Michel Laub

Categoria: Outros

Fim de semana + quarentena (33)

Um documentário – Narciso em férias, Ricardo Calil e Renato Terra.

Um filme – Estou pensando em acabar com tudo, Charlie Kaufman.

Uma página de poesia – Arcas de Babel (aqui)

Uma série de imagens – Quem te fala é uma morta, Juliana Bernardino (aqui).

Um video – Pedro França sobre gifs (aqui).

Fim de semana + quarentena (32)

Uma reprise – O Sétimo Selo, Bergman.

Outra – The Mosquito Coast, Peter Weir.

Uma releitura – Eichmann em Jerusalém, Hannah Arendt (Companhia das Letras, 336 págs.).

Um artigo – Os truques dos romances de ideias, por Sianne Ngai (aqui).

Outro – Como o sensacionalismo influenciou a religião, por Fabio Marton (aqui).

Fim de semana + quarentena (31)

Uma história – Israel x Emirados Árabes no The Daily.

Um artigo – Henry Kissinger por Thomas Meaney (aqui).

Um doc a favor – Axé, Chico Kertész.

Um disco de 2018 – Record, Tracey Thorn.

Uma nova edição – Herdando uma Biblioteca, Miguel Sanches Neto (Ateliê, 192 págs.).

‘Por que você está chorando?’

Toda vez que surge um tabu na arte, surge também uma transgressão. Sempre penso nisso quando ouço críticos implicando com o uso do off (ou do voice over) no cinema. Segundo a teoria, a voz acima ou fora da cena é uma espécie de muleta, um atalho vulgar para roteiristas/diretores que deveriam preferir a sofisticação dos recursos visuais – ou então a dramaturgia das falas dos atores, que só funcionaria acompanhada pela expressividade dos seus gestos.

Uma das minhas graphic novels preferidas, Fun Home, da americana Alison Bechdel (Todavia, 234 págs, tradução de André Conti), pode ser lida como uma resposta a esse clichê. A trama, sobre a relação tumultuada da autora com o pai e a própria sexualidade, é dividida entre os desenhos e longas e frequentes legendas externas aos balões de diálogo, o que no universo dos quadrinhos equivaleria ao off/voice over de um filme.

Bechdel sabe, no entanto, que a questão não é o uso do recurso xis ou ípsilon em si. Uma legenda pode ser apenas reiteração ou oferecer ao leitor uma nova camada de sentido. Em Fun Home há uma variação constante entre gravidade e leveza, muitas vezes na mesma cena. Quando o desenho flagra a banalidade do cotidiano, por exemplo, o texto a colore com citações de alta literatura. Quando o texto descreve momentos trágicos, o traço sugere uma ironia carinhosa em cima de personagens doces.

Fun Home é uma das referências que me vieram à cabeça ao ler Bezimena, de Nina Bunjevac (Zarabatana, 224 págs., tradução de Claudio R. Martini). À semelhança do livro de Bechdel, a história parte de um componente biográfico sombrio, exposto pela autora num posfácio. Em 1988, aos 15 anos, na cidade sérvia de Aleksinac, durante a ascensão do nacionalismo que desaguaria na Guerra da Bósnia (1992-1995), ela sofreu uma tentativa de estupro com a conivência (ou o auxílio ativo) de uma colega de escola.

Trecho de texto publicado no Valor Econômico, 21/8/2020. Íntegra aqui.

Fim de semana + quarentena (30)

Um perfil – Lorenzo Mammì por Rafael Cariello, na Piauí.

Um podcast – Agora, agora e mais agora, no Público.

Um vídeo – Lygia Clark por vários artistas (aqui).

Uma reprise de 2016 – Hypernormalisation, Adam Curtis (aqui).

Um livro de 1994 – Afirma Pereira, Antonio Tabucchi (Cosac Naify, 160 págs.).

Fim de semana + quarentena (29)

Um livro – A Fonte da Autoestima, Toni Morrison (Companhia das Letras, 456 págs.).

Um podcast – James Baldwin no Open Source.

Uma série de fotos – A infância de J.M. Coetzee (aqui).

