Michel Laub

Fim de semana

Um filme – O cidadão do ano, Hans Petter Moland.

Outro – Enquanto somos jovens, Noah Baumbach.

Uma segunda temporada até aqui – True detective.

Um bibimpap – Mirim.

Um melhor (sempre) – Bueno.

Egopress

– Na próxima segunda (29/6, 19h30), no CCBB/SP, participo de um debate do ciclo Arte e ciência, sobre memória e criatividade, com o neurocientista Ivan Izquierdo. Na semana seguinte (6/7, 20h), como parte do mesmo ciclo, converso no CCBB/Brasília com a também neurocientista Jociane Miskiw.

– Sou um dos 16 entrevistados da coletânea Um escritor na biblioteca 3 (Biblioteca Pública do Paraná, 248 págs), que faz parte de uma série promovida pelo jornal Cândido.

– Um dos textos de Literatura por tudo (UPF, 189 págs.), com organização de Luís Augusto Fischer e participação de convidados da Jornada de Literatura de Passo Fundo, é meu.

Selvagens e eternos

Assisto a Os bons companheiros desde o seu lançamento, em 1990. A Cassino, desde o seu, em 1995. É dos poucos hábitos que mantive nestas duas décadas e meia em que deixei para trás tantas certezas sobre tantas coisas.

No ano em que se comemoram aniversários redondos dos dois clássicos de Martin Scorsese, as lições de ambos se renovam a cada reprise. A principal, que soa óbvia, mas não costuma ser seguida, é a de que a liberdade é o bem mais precioso do artista – e se apegar a ela é a melhor forma de lidar com as regras de um gênero ou tradição.

Em vez de ser uma sombra intimidadora, o longo cânone americano de filmes de máfia, cujos realizadores vão de Howard Hawks e William Wellman a Brian De Palma e Francis Ford Coppola, funcionou de maneira paradoxal aqui. Já que as possibilidades de exibir esse universo pareciam esgotadas, Scorsese resolveu trabalhar sem amarras – fazendo homenagens e emulando o virtuosismo dos mestres, sim, mas dando às suas crias um tom de irreverência selvagem.

Trecho de artigo publicado na Folha de S.Paulo, 19/6/2015. Íntegra aqui.

Fim de semana

Um documentário sobre música – Anvil, Sacha Gervasi.

Outro – Lemmy, Greg Olliver e Wes Orshoski.

Um disco de 1970 – Barret, Syd Barret.

Um romance de 2000 relançado – A coisa não-Deus, Alexandre Soares Silva (Record, 208 págs.).

Um artigo – A crise dos museus, por Hal Foster (aqui, para assinantes).

Ciúme, telecatch, estelionato, jabá

Trechos de Pavões misteriosos, de André Barcinski (Três estrelas, 239 págs.), livro sobre a música pop brasileira no período 1974-1983.

Créditos (1) – “Na semana de lançamento do LP internacional de Água viva [em 1980], um disco parecido chegou às lojas. Não era da Som Livre, mas da Continental. Água viva – temas internacionais da novela (…) tinha um repertório idêntico ao do LP da Som Livre (…). Escondida no canto da capa, em fonte pequena, constava esta palavra: Covers (…). Hélio Costa Manso [diretor da Som Livre] (…) não teve dúvidas: aquilo só podia ser obra dos Carbonos (…). Muita gente chegava na loja e pedia o ‘disco da novela’ e saía de lá, feliz da vida, com a versão cover (…). Trinta e três anos depois do episódio (…) Beto Carezzato, baixista dos Carbonos, bate os olhos na capa (…) e diz: ‘É, acho que participamos desse estelionato!’.”

Créditos (2) – No fim dos anos 1970, auge do mercado de versões no Brasil, a indústria do disco virou um ringue de telecatch, onde vencia quem era mais esperto. E ninguém era mais esperto do que Carlos Imperial. Alguns anos antes, ele descobrira o lucrativo e inesperado filão das músicas de domínio público e passou a registrar várias em seu nome. Na biografia Dez! Nota dez: eu sou Carlos Imperial, o autor, Denilson Monteiro, conta que até a mãe de Imperial se indignou quando ele registrou Meu limão, meu limoeiro: ‘Carlos Eduardo, como você tem coragem de dizer que essa música é tua? Meu filho, eu cansei de te embalar cantando ela quando você era recém-nascido!’. Imperial respondia: ‘Comigo é assim: mulher e música, se não tiver dono, eu vou lá e apanho.’”

