Michel Laub

Egopress

– Meu novo romance, O Tribunal da Quinta-Feira, sai em novembro pela Companhia das Letras.

– Neste sábado, 24/9, às 15h, estarei com Sérgio Rodrigues numa das mesas da Tarrafa Literária, em Santos. Mais informações aqui.

Fim de semana

Um filme – Francofonia, Alexandr Sokúrov.

Outro – Moon, Duncan Jones.

Um disco – Skeleton Tree, Nick Cave.

Um discurso – Lionel Shriver sobre apropriação cultural (aqui).

Um romance – Meia-Noite e Vinte, Daniel Galera (Companhia das Letras, 208 págs.).

O álibi do monstro

Uma personagem de Simpatia Pelo Demônio, de Bernardo Carvalho (Companhia das Letras, 236 págs.), falando do personagem Ivánov, da peça homônima de Tchekhov:

“Você não entendeu nada. Quando ele se diz culpado, não está assumindo culpa nenhuma, ao contrário. Quando ele diz que é culpado, está se eximindo da culpa. E está se pondo no centro da ação (…). Só pode dizer que é culpado porque no fundo não sente culpa nenhuma. ‘Sou culpado’ é a frase perfeita, automática e vazia do irresponsável; é seu álibi, sua desculpa, além de ser uma contradição em termos. É a frase que define quem tem da culpa uma compreensão exterior, intelectual. O que ele está dizendo é: ‘Não posso fazer nada; estou condenado a ser monstro; faz parte da minha natureza, que eu não posso contrariar’. O amor que ele diz sentir pelos outros tem perna curta e termina sendo um enfado, porque está sempre aquém do amor que ele sente por si mesmo. E o amor dos outros por ele é a própria banalidade, o próprio lugar-comum, porque é natural, ele espera que todo mundo o ame, claro, já que encarna o sedutor por excelência. É impossível não amá-lo, você entende? Ele só pode amar uma mulher enquanto não tiver certeza de que ela lhe corresponde, enquanto ela guardar algum mistério, alguma opacidade, enquanto ela não sucumbir à banalidade de amá-lo como todas as outras, enquanto ela não cair no lugar-comum de se declarar, na vulgaridade de tornar transparentes os seus sentimentos. Ele é só a depuração mais extrema do que acaba se reproduzindo em maior ou menor grau em todo mundo. Somos todos mais ou menos Ivánov.”

Fim de semana

Um livro – Simpatia pelo Demônio, Bernardo Carvalho (Companhia das Letras, 236 págs.).

Outro – Como se Estivéssemos em Palimpsestos de Putas, Elvira Vigna (Companhia das Letras, 212 págs.).

Um disco – My Woman, Angel Olsen.

Um filme com uns poréns – Greenberg, Noah Baumbach.

Outro – Aquarius, Kleber Mendonça Filho.

Egopress

Diário da queda teve os direitos vendidos para a Turquia. Até 2017, o livro terá saído em 12 países e 9 idiomas.

O segundo tempo será tema de um dos episódios de uma série de documentários que a produtora Mira Filmes está fazendo sobre livros e cidades brasileiras. Reinaldo Moraes, que apresenta os programas, escreveu sobre as gravações em  Porto Alegre: https://goo.gl/9qDNwR

– Participação minha no projeto Segundas Intenções, com Manuel da Costa Pinto: https://goo.gl/lgORf3

Fim de semana

Uma série – The Night Of.

Outra – Stranger Things.

Uma reportagem – Duas semanas de terror e suas vítimas (aqui).

Um vídeo – 300 gols de Pelé (aqui).

Um disco – Poison Season, Destroyer.

Fim de semana

Um artigo – Zadie Smith sobre o Brexit (aqui).

Uma reportagem – Angels in America, 25 anos depois (aqui).

Uma série de fotos – A Síria antes e depois da guerra (aqui).

Um filme divertido – Elvis & Nixon, Liza Johnson.

