Michel Laub

Categoria: Outros

Fim de semana + quarentena (7)

Um texto – Rob Horning sobre as imagens do corona (aqui).

Outro – Marina Silva sobre sarampo e corona (aqui).

Um filme sobre um mundo novo – Stalker, Andrei Tarkovski.

Um doc sobre um mundo antigo – Uma Outra Cidade, Ugo Giorgetti (aqui).

Um podcast – Eliane Robert Moraes sobre arte e censura (aqui).

Fim de semana + quarentena (6)

Uma reprise – Gandhi, Richard Attenborough.

Outra – O Reverso da fortuna, Barbet Schroeder.

Uma música – Murder Most Foul, Bob Dylan.

Uma série sobre animais – Tiger King, Rebecca Chaiklin e Eric Goode.

Um texto sobre sobreviventes – Duas mulheres, a Gripe Espanhola e o Holocausto (aqui).

Fim de semana + quarentena (5)

Uma entrevista – Atila Iamarino sobre a pandemia (aqui)

Um artigo – Amanda Hess sobre celebridades e a pandemia (aqui)

Um romance – Esboço, Rachel Cusk (Todavia, 192 págs.).

Uma palestra – Sergio Augusto de Andrade sobre arte e erotismo (aqui).

Uma conversa antiga dando uns descontos – Jorge Mautner e Julio Bressane (aqui).

Fim de semana + quarentena (4)

Um artigo – Como a pandemia pode terminar, por Ed Young (aqui)

Outro – As epidemias e a história brasileira, por Ian Read (aqui).

Uma releitura – Aids e suas Metáforas, Susan Sontag (Companhia das Letras, 112 págs.).

Um documentário sobre Miles Davis – The Birth of Cool, Stanley Nelson.

Um (médio) sobre Lil Peep – Everybody’s Everything, Sebastian Jones e Ramez Silyan.

Fim de semana + quarentena (3)

Um ensaio fotográfico – Cidades vazias, New York Times (aqui).

Um curso rápido e grátis – Nietzsche por Maria Lúcia Cacciola (app Casa do Saber).

Um disco de 2019 – All About Eve, PJ Harvey.

Um filme de 2019 – 1917, Sam Mendes.

Um de 1993 – And the Band Played On, Roger Spottiswoode.

Fim de semana + quarentena (2)

Uma entrevista – Richard J. Evans sobre doenças e cultura (aqui).

Outra – Raull Santiago sobre o coronavírus nas favelas (aqui).

Um filme inevitável – Contágio, Steven Soderbergh.

Um livro sobre mais ou menos esse tema – Dez Drogas, Thomas Hager (Todavia, 336 págs.)

Uma releitura idem – Morte em Veneza/Tonio Kröger, Thomas Mann (Nova Fronteira, 162 págs.).

Pobreza, wi-fi, água limpa

Numa das boas cenas de Fome de Poder (2016), filme de resto médio sobre a trajetória do empresário americano Ray Crock (Michael Keaton), o protagonista sintetiza o conceito que faria sua então pequena rede de lanchonetes se tornar um império tão culturalmente simbólico quanto a Ford e a Disney: “McDonald’s é família”. Folheando Dignity, livro de textos e fotos de Chris Arnade (Sentinel, 288 págs.), é difícil não pensar no quanto a frase tem de profético, a partir de sua ambiguidade involuntária, em relação ao modo como se vive hoje nos Estados Unidos.

Arnade percorreu bairros degradados de cidades como Nova York, Bakersfield (Califórnia) e Gary (Indiana) para documentar o dia-a-dia de viciados, prostitutas, gente que foi para a pobreza por variados motivos pessoais e públicos, da mudança estrutural do mercado de trabalho à crise dos opióides. Boa parte das entrevistas ocorreu, justamente, no McDonald’s. O local que Crock imaginou como uma espécie de templo do otimismo do pós-guerra, onde a classe média celebraria os valores do consumo e da eficiência como motores de prosperidade e inclusão, no Século XXI virou cenário de outro tipo de acolhimento: trata-se de um dos poucos espaços públicos americanos que não se constrange em abraçar quem ficou para trás no rali capitalista.