Critérios – “O jabá, ou jabaculê, era visto como uma coisa normal (…). Porém, de vez em quando, o olho grande de alguém provocava atritos. Quando André Midani soube quanto Chacrinha estava exigindo para apresentar Baby Consuelo e Pepeu Gomes em seu programa, resolveu ir à imprensa e protestar. (…). ‘Eu disse para André: pelo amor de Deus, não faça isso, vai acabar com a gente’, lembra [Marco] Mazzola, que trabalhava com Midani na Warner. ‘Dito e feito: quando cheguei à empresa, na segunda feira, o departamento de divulgação inteiro estava me esperando (…). As rádios cortaram todas as nossas músicas da programação. A gravadora levou uns quatro ou cinco anos para se levantar.’ (…) O filho de Chacrinha, Leleco Barbosa, disse à Folha de S.Paulo, em 2003, que o que havia não era ‘jabá’ (…): ‘A gravadora queria botar no programa o artista tal. Se papai gostasse, botava. Mas, como produzia shows com artistas, chacretes e calouros, a ‘caravana’, fazia uma troca (…). Era uma coisa mais que justa. Se o cara queria se lançar no programa, ia ao show em contrapartida.’”

Casting – “O carioca Sidney Magalhães era apenas mais um cantor de bares e restaurantes do Rio de Janeiro. Foi em uma churrascaria da Barra da Tijuca que o produtor musical Roberto Livi o viu pela primeira vez (…). Livi, um cantor argentino que gravara sucessos no Brasil na época da Jovem Guarda (…), tinha planos de criar um clone brasileiro de um grande astro pop do seu país, o cigano Sandro (…) O cantor (…) passou a se apresentar com a camisa aberta no peito, mangas bufantes, colares e uma vasta cabeleira cacheada (…). Livi decidia tudo: repertório, figurinos e até o que Magal deveria dizer em entrevistas (…). Quando o Fantástico produziu um clipe da música [Sandra Rosa Madalena], apresentou Magal como ‘descendente de ciganos’.”

Casting (2) – “Além de Simony, a CBS contratou [para integrar o Balão Mágico] um menino chamado Vimerson Benedito, de dez anos (…). Como Vimerson não era o nome mais apropriado para um pop star, a gravadora rapidamente arranjou-lhe um outro: Tob. O grupo se completou com Mike, de seis anos, filho do inglês Ronald Biggs, o famoso assaltante do trem pagador (…). Em abril de 1981, [Biggs] foi sequestrado por um grupo de mercenários britânicos que queria leva-lo de volta à Inglaterra e exigir uma recompensa do governo do país. Mike apareceu na TV fazendo um apelo emocionado pela libertação do pai. Os executivos da CBS ficaram impressionados com o carisma do menino e o contrataram.”

Apoio – “Desde Secos & molhados, nenhum disco de estreia no Brasil fizera tanto sucesso quanto Voo de coração [de Ritchie]. Quando foi gravar o segundo disco, E a vida continua, o cantor sentiu certa má vontade por parte da CBS (…). Não entendia como havia passado, em tão pouco tempo, de prioridade a estorvo. Até que leu uma entrevista de Tim Maia à revista Isto É, em que o ‘Síndico’ afirmava que Roberto Carlos, o maior nome da gravadora, havia ‘puxado o tapete’ de Ritchie (…). Claudio Condé, da CBS, nega: ‘Isto é viagem. O Roberto nunca teve esse tipo de ciúme.’ (…) Anos depois, quando fazia um show em Angra dos Reis, o cantor foi procurado por um homem, que se apresentou como radialista e lhe disse: ‘Há anos quero te contar isto. Quando você lançou A mulher invisível, aconteceu algo que eu nunca tinha presenciado em mais de trinta anos de carreira no rádio: eu ganhei um jabá da sua própria gravadora para não tocar a sua música!’.”

Fim de semana

Um livro – Pavões misteriosos, André Barcinski (Três estrelas, 239 págs.).