Outro – Four Lions, Christopher Morris .

Vida além da vida

James Wood em Como Funciona a Ficção (Cosac Naify, 228 págs. Tradução de Denise Bottmann):

“O realismo, visto em termos amplos como veracidade em relação às coisas como são, não pode ser mera verossimilhança, não pode ser meramente parecido ou igual à vida; há de ser o que devo chamar de vida animada [lifeness]: a vida na página, a vida que ganha uma nova vida graças à mais elevada capacidade artística. E não pode ser um gênero; pelo contrário, ela faz com que as outras formas de ficção pareçam gêneros. Pois esse tipo de realismo – a vida animada – é a origem. É o mestre de todos os outros; ensina também os que cabulam suas aulas: é ele que permite existir o realismo mágico, o realismo histérico, a fantasia, a ficção científica e mesmo o suspense. Nada tem daquela ingenuidade que lhe imputam os adversários; quase todos os grandes romances realistas do século XX também refletem sobre sua própria elaboração e estão repletos de artifícios. Todos os maiores realistas, de Austen a Alice Munro, são ao mesmo tempo grandes formalistas. Mas essa questão será sempre difícil: pois o escritor tem de agir como se os métodos literários disponíveis estivessem constantemente à beira de se transformar em meras convenções, e por isso ele precisa tentar vencer esse inevitável envelhecimento. O verdadeiro escritor, aquele livre servidor da vida, precisa sempre agir como se a vida fosse uma categoria mais além de qualquer coisa já captada pelo romance, como se a própria vida sempre estivesse à beira de se tornar convencional.”

Fim de semana

Um romance – O Encontro Marcado, Fernando Sabino (Record, 365 págs.).

Um filme para ver de novo – Michael Clayton, Tony Gilroy.

Um artigo – Matéria x consciência para homens e objetos (aqui)

Um perfil – Nan Goldin, 30 anos depois (aqui).

Um ensaio – Marcos Nobre e a volta do Brasil aos anos 80 (aqui).

O mingau da destruição

Trechos da reportagem de Consuelo Dieguez sobre o desastre de Mariana/MG, na Piauí de julho:

“Quando as comportas se abriram, a onda desceu com força de catarata. Um mingau espesso da cor de mertiolate, impregnado de rejeito de minério, avançou pelo rio Doce, eliminando a vida existente: peixes, algas, micro-organismos, capivaras que passeavam nas margens, além de toda a vegetação ao redor, que desapareceu como se cortada por uma lâmina. Ao contaminar o rio, a lama, numa reação em cadeia, afetou toda a bacia do Doce, uma região de 86 mil quilômetros quadrados, território equivalente ao da Áustria. No total, 228 municípios foram impactados pelo desastre. Naqueles primeiros dias, seis deles seriam dramaticamente atingidos.

(…)

A 300 quilômetros dali, em Governador Valadares, o empresário Sandro Heringer acordou com a notícia de que a lama invadira o rio Doce. Conhecedor da região, deduziu que em breve a onda chegaria a sua cidade. Com 300 mil habitantes, Valadares é o maior município banhado pelo rio. A relação dos moradores com suas águas é tão estreita que Valadares é a única cidade brasileira a ter uma medalha olímpica de remo (…). No domingo, dia 8, três dias após o rompimento, conscientes de que a destruição do rio era inexorável, a turma do remo se juntou para uma melancólica despedida. Em silêncio, em seus caiaques, mais de 100 remadores, Heringer entre eles, entraram no rio, remaram por um longo tempo e atiraram-se em suas águas. Sabiam que seria a última vez, pelos próximos dez anos, no mínimo, que poderiam repetir aquele ritual.