Ao preço de uma das comidas mais baratas do país, é ali que relatos sobre abandono, abuso e crime convergem para um arremedo de vida comunitária. No estacionamento há carros com os pertences de quem não consegue mais pagar o aluguel. Cada loja oferece wi fi grátis, aquecimento, mesas onde grupos de desempregados passam horas conversando. Mães dão banho nos filhos usando a água limpa nos banheiros. À diferença de albergues e instalações religiosas ou bancadas por governos, ninguém incomoda os frequentadores com normas e discursos morais.

Arnade trabalhou duas décadas no Citibank, em Wall Street, e sua própria história de mobilidade expõe os requisitos para quem quer sentar no que ele chama de “primeira fila” da sociedade: um lar estruturado, uma educação de alto nível, a inteligência emocional para fazer escolhas certas durante os anos de aprendizado que o tiraram de San Antonio, pequena cidade operária da Flórida, para o sucesso num dos setores mais competitivos da economia. A partir de 2011, no entanto, e na esteira do que viu acontecer ao seu redor depois da quebradeira de 2008, um desconforto pessoal e ideológico o fez entrar em contato com a realidade do “fundão”.

Trecho de texto publicado no Valor Econômico, 6/3/2020. Íntegra aqui.

Fim de semana

Um filme – Uma Vida Oculta, Terrence Malick.

Um documentário – Miss Americana, Lana Wilson.

Um disco estranho – Mummer Love, Patti Smith.

Uma entrevista de 1989 – Décio Pignatari (aqui).

Um livro – Uma História da Tatuagem no Brasil, Silvana Jeha (Veneta, 354 págs.).

Fim de semana

Um perfil – Jeff Bezos por Franklin Foer na Piauí.

Um artigo – O recomeço de Louis C.K. por Hilton Hals (aqui).

Um filme hollywoodiano meio bobo – Jojo Rabbit, Taika Waititi.

Um podcast – Gilberto Nascimento sobre Edir Macedo (aqui).

Um livro – Dignity, Chris Arnade (Sentinel, 288 págs.).

Fim de semana

Um filme de 2015 – O Filho de Saul, Lásló Nemes.

Um documentário – Carta Para Além dos Muros, André Canto.

Uma trilha sonora – Joker, Hildur Guðnadóttir.

Uma montagem – Elizabeth Costello, Leonardo Ventura/Lavínia Pannuzio.

Um livro de poemas – O Tempo Adiado, Inbeborg Bachman (Todavia, 208 págs.).

Fim de semana

Um livro – As Pequenas Virtudes, Natalia Guinzburg (Companhia das Letras, 124 págs.).

Um livro de poesia – Mil Sóis, Primo Levi (Todavia, 160 págs.).

Um filme – Joias Raras, irmãos Safdie.

Um documentário – A Mulher com Cinco Elefantes, Vadim Jendreyko.

Uma entrevista – Roger Machado a Bob Fernandes (aqui).

Fim de semana

Um livro – Sonhos no Terceiro Reich, Charlotte Beradt (Três Estrelas, 182 págs.).

Um artigo – O cristianismo e o inferno, por David Bentley Hart (aqui).

Outro – Arte e estilo tardio, por Max Norman (aqui).

Uma série ruim – Don’t Fuck With Cats.

Um disco – Caetano & Ivan Sacerdote.

Fim de semana

Uma série – A Segunda Guerra em Cores.

Um documentário – Mystify, Richard Lowenstein.

Um filme dando um desconto – Dois Papas, Fernando Meirelles.

Um texto – Jia Tolentino sobre Instagram e clínicas estéticas (aqui).

Um texto de 1996 – Modesto Carone sobre Thomas Bernhard (aqui).

Fim de semana

Um ensaio – Susan Sontag por A.O. Scott (aqui).

Outro – Ansiedade e remédios por Sasha Frere-Jones (aqui).

Um documentário – Bikram, Eva Orner.

Uma mostra pequena/derivada – William Blake, Casa das Rosas.

Um disco – MTV Unpluged, Courtney Barnett.