Um documentário – Kurt Cobain: montage of heck, Brett Morgen.

Um disco – The magic whip, Blur.

Um texto – Bernardo Carvalho e a poesia sob o jihadismo (aqui).

Outro – Elias Thomé Saliba e o humor sob o stalinismo (aqui).

Desastre literal

Com o deslocamento da cultura visual da TV para a expressão escrita da internet, os índices de leitura no país devem ter dado um salto na última década e meia. Em termos de qualidade, porém, como sabe quem alguma vez entrou numa caixa de comentários de grande portal, o cenário está mais para desastre.

As causas não são difíceis de achar, e não estão apenas nas escolas. Vejam a Jornada de Literatura de Passo Fundo, cuja edição 2015 acaba de ser cancelada. A opção de governos, empresas e entidades que poderiam ajudar foi clara: em nome de uma economia mesquinha (o filme “Qualquer Gato Vira-Lata 2” custou mais que o dobro do que custaria o evento), abre-se mão de um dos poucos modelos vitoriosos que temos na formação de leitores.

Os exemplos poderiam seguir ao infinito: da “Pátria Educadora” que deixou de comprar livros às goteiras da Biblioteca Nacional, do fascínio por celebridades ignorantes aos “guias de lazer” que dão dicas sobre brechós e passeios com o pet, desconhecendo a hipótese de alguém preferir ler num sábado ou domingo, o futuro está contratado no que valorizamos no presente.

Pensei nas consequências desse desprezo à atividade intelectual ao saber que Antonio Prata, colunista da Folha, foi processado por um texto obviamente satírico (http://goo.gl/751HQj). Também ao acompanhar a polêmica em torno de “A mulher no trem”, peça do grupo Os Fofos Encenam suspensa depois de protestos pelo uso de “blackface” – o expediente de pintar de negro o rosto dos atores, que foi típico no teatro e cinema racistas dos Estados Unidos.

Publicado na Folha de S.Paulo, 5/6/2015. Íntegra aqui.

Egopress

– Na próxima terça, 9/6, às 19h30, farei uma palestra sobre literatura e linguagem digital na abertura do Enletrarte (Encontro Nacional de Professores de Letras e Artes), em Campos dos Goytacazes/RJ.

– Na semana seguinte, em 16/6, às 19h, na Livraria da Vila da Lorena (SP), conversarei com o Alexandre Soares Silva sobre o relançamento do seu romance A coisa não-deus (Ed. Record).

Fim de semana

Um filme – Mad Max 4, George Miller.

Um personagem do filme – o guitarrista.

Um artigo – Adam Gopnik sobre remuneração no mercado de arte (aqui).

Outro – Eliane Brum e o debate sobre blackface no teatro (aqui).

Um disco – Estratosférica, Gal Costa.

Um clássico das coisas

Num “Roda Viva” recente, Amyr Klink parecia tão entusiasmado ao falar de viagens quanto ao falar sobre design. Faz sentido. A aventura de enfrentar tempestades em alto mar ou conversar com os pinguins na Antártica começa na escolha dos materiais do barco, no projeto que determinará uma jornada estilo Arca de Noé ou Titanic.

É mais comum achar que vivemos cercados de ideias erradas do que de objetos errados. E talvez a verdade seja o oposto, ao menos do ponto de vista mesquinho do dia-a-dia. Dá para evitar discutir a reforma fiscal no buffet por quilo, mas não nos livramos de sentar em cadeiras desconfortáveis, de lidar com embalagens que exigem um plano de engenharia para serem abertas.

Texto publicado na Folha de S.Paulo, 22/05/2015. Íntegra aqui.

Um treinamento para enfrentar a crítica literária

Stephen King em Sobre a escrita (Suma das Letras, 256 páginas, tradução de Michel Teixeira):

“Quando vejo imagens de câmeras escondidas mostrando babás da vida real que, de repente, começam a molestar e bater em crianças, sempre me lembro dos dias com Eula-Beulah (…). Era comum [ela] estar ao telefone, rindo com alguém, e gesticular para que eu me aproximasse. Ela me abraçava, me fazia cócegas até que eu risse e depois, ainda rindo, me dava um cascudo tão forte que eu desabava. Depois me fazia cócegas com os pés descalços até que nós dois ríssemos de novo.