Uma entrevista – Emicida (aqui).

Outra – Deise Ventura sobre Bolsonaro e genocídio (aqui).

Fim de semana + quarentena (28)

Uma antologia – Poesia +, Edimilson de Almeida Ferreira (Ed 34, 382 págs.).

Um artigo – Trótski no meio das árvores (aqui).

Uma reprise – Arca Russa, Alexandr Sokurov.

Uma conversa sobre Internet – Fernanda Bruno e Sergio Amadeu no Tecnopolítica.

Outra – Vera Magalhães, Patrícia Campos Melo, Marlos Ápyus e Pablo Ortellado (aqui)

Fim de semana + quarentena (27)

Um romance – Dept. of Speculation, Jenny Offill (Knopf, 192 págs.).

Uma reprise – O Apocalipse de um Cineasta, Eleanor Coppola.

Um vídeo de 1995 – Why I Never Became a Dancer, Tracey Emin (aqui).

Uma conversa de 2016 – Nick Pileggi, Irwin Winkler and Edward McDonald sobre Goodfellas (aqui).

Um debate – Caetano Galindo e Antônio Xerxenesky sobre Ulisses (aqui).

Fim de semana + quarentena (26)

Uma entrevista – Thomas Chatterton Williams sobre cultura do cancelamento (aqui).

Um disco – Folklore, Taylor Swift.

Uma série documental – Em Nome de Deus.

Uma série documental ok – Nova York contra a Máfia.

Um festival online – Penguin 10 anos.

Fim de semana + quarentena (25)

Um romance – Torto Arado, Itamar Vieira Júnior (Todavia, 264 págs.).

Um podcast – Romance Versus Realism, TLS.

Uma trilha de 1974 – Space is the Place, Sun Ra.

Um artigo – Anne Applebaum sobre homofobia nas eleições polonesas (aqui).

Um documentário médio – Mapplethorpe: Look at the pictures, Fenton Bailey e Randy Barbato.

Fim de semana + quarentena (24)

Uma série – Jeffrey Epstein: Filthy Rich.

Um filme – Mapplethorpe, Ondi Timoner.

Um documentário – Andy Irons: Kissed by God, Steve Jones e Todd Jones.

Uma palestra – Jorge Coli sobre pintura e realismo no Brasil (aqui).

Uma graphic novel – Bezimena, Nina Bunjevac (Zarabatana, 224 págs.).

Fim de semana + quarentena (23)

Um perfil de 2019 – Alan Dershowitz por Connie Bruck (aqui)

Um ensaio fotográfico – Glastonbury por Martin Parr (aqui).

Um livrinho – As Leis Fundamentais da Estupidez Humana, Carlo Cipolla (Planeta, 96 págs.)

Um curta – Luis Humberto: o Olhar Possível, Mariana Costa e Rafael Lobo.

Um documentário – Nomad, Werner Herzog.

Cem dias entre os tubarões e o tédio

Numa entrevista ao podcast da revista Quatro Cinco Um, que foi ao ar em abril, Amyr Klink relata a Paulo Werneck um experimento que fez durante a quarentena: tentar simular em terra a atmosfera que viveu ao cruzar o Oceano Atlântico a remo, em 1984. Com o velho barco da travessia pendurado numa estrutura geodésica no quintal de casa, em Paraty, o navegador achou que seria divertido lembrar por uma noite do balanço físico e da sensação de confinamento naquela “célula habitável” de 88 cm de altura, menos de um metro de largura e 2,20m de comprimento na qual dormiu, comeu e trabalhou por cem dias.

“Quase fiquei louco lá dentro”, diz Amyr, que desceu do barco em menos de seis horas. Não por claustrofobia ou solidão, problemas que ele evidentemente não tem, e sim pela angústia de estar “parado”, conceito familiar a todos os que atravessamos esses também cem dias em que o mundo deixou de ter novidades – ou, pior, nos sufoca com um excesso de notícias trágicas cujo conjunto causa um efeito de anestesia, ou então uma ansiedade tão difusa que não encontramos chão para enfrentá-la.

