LmEH2

Fim de semana

Uma revista – Baiacu.

Um filme – O artista do Desastre, James Franco.

Outro – Get Out, Jordan Peele.

Um curta – Nelson Cavaquinho, Leon Hirszman (aqui).

Uma releitura Diário de um Ladrão, Jean Genet (Rio Gráfica, 260 págs.).