Eula-Beulah era dada a peidos — daqueles barulhentos e fedidos. Às vezes, quando estava atacada, ela me jogava no sofá, colava a bunda coberta por uma saia de lã na minha cara e mandava ver. — Pou! — gritava ela, se divertindo. Era como ser soterrado por fogos de artifício de metano. Eu me lembro da escuridão, da sensação de estar sufocando, e me lembro de gargalhar. Porque, embora aquilo fosse, de certa forma, horrível, também era, de alguma forma, engraçado. De várias maneiras, Eula-Beulah estava me preparando para a crítica literária. Depois que uma babá de 90 quilos peida na sua cara e grita ‘Pou!’, o jornal The Village Voice fica bem menos aterrorizante.”

Fim de semana

Um disco de 2014 – Burn your fire for no witness, Angel Olsen.

Um ensaio de 2014 – Lorenzo Mammi sobre a música e o vinil, na Piauí (aqui).

Uma reportagem de 1983 – Tom Wolfe sobre a criação do Vale do Silício, na Esquire (aqui).

Uma série de fotos de 1880 a 1970 –  Porto Alegre (aqui).

Um filme – Take shelter, Jeff Nichols.

Olho por dente

Diferentemente da imagem que tem hoje, a Lei de Talião foi um avanço no direito penal. Ao menos no da Babilônia do Século 18 a.C.: antes do “olho por olho, dente por dente”, as punições tinham pouco a ver com a gravidade aos crimes. Se alguém roubasse um boi do vizinho, poderia ter a casa incendiada com o rebanho e a família dentro.

Dado o tipo de justiça que anda sendo praticada na Internet, uma versão 2015 do Talião não seria má ideia. Se há algo em falta nas redes sociais, é proporcionalidade. Nos dois sentidos do termo: para alguns notórios políticos e formadores de opinião, nada do que for dito constrangerá uma trajetória de venalidade orgulhosa.

Já para quem tem alguma vergonha na cara, mas erra como qualquer humano, as penas podem ganhar dimensões de Velho Testamento. É sobre esses indivíduos até então anônimos, ou no máximo conhecidos em nichos, que escreve o jornalista britânico Jon Ronson em seu novo livro.

Publicado na Folha de S.Paulo, 8-5-2015. Íntegra aqui.

Fim de semana

Uma exposição – Anselm Kiefer, White Cube.

Um filme – O abutre, Dan Gilroy.

Um filme ok – The humbling, Barry Levinson.

Um disco extremo – Bestial burden, Pharmakon.

Um livro – Sobre a escrita, Stephen King (Suma das Letras, 256 págs.).

Conversa com um amigo morto

Michel Houellebecq em Submissão (Alfaguara, 256 págs., tradução de Rosa Freire d’Aguiar):

“Tanto quanto a literatura, a música pode determinar uma reviravolta, um transtorno emotivo, uma tristeza ou um êxtase absolutos; tanto quanto a literatura, a pintura pode gerar um deslumbramento, um olhar novo depositado sobre o mundo. Mas só a literatura pode dar essa sensação de contato com outro espírito humano, com a integralidade desse espírito, suas fraquezas e grandezas, suas limitações, suas mesquinharias, suas ideias fixas, suas crenças; com tudo o que o comove, o interessa, o excita ou o repugna. Só a literatura permite entrar em contato com o espírito de um morto, da maneira mais direta, mais completa e até mais profunda do que a conversa com um amigo — por mais profunda e duradoura que seja uma amizade, numa conversa nunca nos entregamos tão completamente como o fazemos diante de uma página em branco, dirigindo-nos a um destinatário desconhecido. Então, é claro, quando se trata de literatura, a beleza do estilo, a musicalidade das frases têm sua importância; a profundidade da reflexão do autor, a originalidade de seus pensamentos não são de desprezar; mas um autor é antes de tudo um ser humano, presente em seus livros; que escreva muito bem ou muito mal, em última análise, importa pouco, o essencial é que escreva e esteja, de fato, presente em seus livros (é estranho que uma condição tão simples, na aparência tão pouco discriminatória, na realidade o seja tanto, e que esse fato evidente, facilmente observável, tenha sido tão pouco explorado pelos filósofos de diversas vertentes: como os seres humanos possuem em princípio, à falta de outra qualidade, uma idêntica quantidade de ser, todos estão em princípio mais ou menos igualmente presentes; porém, não é esta a impressão que dão, com alguns séculos de distância, e é frequente vermos se esfiapar, páginas a fio, que sentimos ditadas mais pelo espírito do tempo do que por uma individualidade própria, um ser incerto, cada vez mais fantasmático e anônimo). Da mesma maneira, um livro que amamos é antes de tudo um livro cujo autor amamos, a quem temos vontade de encontrar, com quem desejamos passar nossos dias.”

