Michel Laub

Mês: fevereiro, 2022

Fim de semana

Um filme – Licorice Pizza, Paul Thomas Anderson.

Um livro de contos – Visão Noturna, Tobias Carvalho (Todavia, 119 págs.).

Um podcast – 50 anos do Clube da Esquina (O Assunto).

Uma entrevista – Sérgio Miceli sobre Drummond e o Modernismo (Ilustríssima Conversa).

Uma entrevista sombria – Vladimir Putin a Oliver Stone (Nocaute).

Neblina em Varsóvia

Em Varsóvia há ruelas e avenidas de escala monumental. No bairro antigo veem-se pequenas casas reconstruídas depois da Segunda Guerra, e no centro prédios enormes posteriores à queda do comunismo. Recentemente a cidade viveu um florescimento hipster, o que em algumas regiões dá a ela um ar simpático de ironia sobre si mesma – por exemplo, num mercado farto de carnes, queijos e bebidas que mantém a decoração  dos tempos escassos da Cortina de Ferro.

Tudo parece dentro dos parâmetros europeus atuais, ao menos para quem passa alguns dias por ali – no meu caso, caminhando a esmo, indo a museus e frequentando bares entre os compromissos de um pequeno evento do pequeno mundo literário. Seria possível terminar o relatório da visita à Polônia com mais meia dúzia de impressões ligeiras, dando algum toque pessoal aos palpites sobre arquitetura, economia e costumes, mas algo estaria faltando – justamente o mais importante quando se fala de um país governado pelo extremismo do Século XXI.

Qual a paisagem do horror hoje em dia? Para um turista, não é algo semelhante ao que ditaduras do passado nos acostumaram a ver. Em Varsóvia não há policiamento ostensivo, e na fronteira da Polônia (eu vindo de trem de Berlim) não me foi pedido nem passaporte. Na capital de um país que foi invadido por nazistas e soviéticos, com uma história longa de cercos, bombardeios, levantes e pogroms, uma noite de inverno de 2021 parece festivamente acolhedora. Há torcedores com apitos e bandeiras nas calçadas – a seleção nacional enfrentava a Hungria pelas eliminatórias da Copa –, e é bom respirar o ar gelado caminhando em meio à neblina.

Trecho de texto publicado no Valor Econômico, 3-12-2021. Íntegra aqui.

Fim de semana

Uma releitura – Confissões de uma Máscara, Yukio Mishima (Companhia das Letras, 225 págs.).

Um filme – Drive My Car, Ryusuke Hamaguchi.

Um filme ok – Spencer, Pablo Larraín.

Uma exposição em São Paulo – Tunga.

Uma entrevista – Eddie Vedder no NYT (aqui).

Fim de semana

Um livro – As Raízes do Romantismo, Isaiah Berlin (Fósforo, 256 págs.).

Uma releitura – Pela Noite, Caio Fernando Abreu.

Um filme de 1978 – Tudo Bem, Arnaldo Jabor.

Um de 2009 – Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo, Karim Ainouz e Marcelo Gomes.

Um de 2005 – The Devil and Daniel Johnston, Jeff Feuerzeig.

Fim de semana

Um lugar em São Paulo – Museu Judaico.

Um filme – The Tragedy of Macbeth, Joel Coen.

Outro – Tick, Tick… Boom, Lin-Manuel Miranda.

Uma entrevista boa a partir da metade – Guilherme Arantes no B3.

Uma releitura – Como Vencer um Debate sem precisar ter Razão, Arthur Schopenhauer (Topbooks, 258 págs.).

Faulkner e Kendall Roy

Cada época tem seus clichês de estimação. Na nossa, um dos mais fortes é o elogio aos chamados personagens complexos. Para se opor ao maniqueísmo da Hollywood clássica ou das novelas brasileiras, por exemplo, tornou-se imperioso defender um modelo de caractere ficcional com defeitos e virtudes conflitantes, que cumpre arcos narrativos longos onde um gesto pode contradizer o outro à vontade, tudo para que ao final não caiamos na armadilha – o tabu que acompanha o clichê – de considerá-lo apenas “bom”, “mau” ou qualquer definição peremptória.

Início de texto sobre William Faulkner e a série Succession, publicado no Valor Econômico em 7-1-2022. Íntegra para assinantes aqui.

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