Fim de semana

Um romance – A Ordem do Dia, Éric Vuillard (Tusquets, 142 págs.).

Um artigo – Charlotte Beradt e os sonhos durante o nazismo (aqui.).

Outro – Daniel Galera sobre animais e crueldade (aqui).

Um filme – Parasita, Bong Joon-Ho.

Um vídeo – Bastidores de Os Bons Companheiros (aqui).

Fim de semana

Um filme – O Irlandês, Martin Scorsese.

Um filme médio de 1988 – Tucker, Francis Ford Coppola.

Um documentário – Fyre Festival, Chris Smith.

Uma série – Euphoria.

Um livro – Os Vendedores de Cigarro da Praça Três Cruzes, Joseph Zieman (Três Estrelas, 210 págs.).

Sonhos, imaginação, futuro

Qual a função de um sonho? Para chefes militares do passado, podia ser escolher estratégias de batalha. Para Kekulé, foi visualizar a estrutura do benzeno. Para Elias Howe, perceber que uma pequena mudança no uso da agulha permitiria inventar a máquina de costura. Para Paul McCartney, ouvir pela primeira vez os acordes de Yesterday.

Em O Oráculo da Noite (Companhia das Letras, 459 págs.), Sidarta Ribeiro conta essas e outras histórias dentro de uma grande história científica e cultural do que acontece quando estamos de olhos fechados, esse “modo de consciência off-line” que estaria na origem – por exemplo – da criação dos deuses e da religião.

Escrito por um dos cientistas brasileiros de maior prestígio hoje, trata-se de um apanhado longo e erudito que passa por diferentes épocas e culturas, dos primeiros mamíferos aos ocidentais pós-neurociência, dos sumérios, egípcios e babilônios aos ciborgues da era da informática, usando a experiência pessoal na pesquisa de ponta e ferramentas de áreas como biologia, antropologia, psicanálise e literatura.

O oráculo do título tem pouco de esotérico. Sidarta relaciona mecanismos de fixação e reestruturação da memória – que ocorrem em fases diferentes do sono – com aspectos importantes de nossa evolução como espécie. Enredos oníricos, remetam eles a episódios que ocorreram de fato ou a sentidos que parecem incoerentes, funcionariam como simulações preparatórias para situações que enfrentaremos acordados. Ou seja, uma mistura de consolidação do conhecimento e, se o sonho certo conseguir ser interpretado do modo certo, profecia que interfere no futuro.

Trecho de texto publicado no Valor Econômico, 8/11/2019, sobre os livros O Oráculo da Noite, de Sidarta Ribeiro, e Sapiens, de Yuval Noah Harari. Íntegra aqui.

Fim de semana

Uma exposição no IMS – Harun Farocki.

Outra – Susan Meiselas.

Um filme – Divertida Mente, Pete Docter.

Uma remontagem – Os Sete Afluentes do Rio Ota, Monique Gardenberg.

Um romance – A Morte e o Meteoro, Joca Reiners Terron (Todavia, 120 págs.).

Fim de semana

Um livro – O Oráculo da Noite, Sidarta Ribeiro (Companhia das Letras, 460 págs.).

Um filme – Meu Nome é Dolemite, Craig Brewer.

Um filme ok – A Lavanderia, Steven Soderbergh.

Uma exposição – Cildo Meirelles, Sesc Pompeia.

Um disco – Ode to Joy, Wilco.

O máximo possível

Nos anos 1950, em São Paulo, numa das muitas jogadas para a torcida que seriam típicas de sua trajetória, o então prefeito Jânio Quadros considerou prioritário ressuscitar uma norma infame dos anos 1930: a que exigia de atores e atrizes uma certa carteira da Segurança Pública, emitida por autoridades para registrar e controlar prostitutas e outros tipos considerados perigosos.

Uma das profissionais que usaram o documento foi Fernanda Montenegro. O que torna a história ainda mais bizarra: nas memórias recém-lançadas da atriz (Prólogo, Ato, Epílogo, Companhia das Letras, 342 págs., em colaboração com Marta Góes), poucas coisas são tão louvadas quanto o sentimento comunitário, familiar, e sua consequente ética do trabalho.