(…)

Na manhã de terça-feira, dia 10, cinco dias após o desastre, a água em Valadares começou a escassear. No dia 11, com os reservatórios vazios, a cidade entrou em colapso. Os caminhões-pipa contratados pela prefeitura não davam conta de atender a todas as comunidades. A prefeitura exigiu da Samarco a doação de água mineral, o que só foi feito após ordem judicial, já que a empresa afirmava não ter logística para fazer a distribuição. Governador Valadares se transformou numa praça de guerra, com saques a lojas e supermercados, tiroteios e ataques aos caminhões-pipa. O Exército precisou ser acionado. Moradores armados obrigavam os motoristas a desviar os caminhões-pipa para bairros não assistidos. Pessoas com dificuldades de locomoção ficaram presas em casa, com as torneiras secas.

(…)

Vescovi de Aragão [Samarco] botou a culpa em seus subordinados, esquivando-se de suas atribuições. Como diretor-presidente, disse, não possuía ‘responsabilidade direta em relação às barragens de Fundão, Santarém e Germano’; não tinha conhecimento da obra de recuo, aprovada, em 2012, pelo gerente-geral de Projetos; não poderia informar a causa da ruptura porque isso era da alçada do diretor de Operações (…). Ele não tinha nada a ver com aquilo tudo. Mas ainda assim garantiu que no dia do acidente ‘passou suporte e confiança aos funcionários que estavam atuando com a Defesa Civil e os bombeiros’. Mentiu à polícia ao dizer que o plano de ações emergenciais fora colocado em prática, já que tal plano não existia.

(…)

Em dezembro, os agentes federais grampearam conversas telefônicas de alguns funcionários da Samarco e da empresa VOGBR. Pelo que ouviram, concluíram que os executivos de ambas sabiam dos problemas da barragem, mas assumiram o risco de mantê-la funcionando (…). O engenheiro da VOGBR, Samuel Paes Loures, por exemplo, em conversa com o sócio da empresa, Othávio Afonso Marchi, fez um comentário raivoso sobre Joaquim de Ávila, o dono da consultoria Pimenta de Ávila [que fez parecer apontando a falta de segurança da barragem]: ‘Ele foi o único que jogou merda no ventilador e levantou a bola para a polícia. O curso da investigação mudou por causa dele. A gente tem que sair fora dessa.’ E, mais adiante, admitiu a culpa. ‘O Pimenta tem razão, mas ele está contribuindo com a investigação e fodendo a gente.’

(…)

Dilma Roussef só visitou a região afetada pelo maior desastre ambiental da história brasileira uma semana depois. Nos Estados Unidos, o presidente George W. Bush esperara dois dias para sobrevoar Nova Orleans – em agosto de 2005, o furacão Katrina devastou 80% da cidade (…). A demora veio a ser considerada uma das mais graves omissões de responsabilidade da história da Presidência norte-americana. No dia 12, a assessoria de Dilma finalmente a convenceu a ir a Governador Valadares (…). O Ibama, ligado à pasta do Meio Ambiente, resolvera aplicar multas no valor de 250 milhões de reais à Samarco (…). Caberia à presidenta anunciar a medida. No aeroporto de Valadares, ela fez uma reunião de emergência com os prefeitos das cidades atingidas e em seguida discursou. Foi um constrangimento. Primeiro, atrapalhou-se com o nome da empresa, que chamou de ‘São Marcos’. Depois, como que desconhecendo a gravidade da situação, afirmou que o rio Doce seria recuperado e ficaria ‘muito melhor do que era’. Por fim, anunciou a multa, da qual a empresa recorreria (e nunca pagaria). E se retirou.”

Fim de semana

Um disco – A Moon Shaped Pool, Radiohead.

Um filme – Viagem para a Itália, Michael Winterbotton.

Um filme ok – Midnight Special, Jeff Nichols.

Um documentário – Lucian Freud no seu ateliê (aqui).

Uma reportagem – Hollywood perdendo as novas gerações (aqui).

Fim de semana

Uma entrevista – James Joyce, 1929/1930 (aqui).

Um disco – Good Morning, My Love, Jesu & Sun Kill Moon.