Houellebecq, estômago e submissão

Em 1998, o filme “Nova York sitiada” antecipou parte do que aconteceria com o mundo a partir de 2001: 1) novo e descentralizado tipo de jihadismo, treinado pela CIA em sua origem, causa grande tragédia numa metrópole americana; 2) em pânico justificado, cidadãos exigem reação do governo; 3) Opta-se pelo caminho militar/policialesco, que estimula a intolerância étnica/religiosa e avança sobre direitos civis.

Tanta acuidade histórica, no entanto, não gerou uma obra esteticamente relevante. Talvez porque as boas ideias do roteiro, escrito pelo prêmio Pulitzer Lawrence Wright, precisassem ser traduzidas pelo esquematismo hollywoodiano de Bruce Willis e companhia. Uma coisa é o que se diz, outra é como se diz. Embora as duas dimensões se misturem em algum nível na arte, é na segunda que está a possibilidade de transcender o que já se sabe assistindo ao noticiário ou lendo os especialistas.

Publicado na Folha de S.Paulo, 24/4/15. Íntegra aqui.

Fim de semana

Um disco – Sound and collor, Alabama Shakes.

Outro – Singles, Future Islands.

Um documentário com momentos – André Midani, Conspiração Filmes.

Um filme – Acima das nuvens, Olivier Assayas.

Um livro – Submissão, Michel Houellebecq (Alfaguara, 256 págs.).

Egopress

A maçã envenenada teve os direitos vendidos para o francês (Buchet Chastel) e para o inglês (Harvill Secker).

Diário da queda, cuja edição em paperback acaba de sair na Inglaterra pela Harvill/Vintage, com tradução da Margaret Jull Costa, ganhou o prêmio JQ Wingate (http://goo.gl/pncS1s).

Feriado

Um livro – So you’ve been publicly shamed, Jon Ronson (Riverhead Books, 304 págs.).

Um disco – Carrie and Lowell, Sufjan Stevens.

Uma série ok – The americans.

Um cachorro quente – Imbiss.

Um filme – Leviatã, Andrey Zvyagintsev.

Viagens invisíveis

Muito antes do Instagram e das poses de Francisco Cuoco na piscina de Caras, com um pouquinho mais de ênfase que a dos pensadores dedicados ao tema nas últimas décadas, o escritor e dramaturgo Thomas Bernhard definiu a fotografia como “mania sórdida”, uma “doença que acometeu toda a humanidade” e, em suma, “a maior desgraça do Século 20”.

Em certas circunstâncias, é difícil não ver na sátira do trecho – tirado do romance “Extinção”, de 1986 – algo de profético. Nas atuais viagens, por exemplo: se há algo que não está em falta no Século 21, ao menos quando falamos do turismo de classe média/alta no Ocidente, são imagens de metrópoles cada vez mais parecidas nos costumes, no comércio, nas atrações culturais.

Publicado na Folha de S.Paulo, 10/4/2015. Íntegra aqui.

Fim de semana

Um filme – Mapas para as estrelas, David Cronenberg.

Uma performance de 2010 – LDC Soundsystem na chuva (aqui).

Um livro de poemas – Rabo de baleia, Alice Sant’Anna (Cosac Naify, 64 págs.).

Outro – Escuta, Eucanaã Ferraz (Companhia das Letras, 134 págs.).

Uma montagem que voltou a cartaz – Comunicação a uma academia, dir. Roberto Alvim.

