Michel Laub

Mês: maio, 2011

Chateaubriand e o pé do papa

Fernando Morais em Chatô, o rei do Brasil (Companhia das Letras, 736 págs.):

“Para Chateaubriand, o jornalismo que se fazia no Brasil era o pior exemplo daquilo que era condenado na Inglaterra:

‘Os jornais dão a impressão de folhas de couve escritas para verdureiros, estivadores, copeiros e malandros de morros. Perdemos um jogo de futebol na Europa. Coisa comezinha, ordinária entre homens de esporte. Aqui se imprimiram frases torpes, difamações abomináveis contra juízes, como se as associações internacionais de esportes (…) fossem constituídas de zelosos cidadãos do grupo equestre de Lampião.’

Sua insuperável idiossincrasia, porém, era contra o ponto de exclamação:

‘O ponto de exclamação se tornou, nos vespertinos e matutinos sensacionalistas cariocas, o ponto final obrigatório de qualquer manchete. Se um repórter quer dizer que chegou ao porto o Astúrias, ele escreve em manchete de oito colunas: ‘Chegou o Astúrias!’ Desce o presidente de Petrópolis a fim de presidir uma reunião do ministério. Fato ordinário da atividade administrativa do país. Logo os vespertinos anunciam: ‘No Rio o sr. Getúlio Vargas!’

O enorme e frágil telhado de vidro que os vespertinos Associados exibiam (…), no entanto, tirava autoridade de Chateaubriand para ditar regras de ética jornalística (…). Campeão das manchetes escandalosas que o patrão detestava, o Diário da Noite carioca superaria a si próprio quando se anunciou que o papa Pio XI estava acometido de gangrena em um dos pés, moléstia que acabaria por mata-lo meses depois. Carlos Eiras, o secretário do jornal, célebre pela capacidade de resumir uma notícia em um número cada vez menor de palavras, não teve dúvidas em lascar na primeira página (…), em oito colunas e letras garrafais (…), aquele que durante muitos anos seria considerado (…) um modelo de síntese e sensacionalismo: ‘PODRE O PÉ DO PAPA!’”

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Vídeo do dia

Via Santiago Nazarian:

Fim de semana

Uma alegria: a reabertura do Sabiá.

Um bar de cerveja: Sagarana, na Lapa.

Um livro ok: A mão morta, Paul Theroux (Alfaguara, 287 págs.).

Um filme ok: O homem ao lado, Mariano Cohn e Gastón Duprat.

Um disco: Plan your scape, Girls from Hawaii.

Ainda sobre escritores e crítica

(Publicado no blog da Companhia das Letras):

Martin Amis diz que um dos problemas da crítica literária é que seu instrumento de expressão, o texto, é o mesmo usado pelo objeto de análise, diferentemente do que acontece na música, no cinema, nas artes plásticas. A despeito de sua possível mágoa — compreensível num autor que há décadas apanha em resenhas —, a frase toca num ponto pouco lembrado da eterna guerra entre quem escreve e quem julga.

Na coluna passada, falei dos best sellers de crítica, livros que usam recursos específicos para adular certo leitor experimentado. É a velha piscada de olho, à qual a reação desse leitor se torna previsível. Dá para fazer um paralelo com quem ri de piadas anódinas numa transmissão de Oscar sem dublagem: um pouco para mostrar que conhece outra língua, um pouco por gratidão de estar entendendo. Quando James Joyce declarou que Ulysses tinha enigmas para “ocupar os professores por séculos”, já que essa era “a única forma de garantir a imortalidade”, talvez estivesse sendo mais calculista que irônico: porque o elogio a um livro pode ser, também, uma forma de celebrar a capacidade do crítico — de encontrar sentidos, de transmitir sua erudição, de confrontar visões diversas sobre um mesmo tema, de pensar e escrever bem no final das contas.