Na travessia de 1984, ao contrário, os eventos que se sucederam – tempestades, perrengues com equipamentos, sprays de baleia, arco-íris de lua – apontavam para um sentido narrativo no tempo e no espaço. “É mais fácil enfrentar tubarões do que o tédio?”, pergunta Werneck. A resposta do entrevistado, que lidou bem com as aflições psicológicas durante o percurso, não deixa dúvida: “Eu sentia que estava construindo uma obra, indo para algum lugar, e essa sensação é muito gratificante”.

Início de texto publicado no Valor Econômico, 26/6/2020. Íntegra aqui.

Fim de semana + quarentena (22)

Uma entrevista – Angela Davis sobre os protestos nos EUA (aqui).

Um texto – Mark Bray sobre antifascismo e história (aqui).

Uma série – Olhos que Condenam.

Uma reprise – Malcolm X, Spike Lee.

Um documentário – Geraldinos, Renato Martins e Pedro Asbeg (aqui).

 

Fim de semana + quarentena (21)

Um documentário – Bully, Coward, Victim, Ivi Meerpol.

Uma entrevista – Ivi Meerpol sobre Roy Cohn (aqui).

Um texto – Michael Ignatieff sobre Raphael Lemkin e o genocídio (aqui).

Um disco – Consummation, Katie Von Schleicher.

Um audiolivro – Cem Dias entre o Céu e o Mar, Amyr Klink.

Fim de semana + quarentena (20)

Um livro – Falso Espelho, Jia Tolentino (Todavia, 368 págs.).

Um artigo – Paulo Pachá e Thiago Krause sobre a derrubada de estátuas (aqui).

Um filmete – Sul do Brasil, 1942 (aqui).

Um documentário sobre Black Alien – Mr. Niteroi, Ton Gadioli (aqui).

Uma entrevista sobre Renato Russo – Carlos Trilha (aqui).

Fim de semana + quarentena (19)

Uma entrevista – Deborah Danovski sobre o fim do mundo (aqui).

Outra – Silvio Almeida sobre racismo (aqui).

Um podcast – Baldwin x Faulkner, no History of Literature.

Outro – Frantz Fanon, no History of Ideas.

Um romance – As Sobras de Ontem, Marcelo Vicintin (Companhia das Letras, 214 págs.).

Fim de semana + quarentena (18)

Um ensaio de 1977 – Why look at Animals?, John Berger.

Uma reportagem – A CNN brasileira, por Fabio Victor (aqui)

Uma performance – Flaming Lips (aqui).

Um documentário sobre música – Whitney, Kevin McDonald.

Uma série sobre cinema – Five Came Back.

Vida x obra, de novo

Volto a Nelson Rodrigues para refazer a antiga pergunta sobre como lidar com artistas ambivalentes, cuja obra confirma, reflete ou desmente uma atitude política e moral condenável na vida civil. É um assunto em voga no Brasil há alguns anos, com a tendência de se tornar incontornável à medida que o governo atual escancara – se alguém ainda não havia percebido – sua natureza anti-humana.

O projeto da barbárie brasileira foi e vem sendo apoiado por artistas de todo tipo, dos conhecidos (Regina Duarte) aos obscuros (Theo Becker), dos que tiveram relevância em sua área em algum período (Roger Moreira, Roberto Alvim) aos eternos candidatos a algo mais que a nulidade (Marcio Garcia, Mario Frias). Como o futuro julgará os atos políticos de todos eles me parece claro, se ainda restar alguma decência entre nós. Como julgará seus legados como atores, músicos, diretores teatrais e assim por diante é outra história.

Trecho de texto publicado no Valor Econômico, 29/5/2020. Íntegra aqui.

Fim de semana + quarentena (17)

Uma coletânea – As Ideias Fora do Lugar, Roberto Schwarz (Penguin, 152 págs.).

Uma entrevista – Paulo Henriques Britto sobre Elizabeth Bishop (aqui).

Um documentário – Quincy, Rashida Jones e Alan Hicks.

Outro – Sabotage: o maestro do Canão, Ivan 13P (aqui).