Neta de imigrantes portugueses e italianos muito pobres, filha de um operário técnico especializado e uma dona de casa, Fernanda saiu dos subúrbios do Rio para o estrelato no teatro, no cinema e na TV sem jamais desmentir – na postura pública ou, atestam os que a conhecem, na privada – as bases dessa ética: “Sou pragmática, faço o que tiver que fazer (…). Se o resultado for bom, ótimo, se não for, segue a vida.”

A pertinência do livro começa por aí. Em cada linha se dissolve a ideia filistina, e tão típica de nossa época, de artistas como figuras preguiçosas penduradas em mamatas de governo, esteticismos tolos ou conspirações ideológicas/pervertidas. Em algum momento dos últimos anos a arte, de maneira torta, voltou a ser relevante nessa guerra cultural regressiva – com batalhas envolvendo nudez em museus, beijo gay em gibis e outros espantalhos.

Trecho inicial de texto publicado no Valor Econômico, 25/10/2019. Íntegra aqui.

Fim de semana

Um disco – All Mirrors, Angel Olsen.

Um vídeo – Nando Reis sobre seus violões (aqui).

Um filme – A vida Invisível, Karim Ainouz.

Um filme de 2017 – First Reformed, Paul Schrader.

Um ensaio – Zadie Smith e uma defesa da ficção (aqui).

Fim de semana

Um filme – Joker, Todd Philips.

Outro – Midsommar, Ari Aster.

Um disco – Two Hands, Big Thief.

Um livro – Prólogo, Ato, Epílogo, Fernanda Montenegro (Companhia das Letras, 342 págs.).

Uma série – Sintonia.

Fim de semana

Um disco – Ghosteen, Nick Cave.

Outro – Lúcio Maia.

Um artigo – George Packer sobre Roy Cohn e Trump (aqui)

Um vídeo antigo – Roy Cohn x Gore Vidal (aqui)

Um podcast – Thom Yorke sobre música numa ilha deserta (aqui).

Fim de semana

Uma exposição – Alfons Mucha, Fiesp.

Um disco – Free, Iggy Pop.

Um espetáculo bem Zé Celso – Roda Viva.

Um livrinho – A Doença e o Tempo, Eduardo Jardim (Bazar do Tempo, 80 págs.).

Um documentário longo – Frank Sinatra, All or Nothing at All.

Fim de semana

Um artigo – a autobiografia de Prince (aqui).

Uma conversa – Sidarta Ribeiro e Bruno Torturra (aqui)

Um disco pop – Norman Fucking Rockwell, Lana Del Rey.

Uma edição – Francisco Alvim, 80 anos (Quelônio, 30 págs.).

Um romance – Meu Ano de Descanso e Relaxamento, Otessa Moshfegh (Todavia, 240 págs.).

Fim de semana

Um filme – Era uma Vez em Hollywood, Quentin Tarantino.

Um filme com questões – Bacurau, Kleber Mendonça e Juliano Dornelles.

Uma exposição no MAR/Rio – Rosana Paulino.

Outra – O Rio dos Navegantes.

Um livro – Cancún, Miguel Del Castillo (Companhia das Letras, 168 págs.).

Fim de semana

Uma exposição – Mulheres no Masp.

Um filme médio – Hotel Mumbai, Anthony Maras.

Uma série – Bandidos na TV.

Uma reportagem – Marie Declercq sobre os incels brasileiros (aqui).

Um romance – Marrom e Amarelo, Paulo Scott (Alfaguara, 158 págs.).

Fim de semana

Um filme – Dor e Glória, Pedro Almodóvar.

Um documentário – George Harrison: Living in the Material World, Martin Scorsese.

Uma série – Years and Years.

Uma entrevista – Henrique Vieira e a tolerância evangélica (aqui).

Um disco – High Highs to Low Lows, Lolo Zouaï.