Um filme de estreia – Aspirantes, Ives Rosenfeld.

Um livro de estreia – Sobre Pessoas Normais, Marcela Dantés (Patuá, 126 págs.)

Uma HQ – Pílulas Azuis, Frederik Peeters (Nemo, 206 págs.).

2 + 2 = morte

O narrador de Dostoiévski em Notas do Subsolo (L&PM, 149 págs., tradução de Maria Aparecida Botelho Pereira Soares):

“As veneráveis formigas começaram com um formigueiro e terminarão também, provavelmente, com um formigueiro, o que muito honra sua constância e sua natureza positiva. Mas o homem é um ser inconstante e pouco honesto e, talvez, à semelhança do jogador de xadrez, goste apenas do processo de procurar atingir um objetivo, e não do objetivo em si (…), o qual, evidentemente, não deve passar de dois e dois são quatro, ou seja, uma fórmula, e dois e dois são quatro já não é vida (…), mas o começo da morte.”

Fim de semana

Um filme – A Bruxa, Robert Eggers.

Outro – Boi Neon, Gabriel Mascaro.

Um artigo – Siddartha Mukherjee sobre esquizofrenia (aqui).

Outro – As guerras culturais nas universidades americanas (aqui).

Um livro – Entre Aspas 2, Fernando Eichenberg (L&PM, 480 págs.).

Egopress

– O livro Deus é Brasileiro, do tradutor holandês Harrie Lemmens (Zouk Editora, 245 págs.), com fotos de Ana Carvalho, trata da obra e de encontros com vários escritores do país, eu entre eles.

– Podcast da rádio irlandesa RTÉ sobre Diário da queda: http://goo.gl/RcUxGS.

O imperador no Simba Safári

Claudio Angelo em A Espiral da Morte (Companhia das Letras, 489 págs.), livro sobre a mudança no clima, o derretimento dos polos, o fim do mundo como o conhecemos e uma de suas primeiras vítimas:

“Em alguns lugares, seria preciso matar os ursos e diminuir a população para que ela se tornasse viável, ou encher zoológicos de ursos-polares e cruzá-los em cativeiro até que as emissões de gases-estufa diminuíssem a ponto de permitir uma volta do gelo e sua devolução à natureza (o que pode levar décadas, séculos ou simplesmente não acontecer). Em outros, seria preciso atrair os ursos para as zonas de alimentação diferentes e acostumá-los a procurar comida nesses lugares (…). Em outros ainda, os ursos selvagens precisariam ser alimentados pelos humanos todos os anos, durante vários meses, para sobreviver (…). Essa medida traz uma série de questões políticas, econômicas, éticas e de conservação. Por exemplo: é ético caçar um mamífero [focas] para alimentar outro mamífero? O grupo [de pesquisadores] sugere que não, até porque o degelo também ameaça as populações de focas. Portanto, os ursos teriam de ser alimentados com ração especial, do tipo que é dada a animais no zoológico. O que traz outra dificuldade: como fazer isso? E quem vai pagar a conta? (…) O estudo conclui que, dada a importância econômica dos ursos-polares para algumas regiões, alimentá-los pode, sim, ser uma opção válida de conservação. Várias porções do Ártico seriam, dessa forma, convertidas numa espécie de Simba Safári gigante, onde um animal que simboliza tudo o que há de mais remoto e selvagem no imaginário do Homo sapiens seria convertido numa ‘semifera’ eternamente dependente daqueles que lhe roubaram a casa e a comida (…). Um final melancólico para o reinado de 6 milhões de anos do imperador do Ártico, o maior predador da terra.”

Fim de semana

Um livro – A espiral da morte, Claudio Angelo (Companhia das Letras, 489 págs.).

Um ensaio – Bernardo Carvalho sobre literatura e multiculturalismo (aqui).

Uma série mediana – The Affair.

Uma fraquinha – Love.