Seguindo esse raciocínio, imaginar um leitor ideal, que vai entender e/ou gostar disso ou daquilo, não deixa de ser uma concessão. Em alguns casos, uma variante de suborno estético. Por que escolhemos um nome alusivo para um personagem? Por que usar referências bíblicas, psicanalíticas, literárias e mitológicas em diálogos e cenas? Por que lançar mão de elementos que só contribuirão com o texto externamente, característica indissociável do best seller de crítica, se não for para alguém descobri-los e, sentindo-se orgulhoso de discorrer a respeito, confundir esse prazer narcisístico com a fruição autônoma da obra?

Em teoria, o verdadeiro artista faz sempre o contrário: diz o que precisa, e não o que vai agradar. Mas seria ingênuo tomar essa proposição de maneira pura. No nível mais básico e óbvio, produzimos para nós mesmos e somos nós — nosso crítico interno — que aprovamos a versão final de um texto. Que será enviada para um editor, a segunda instância julgadora, e dali para os leitores, a terceira. O resto são apenas graus maiores (ou mais vulgares) de negociação: quantas vezes não lemos entrevistas em que os autores, sem nenhuma cerimônia, explicam o próprio livro usando conceitos que tiraram de um artigo elogioso a ele? Ou será que, em vez de contar a história do Joãozinho que conhece a sua Maria no supermercado, ou do Zezinho que joga videogame e vê TV e come pizza fria todas as noites, alguém senta diante do computador querendo fazer um panorama-das-relações-amorosas-numa-sociedade-consumista, ou uma radiografia-da-solidão-do-indivíduo-entre-a-abundância-contemporânea-de-informação? O caminho inverso também é comum, e eu mesmo já fui tolo de responder a perguntas sobre meus defeitos — só para ver tais palavras aproveitadas, que surpresa, em resenhas negativas posteriores.

Voltando a Amis: quem sabe a linguagem, a base comum que serve a escritores e críticos, mesmo que em registros diversos, não seja mesmo um problema central nessa relação. O que se sente ao ouvir uma melodia, ou ao se ver uma imagem na tela, ou as cores de uma pintura, em boa medida independe do que outros tenham ou não dito a respeito. É uma emoção imediata, pré-verbal, impossível de ser reproduzida quando a essência do objeto de análise é, bem, verbal. No caso da leitura de um romance, as palavras externas muitas vezes se misturam com as internas, competindo para ver quem fala mais alto e melhor. Se o crítico usa uma metáfora boa para depreciar a metáfora ruim do escritor, automaticamente lhe damos razão. O mesmo vale em relação a outros atributos da obra, que são também atributos do texto que a avalia: prosa, inteligência, poder de observação, humor, carisma.

Por isso, embora seja sempre tentador rir e atirar pedras em quem dá vexame por causa de uma resenha implacável, convém não esquecer que esse também é um exercício crítico: na contramão do exemplo do parágrafo anterior, não é absurdo achar que alguém incapaz de escrever e pensar, em graus que vão do desinformado ao criminoso, não tem credenciais para avaliar a escrita e o pensamento de ninguém.

Deus e o diabo numa arcada dentária

Primeiro, a resposta possível para o Dr. Sussman em Um homem sério, dos irmãos Coen:

Depois, a pergunta impossível para Dustin Hoffman em Maratona da morte, de John Schlesinger:

Fim de semana

Um aparelhinho: Kindle.

Um relançamento: Amor sem fim, Ian McEwan (Companhia das Letras, 296 págs.).

Um almoço por R$ 20 na Capote Valente: Biondella.

Outro: o hippie quase ao lado do Biondella.

Um compositor e consultor (ref. Dids International): Evillips.

Uma fotógrafa: Naomi Harris (aqui).

Egopress

1) Nesta quinta, às 20h, converso com os alunos de letras e publicidade da Unifieo, em Osasco/SP. E no dia 29/5, 14h30, estarei numa das mesas no festival literário da Mantiqueira.