Liberalismo, tempo e espaço

Ivan Krastev e Stephen Holmes, na Piauí, sobre a escalada do autoritarismo no leste europeu:

“Um dos problemas cruciais do comunismo era o fato de seu ideal ser uma sociedade que jamais existira e que ninguém tinha certeza de que, algum dia, viria a existir. Um dos problemas centrais das revoluções ocidentalizantes, por sua vez, é que o modelo que almejam imitar está em constante transformação. A utopia socialista pode ter sido algo inalcançável, mas ao menos ela possuía uma reconfortante imutabilidade. A democracia liberal ocidental, ao contrário, tem se mostrado mutante e mutável ao extremo. Como a normalidade ocidental é definida não por um ideal, e sim por uma realidade existente, cada mudança nas sociedades ocidentais produz uma nova imagem do que seja normal. Assim como as empresas de tecnologia insistem em que compremos seu modelo mais novo e tornam difícil a confiança no anterior, o Ocidente insistiu em que o único modelo político pós-nacional europeu que valia a pena era o mais recente.

O efeito perturbador de uma “normalidade” fugidia e cambiante pode ser mais bem ilustrado pelo modo como europeus do Leste reagiram às normas culturais em constante mutação nas sociedades ocidentais ao longo das últimas duas décadas. Aos olhos dos poloneses conservadores da época da Guerra Fria, as sociedades ocidentais eram normais porque, ao contrário do que ocorria nos sistemas comunistas, valorizavam a tradição e acreditavam em Deus. Então, de repente, descobriram que a ‘normalidade’ ocidental hoje significa secularismo, multiculturalismo e casamento gay. Será motivo de surpresa que os poloneses e seus vizinhos tenham se sentido ‘enganados’ quando descobriram que a sociedade que queriam imitar tinha desaparecido, levada pela correnteza veloz da modernização?

Se, imediatamente após os acontecimentos de 1989, a ‘normalidade’ era entendida em termos políticos (eleições livres, separação dos poderes, propriedade privada e direito de ir e vir), ao longo da última década passou a ser cada vez mais interpretada em termos culturais. Como consequência disso, a Europa do Leste está se tornando mais desconfiadas das normas, agora ofensivas, provenientes do Ocidente. Ironicamente (…), está começando a se ver como o último bastião dos valores genuinamente europeus.

Com o intuito de reconciliar a ideia do ‘normal’ (no sentido daquilo que é disseminado) com o que é norma obrigatória nos países que almejam imitar, os europeus orientais começaram a, consciente ou inconscientemente, ‘normalizar’ os países que tomam como modelo, argumentando que o que é disseminado no Leste prevalece também no Oeste, embora os ocidentais, hipócritas, finjam que suas sociedades são diferentes. Com frequência, os europeus orientais atenuam sua dissonância normativa – entre, digamos, pagar suborno para sobreviver no Leste e combater a corrupção para serem aceitos pelo Ocidente – concluindo que o Ocidente, na verdade, é tão corrupto quanto o Leste, só que os ocidentais simplesmente se recusam a admiti-lo, escondendo a verdade.

Jamais se pensou numa revolução liberal da normalidade como um salto no tempo – de um passado sombrio rumo a um futuro radiante. Em vez disso, a revolução era imaginada como um movimento através do espaço físico, como se todo o Leste Europeu fosse ser transferido para a Europa Ocidental, antes conhecida apenas de fotografias e filmes. Analogias explícitas foram traçadas entre a Reunificação da Alemanha, após a queda do Muro de Berlim, e a ideia de uma Europa unificada. No começo da década de 90, muitos europeus orientais de fato ardiam de inveja dos alemães orientais, incrivelmente sortudos. Da noite para o dia, haviam passado coletivamente para o Ocidente e, por milagre, acordado com passaportes alemães ocidentais nas mãos e com as carteiras cheias (pensavam alguns) de marcos ocidentais nos bolsos. Se a revolução de 1989 era uma migração regional rumo ao Ocidente, então a questão central era saber que países do Leste Europeu chegariam primeiro a seu destino comum.”

Fim de semana

Um depoimento – Arthur Nestrovski sobre João Gilberto (aqui).

Uma exposição no IMS – Sergio Larrain

Outra – Letizia Battaglia.

Uma reportagem – O racismo nas conversas de Reagan e Nixon (aqui).

Um romance – Serotonina, Michel Houellebecq (Alfaguara, 240 págs.).