Uma temporada que só vi agora – Game of Thrones, 01.

Fim de semana

Uma série – The Jinx.

Um filme argentino – O Décimo Homem, Daniel Burman.

Um filme argentino/espanhol – Truman, Cesc Gay.

Um disco de 2014 – Bad Debt, Hiss Golden Messenger.

Um livro – Depois a Louca sou Eu, Tati Bernardi (Companhia das Letras, 140 págs.).

Egopress

– Na quarta, 18/5, 19h30, converso com alunos do curso de tradução da Uninove da Barra Funda/SP.

– No sábado, 21/5, 11h, participo do programa/debate ‘Segundas Intenções’, com Manuel da Costa Pinto, na Biblioteca de São Paulo (Carandiru).

– Vídeo completo do debate sobre autoficção, também com Manuel da Costa Pinto, que fiz no Café Filosófico da CPFL/Campinas: https://vimeo.com/162537991.

– Participação (a 42:00) no programa Radioteca, da Universidade de Coimbra/Portugal, em que a jornalista Ines Rodrigues também entrevistou Luiz Rufffato e falou de Paulo Scott e Julián Fuks: https://goo.gl/6Fm2FY

Algo chamado decoro mesmo quando estamos sozinhos

Junichiro Tanizaki em A Vida secreta do senhor de Musashi (Companhia das Letras, 218 págs., tradução de Dirce Miyamura:

“Damas nascidas numa família de daimyo (…) jamais permitiam que alguém, nem elas próprias, visse os sólidos excretados por seu corpo. Esse tipo de reserva era cumprido cavando-se abaixo do vaso sanitário uma fossa bem profunda que era preenchida com terra depois da morte da dama (…). A discrição sobre este assunto era compartilhada por todas as damas da alta sociedade. Em comparação, o vaso sanitário moderno com descarga automática, embora satisfaça no quesito limpeza e higiene, apresenta tudo abertamente à frente de nossos olhos, e assim (…) é um equipamento vulgar, grosseiro, cujo criador deve ter esquecido que existe algo chamado decoro mesmo quando estamos sozinhos.”

Fim de semana

Um filme – Straight Outta Compton, F. Gary Gray.

Um filme de Yorgos Lanthimos – The Lobster.

Outro – Dogtooth.

Um perfil – A vida de Coppola na Itália (aqui)

Um ensaio – Camila Von Holdefer sobre literatura x otimismo (aqui).

Links

– Como a manipulação do DNA mudará o mundo: http://goo.gl/hDUcDY

– Como é tirar João Gilberto no Violão: http://goo.gl/tTm891

– Por que o azul não é mencionado em relatos de civilizações antigas: http://goo.gl/QDfKHd

– Bactérias que curam tumores cerebrais: http://goo.gl/o6mfMQ

– O que sonham os doentes terminais (e como os médicos lidam com isso): http://goo.gl/QQMsvo

– Ideologia de quem vive mais ou menos como mendigo (e de quem aplaude): http://goo.gl/fqM1oo

– Javier Marías em defesa do passado: http://goo.gl/CUVseS

– Pulitzer para resenhas de heavy metal: http://goo.gl/tpV199

– História boa e horrível sobre uma mãe que perdeu a guarda do filho: http://goo.gl/HvraZ8

– Mishima falando: https://goo.gl/3O1Tja

– George Steiner falando: https://goo.gl/U4chvy

– Contos de fada são mais antigos do que se sabia: http://goo.gl/Kvg0LX

– Uma teoria original (e americana) sobre a desigualdade brasileira: http://goo.gl/U5iOGK

Fim de semana

Um filme – A grande aposta, Adam McKay.

Um documentário – Best of enemies, Robert Gordon e Morgan Neville.

Outro – Eu sou Carlos Imperial, Ricardo Calil e Renato Terra.

Um terceiro – A paixão de JL, Carlos Nader.