2) Diário da queda, que andou entrando em listas de mais vendidos (Livraria da Vila, Diário do Norteste), ganhou uma segunda tiragem. O segundo tempo, de 2006, também  esgotou a primeira edição neste mês.

Música do dia

Links

– ‘A dama do lotação’ no Fantástico, 1978, e entrevista com Nelson Rodrigues: http://bit.ly/iNKNT7

– Como escritores fizeram autopromoção ao longo da história: http://nyti.ms/kUSVk1

– Desenhos de autistas, via @ranchocarne: http://bit.ly/kn3Rtl

– Roberto Carlos discute com um padre: http://bit.ly/9pyfSd, via @doidivana

– Norman Mailer brigando com Gore Vidal e quem mais aparecer: http://bit.ly/kbRgb1

– Sistema solar + interatividade: http://www.solarsystemscope.com, via @dgdgd

– Lasers de telescópios no céu do Havaí: http://bit.ly/m0QSrq

– Joyce Carol Oates, Joan Didion e o luto, por Julian Barnes: http://tinyurl.com/4pleytu, via @lordass

– Monumentos abandonados na Iugoslávia: http://bit.ly/hGUf4l, via @carolbensimon

– 100 vistas da janela do avião: http://bzfd.it/g6N5cz, via @ricardolombardi

– Avião batendo de propósito num muro: http://n.pr/iGhbH9

Fim de semana

Um disco 21, Adele.

Um livro Em alguma parte alguma, Ferreira Gullar (José Olympio, 144 págs.).

Uma exposição Claudia Andujar no Centro da Cultura Judaica.

Uma cachaça Busca vida.

Um restaurante do dono da Busca Vida, na região de Bragança Cà de mezz amig.

O que um homem pensa ao ver uma mulher de topless

Martin Amis em A viúva Grávida (Companhia das Letras, 525 págs., tradução de Rubens Figueiredo):

“Scheherazade veio se decantando através dos três níveis do declive em patamares e agora se deslocava através de um conjunto formado por um caramanchão e uma estufa de plantas, enquanto se aproximava da água, descalça, mas em trajes de jogar tênis – saiote xadrez verde-claro e uma camiseta amarela. Com um rodopio, desfez-se da parte inferior da roupa (ele pensou numa maçã sendo descascada) e escapuliu de dentro da parte superior; e depois dobrou os cotovelos dos braços compridos para trás, como se fossem asas, e desafivelou a parte superior do biquíni (e lá se foi aquela parte – com um simples meneio do corpo, ela se foi), dizendo:

‘Outra coisa chata, isto aqui.’

Claro, aquilo também não era chato. Por outro lado, seria deploravelmente imaturo e burguês (e caído) dar o menor sinal de estar prestando atenção ao que agora estava exposto; portanto Keith tinha a difícil tarefa de olhar para Lily (de roupão folgado, sandálias de dedo e ainda na sombra), enquanto simultaneamente comungava com uma imagem que estava destinada, a partir de agora, a permanecer no mais solitário ermo de sua visão periférica. Depois de trinta segundos, mais ou menos, para sossegar os nervos em seu pescoço meio tolhido, Keith olhava para o alto e para longe – para as encostas douradas do maciço, que ecoavam o azul-claro. Lily bocejou e disse:

‘E qual é a outra coisa chata?’

‘Bem, eu acabo de ser informada…’

‘Não, eu quero saber qual é a outra coisa chata.”

Lily estava olhando para Scheherazade. Então Keith fez isso também… E esta foi a ideia, esta foi a pergunta que eles despertaram em Keith, eles, os peitos de Scheherazade (as circunferências geminadas, adjacentes, permutáveis): Onde está a polícia? Onde é que estava a polícia? Era uma pergunta que ele se fazia muitas vezes naqueles tempos incertos. Onde é que eles estavam, a polícia?”