O Big Bang da ansiedade

Um amigo costuma dizer que o verdadeiro Big Bang é nossa mãe. Entendo: o que somos pode ter tudo a ver com a expansão da matéria e o caráter ondulatório do universo, entre outras abstrações da astronomia, mas há mistérios igualmente profundos na genética para explicar como chegamos até aqui.

No caso de Scott Stossel, autor do recém-lançado Meus tempos de ansiedade (Companhia das Letras, 520 páginas), o enunciado do mistério é peculiar. Bisneto de um pró-reitor de Harvard que passou seus últimos anos em posição fetal, emitindo “sons inumanos” em casa ou num hospício, este jornalista americano bem sucedido, casado e pai de dois filhos conta que há 35 anos, 2 meses, 4 dias, 22 horas e 49 minutos tem medo de vomitar.

Publicado na Folha de S.Paulo, 16/1/2015. Íntegra aqui.

Feriado

Um filme – O ano mais violento, J.C. Chandor.

Outro – Foxcatcher, Bennett Miller.

Uma exposição em Paris – Pieter Hugo, Fundação Cartier-Bresson.

Um ensaio –  Fukuyama sobre o esgotamento do neoconservadorismo americano (aqui).

Um livro – Por escrito, Elvira Vigna (Companhia das Letras, 312 págs.).

Resumo do circo

– Ódio: o que o grupo político rival sente. Nós, ao contrário, somos cândidos e gostamos de ouvir o contraditório.

– Golpe: está constantemente sendo promovido pelo grupo rival na mídia, no judiciário, no aparelhamento de estatais, na doutrinação de escolas e universidades.

– Classe média: todo mundo é quando fala do próprio salário, ninguém é quando discute cultura ou moral.

Publicado na Folha de S.Paulo, 27/3/2015. Íntegra aqui.

Fim de semana

Um livro – Colapso, Jared Diamond (Record, 686 págs.).

Um ensaio – Antonio Xerxenesky sobre Michael Mann na Serrote.

Um filme ok – A teoria de tudo, James Marsh.

Uma exposição em Paris – Klimt, Pinacothèque.

Uma em Londres – desenhos de Goya, Courtauld Gallery.

Perguntas ao escritor

– Se seus livros não existissem, ia fazer alguma diferença para alguém além de você?

– Entre escrever um grande livro cujo tema magoará uma pessoa muito próxima e querida ou jamais escrever um grande livro, o que você escolheria?

Publicado na Folha de S.Paulo, 19-12-14. Íntegra aqui.

Egopress

Nesta terça (24/3), na esteira da programação da Feira do Livro de Paris, participo de dois eventos em Bordeaux com Ana Paula Maia, Daniel Galera e Paloma Vidal: às 14h, na Universidade Bordeaux-Montaigne, e às 18h, na livraria Mollat. A mediação será de Ilana Heineberg.

Fim de semana

Uma reportagem – Graeme Wood sobre o ISIS na Atlantic (aqui).

Um filme – Inherent vice, Paul Thomas Anderson.

Outro – O jogo da imitação, Morten Tyldum

Uma exposição de fototografia em Londres – Conflict-time, Tate Modern.

Outra – Salt and silver, Tate Britain.

Gritos de formiga

A “Audi magazine” fez uma enquete sobre a “conquista mais subestimada” de algumas áreas profissionais. Entre os entrevistados, o neurocientista Alysson Muotri citou o ato de lavar as mãos. Já o arquiteto Lourenço Gimenes, a invenção do elevador.

A resposta sobre a atividade literária é minha: aprender a desistir. Ou seja, identificar o momento em que o texto não pode mais ser melhorado em revisões obsessivas. Publicar um livro é assinar uma trégua com as próprias ambições e limites, incluindo aí talento e atração pela ruína hedonista.

Texto publicado na Folha de S.Paulo, 13-3-2015. Íntegra aqui.

Fim de semana

Uma exposição em Londres – Marlene Dumas, Tate Modern.

Outra – Joshua Reynolds, Wallace Collection.

Um clube – Ronnie Scott’s.

Um livro – Meus tempos de ansiedade, Scott Stossel (Companhia das Letras, 520 págs.).

Um perfil – Angela Merkel na Piauí (aqui, para assinantes).

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