Um romance – A vida secreta do senhor de Musashi, Junichiro Tanizaki (Companhia das Letras, 218 págs.).

Um lagarto à espreita

Leonardo Padura em O Homem que amava os cachorros (Boitempo, 589 págs., tradução de Helena Pitta):

“Durante anos Stalin parecera-lhe tão insignificante que, por mais que esquadrinhasse a memória, nunca conseguira visualizá-lo naquele que deve ter sido o primeiro encontro entre os dois, em Londres, em 1907. Nessa altura ele era o Trotski que já tinha atrás de si a dramática participação na revolução de 1905, quando chegou a ser presidente do Soviete de Petrogrado: o orador e jornalista capaz de convencer Lenin, ou mesmo de enfrentá-lo, chamando-o de ditador incipiente, Robespierre russo. Era um revolucionário mundano, mimado e odiado, que deve ter olhado sem grande interesse para o georgiano que acabara de se juntar à emigração, inculto e sem história, com a pele do rosto marcada pela varíola. No entanto, conseguia se lembrar dele naquela coincidência fugaz em Viena, no decurso de 1913, quando alguém os apresentou formalmente, sem achar necessário dizer ao montanhês quem era Trotski, uma vez que nenhum revolucionário russo poderia deixar de conhecê-lo. Lembrava-se ainda que, nessa altura, Stalin apenas apertara a sua mão, voltando para a sua xícara de chá, como um animalzinho mal alimentado, que só conseguiria ficar na sua memória devido àquele olhar distante e amarelo, saído de uns olhos pequenos que, tal como os de um lagarto à espreita – foi esse o pormenor! –, não pestanejavam. Como não fora capaz de perceber que um homem com aquele olhar de réptil era um ser altamente perigoso?”

Fim de semana

Um romance – O homem que amava os cachorros, Leonardo Padura (Boitempo, 589 págs.).

Uma série – Horace and Pete, Louis CK.

Um filme – Cemitério do esplendor, Apichatpong Weerasethakul.

Um filme simpático – Ave, César, irmãos Coen.

Um disco – The wilderness, Explosions in the Sky.

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– Diário da queda está entre os 10 finalistas do Dublin International Literary Award. O resultado sai em junho. Mais infos aqui.

– Nesta segunda (4/4, 19h30), estarei no Sesc CPF (SP) conversando com Vivian Schesinger e os alunos do curso Clubes de Leitura: como formar e multiplicar.

– Na sexta (8/4, 19h), converso com Manuel da Costa Pinto sobre autoficção no Café Filosófico (Cultura CPFL, em Campinas).

– Na quarta seguinte (13/4, 20h), participo da Semana do Livro e da Leitura do SESC em Cuiabá, numa mesa com Carlos Henrique Schroeder.

Ausência

O blog volta em 2016.

Fim de semana

Um documentário – Joe Strummer, the future is unwritten, Julien Temple.

Um filme – Pasolini, Abel Ferrara.

Outro – Órfãos do Eldorado, Guilherme Coelho.

Uma reportagem – Megan Phelps-Roper e a deserção da Westboro Baptist Church (aqui).

Um livro – Brasil, uma biografia, Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa Starling (Companhia das Letras, 792 págs.).

Egopress

1) Nesta sexta, 13/11, às 19h, estarei numa das mesas do EMIL (1º Encontro Internacional de Criação Literária), na Livraria Cultura do Shopping Market Place, em São Paulo. Mais informações aqui.

2) Dia 28/11, às 16h30, participo de uma mesa na Bienal do Livro de Alagoas. Programação completa do evento aqui.

Fim de semana

Uma resenha – Karl Ove Knausgaard sobre Michel Houellebecq (aqui).

Um artigo/entrevista – James Hambling/Alan Levinovitz sobre comida x moral (aqui).

Um filme – The end of the tour, James Ponsoldt.

Um documentário médio de TV – Richard Pryor, Icon.

Uma montagem – Caesar, dir. Roberto Alvim.