Enrique Vila-Matas

Trechos de entrevista que fiz para a revista Bravo, 2005, com o autor de Bartleby e companhia e O mal de montano:

Obra – Meus textos são híbridos. Não os vejo exatamente como livros independentes um do outro, até me custa pensá-los como livros. São mais como peças de um tapete ou puzzle que vou armando pouco a pouco. Peças diferentes, me obrigo a isso, mas que vão dar em um oceano de um mesmo desenho.

Influências As equivocadas. Gombrowicz, por exemplo. Eu acreditava que era um escritor excêntrico como ele, mas nem sequer o havia lido. Assim comecei a escrever: acreditando que estava influenciado por esse autor polonês. No dia em que, por fim, li algumas linhas suas, já havia publicado quatro livros e tinha um estilo próprio que em nada se parecia com o de Gombrowicz.

Conceito de literatura nacional – Não acredito, vejo como algo provinciano e do século 19. Acredito nas individualidades.

Autores preferidos – Dentre os narradores singulares e vivos, destacaria John Banville, Sergio Pitol, Philip Roth, Don DeLillo, Jean Echenoz, Daniele Del Giudice, Antonio Tabucchi, António Lobo Antunes, Julian Barnes, Coetzee, Paul Auster…

Otimismo/pessimismo – Me fascinam Beckett e seu tremendo pessimismo. Toda a sua obra, diz Martin Amis, poderia ser resumida assim: “Não, nunca, nunca”. Mas há uma literatura muito diferente que, acredito, me apaixona ainda mais (…). Às vezes há grandeza no simples fato de sentar com uma mulher durante o verão. E é esse o ponto que eu discutiria com Beckett, já que sua desolação é, algumas vezes, demasiado cômoda: tudo é terrível, tudo vai de mal a pior, e não é verdade.

Política – Não se deve proibir ninguém de fazer, mas, na minha opinião, a literatura é autônoma.

Espaço da ficção hoje – Algo parecido com o pequeno espaço que há anos a poesia vem ocupando em relação à narrativa em geral. Um espaço seleto.

Poesia – Sou um leitor apaixonado de poesia. Ela me tranquiliza, porque aí não tenho competidores nem colegas. Mas de vez em quando, em meus últimos livros, encontro algum espaço para praticar certa prosa poética. Para escrevê-la, necessito de que haja música em casa. Van Morrison, Chico Buarque, The Pretenders, Mozart, Satie.

Pecados da literatura Só me preocupam os meus, e não penso em dizê-los aqui. Calo enquanto acendo um cigarro imaginário, já que não fumo.

Fim de semana

Uma exposição no MaspOlhar e ser visto, retratos.

Outra exposição no MaspRomantismo.

Um japonês caro e bom – Hama Tyo, na Pedroso de Moraes.

Um telefilmeA musa impassível, Marcela Lordy.

Um ensaio – Martin Amis sobre Christopher Hitchens (aqui).

Um livro de Ernesto SabatoO túnel (Companhia das Letras, 152 págs.).

Sobre vergonha

Trecho das memórias de Persio Arida publicadas na Piauí (texto completo aqui):

“A vergonha é um mistério. Quando criança, via pessoas humildes ficarem de pé na sala de visitas da casa dos meus pais, intimidadas com os tapetes persas, os Gallés e óleos. Não ousavam sentar-se, como se suas calças e saias pudessem macular o tecido dos sofás. Tinham vergonha de serem pobres. Pensava que elas sentiam vergonha naquela sala da mesma forma que eu me envergonharia de fazer xixi na calça.

Pois eu, aos 18 anos, longe de ser criança, tinha novamente vergonha. Não era vergonha por ter sido de esquerda, nem por ter sido preso, nem por ter tido meu nome no jornal tachado de terrorista. Não era vergonha por ter feito algo de errado ou por ter conseguido sair da prisão quando tantos lá permaneciam (…). Demorei muito para entender esse sentimento. Havia a lembrança desagradável da tortura – da dor em si, certamente, mas sobretudo do meu papel ali, implorando clemência ao torturador, mendigando um aparelho de asma (…). Os rostos da repressão mudavam o tempo todo – quem me prendeu não foi quem me interrogou; quem saía comigo para os encontros fictícios não era quem me interrogava; quem me transportou ao Rio não me torturou; dos rostos dos torturadores minha santa memória apagou boa parte das imagens; e no Dops novas faces surgiam o tempo todo, faces burocráticas, investigadores de plantão, escrivães, guardadores de celas. Eu não poderia vingar-me de um sistema, toda vingança é pessoal e aquele era um jogo que eu tinha perdido.