Uma série de fotos – SP na pandemia, por Karime Xavier (aqui).

Fim de semana + quarentena (16)

Uma entrevista – David Arrigucci sobre Manuel Bandeira e a morte (aqui).

Um ensaio – Dara Horn sobre Auschwitz e metáforas (aqui).

Um ensaio visual – Fotos pré-corona (aqui).

Uma série – The Looming Tower.

Uma releitura – O Anjo Pornográfico, Ruy Castro (Companhia das letras, 458 págs.).

Fim de semana + quarentena (15)

Um ensaio – Adam Tooze sobre a memória errada da Segunda Guerra (aqui).

Outro – Heloisa Starling sobre Hannah Arendt (aqui).

Um minidoc – Berlim, 1959 (aqui).

Uma série de 2016 – Fleabag.

Um podcast – Noites Gregas, Claudio Moreno.

Fim de semana + quarentena (14)

Um podcast – Sidney Chalhoub sobre epidemias e exclusão (aqui).

Um texto – Gabrielle Hamilton sobre o fechamento de seu restaurante em NY (aqui).

Uma segunda temporada – After Life.

Um filme – Bad Education, Cory Finley.

Um filme de 1996 – City Hall, Harold Becker.

Fim de semana + quarentena (13)

Um texto – Kim Stanley Robinson sobre o corona e o futuro (aqui).

Outro – Nuno Ramos sobre o corona e a raiva (aqui).

Um romance – O que ela sussurra, Noemi Jaffe (Companhia das Letras, 160 págs.).

Um doc com umas cenas – Neville d’Almeida, Mario Abbade.

Um doc em 3 partes – Aldir Blanc, dois para cá, dois para lá (aqui).

Fim de semana + quarentena (12)

Um artigo – Os experimentos psicológicos e o corona (aqui).

Um vídeo – A publicidade e o corona (aqui).

Um doc cortado – Novos Baianos, 1973 (aqui)

Uma memória – Braulio Tavares sobre Moraes Moreira (aqui).

Uma live sobre e sob o cajado de Deus – Baby Consuelo (aqui).

Fim de semana + quarentena (11)

Um disco – Fetch The Bolt Cutters, Fiona Apple.

Um ensaio – A Imaginação Pornográfica, Susan Sontag.

Um artigo – Os 150 anos do Metropolitan (aqui).

Um filme – Good Time, irmãos Safdie.

Outro – Tangerine, Sean Baker.

Fim de semana + quarentena (10)

Um artigo – Simon Schama sobre pandemia e história (aqui).

Uma resposta – Nick Cave sobre pandemia e arte (aqui)

Uma exposição – Filmes caseiros no Moma (aqui)

Uma série bem-intencionada – Nada Ortodoxa, Maria Schrader.

Um disco – The New Abnormal, Strokes.

Fim de semana + quarentena (9)

Uma entrevista – Ricardo Abramovay sobre o corona e o futuro (aqui).

Outra – Heloísa Starling sobre a gripe espanhola em BH (aqui).

Um livro difícil – Tortura, Henri Alleg (Todavia, 80 págs.).

Um documentário meio difícil – Honeyland, Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov.

Um disco – Gorecki Symphony number 3, Lisa Gerrard.

Fim de semana + quarentena (8)

Um ensaio visual – Fotógrafos durante a quarentena (aqui).

Uma releitura – A Menina sem Estrela, Nelson Rodrigues (Companhia das Letras, 280 págs.).

Um vídeo – O mundo de Nelson Rodrigues (aqui).

Um filme para ver em partes – Satantango, Béla Tarr.

Um documentário – Santiago, Itália, Nanni Moretti.

Fim de semana + quarentena (7)

Um texto – Rob Horning sobre as imagens do corona (aqui).

Outro – Marina Silva sobre sarampo e corona (aqui).

Um filme sobre um mundo novo – Stalker, Andrei Tarkovski.

Um doc sobre um mundo antigo – Uma Outra Cidade, Ugo Giorgetti (aqui).

Um podcast – Eliane Robert Moraes sobre arte e censura (aqui).