Mas aquele sentimento ia além da memória da humilhação em momentos difíceis e da impossibilidade de zerar o marcador em alguma contabilidade oculta da psique. No fundo, sentia-me constrangido por não ter sido capaz de cuidar bem de mim. Envergonhado feito o barrigudo que ostenta na sua pança um testemunho público da sua incapacidade de cuidar da sua saúde. Mas com um agravante: o barrigudo se envergonha do resultado da gula, mas come com prazer. Minha vergonha era mais próxima àquela do estuprado, a vergonha por não ter sido capaz de se proteger da maldade do mundo.

Quando disse a meu pai que ele estava com leucemia, tinha sobrevida prevista de um a cinco anos, seu rosto ficou corado instantaneamente, como se tivesse sido pego em flagrante ao fazer algo errado. Ficou em silêncio por alguns minutos, ruborizado. Tinha 59 anos. Não me perguntou por que nem duvidou do diagnóstico. Disse apenas, Persio, só vou lhe pedir uma coisa. Jure por tudo o que há de mais sagrado que você não vai contar isso para ninguém. Absolutamente ninguém. Fica entre nós dois e o médico.

Meu pai não teve raiva do mundo nem lamentou a velhice feliz que poderia ter tido. Não culpou a genética, um vírus maligno ou os efeitos cancerígenos dos corantes. Ficou apenas com vergonha, vexado como se tivesse sido ele o responsável pela leucemia. Não queria que ninguém soubesse para não ter que aguentar o falatório e os olhares de piedade e comiseração. Olhares que o acusavam do crime de não ter cuidado bem de si mesmo.

A notícia virou de ponta-cabeça a ideia que até então tinha tido de sua vida. Naqueles minutos de silêncio, achou que ficou com câncer porque se amargurou, porque não teve o sucesso que deveria ter tido, porque represou suas emoções, porque se deu uma vida infeliz – porque, enfim, não soube cuidar de si mesmo. Sua alma estava envergonhada, e vergonha era tudo o que sentia. A notícia do câncer veio carregada de significado. Frustrações e amarguras há muito esquecidas adquiriram relevo extraordinário, e momentos felizes do passado perderam o brilho. O câncer era mais do que uma doença séria – era um atestado dos maus-tratos, das torturas a que havia submetido sua alma, uma espécie de punição tardia de um deus vingador.

Passou-se algo similar comigo depois da prisão. Eu havia escolhido o caminho que me levara à tortura por decisão própria. Não soubera medir as consequências de meus atos; a quem culpar pelas consequências a não ser a mim mesmo? Para muitos, a militância revolucionária havia sido um momento heroico, algo engrandecedor que lhes renderia dividendos o resto da vida, um motivo de orgulho por ter contribuído para um futuro melhor para o país, um atestado de seu altruísmo cívico. Eu não me sentia assim. Para mim, tinha sido algo errado do começo ao fim, e não havia quem culpar pela encrenca na qual havia me metido, a não ser eu mesmo.

Tal como vítimas de câncer, também reinventei minha vida a partir do trauma. Por que não havia desistido da luta revolucionária a tempo? Pelo mesmo motivo pelo qual não conseguira terminar um namoro mesmo quando não gostava mais da namorada. Minha alma dirigia um táxi que ia a qualquer destino que o passageiro pedisse, menos ao meu. E eu ainda por cima aceitava como pagamento apenas o elogio de ser um motorista confiável e pontual.”