Michel Laub

Categoria: Cinema

Um judeu vê filmes nazistas

Em suas memórias sobre a Fatwa, decreto religioso que o condenou à morte por ter escrito um romance supostamente blasfemo contra o Islã, Salman Rushdie chamou os dez anos em que precisou viver escondido de “batalha entre a mente literal e a mente irônica”. É uma boa definição: o contrário das certezas do fanatismo seria um recurso cuja essência – dizer algo diferente do que parece estar sendo dito – é um convite à nuance, à dúvida que faz avançarem inteligência e sensibilidade.

Seria tentador usar esse exemplo para ridicularizar quem se indignou com a programação recente de instituições culturais no país – evangélicos, um ex-ator pornô e Senhoras de Santana disfarçadas de liberais. Afinal, ver estímulo à pedofilia num quadro que traz a frase “criança viada” (Santander Cultural/Porto Alegre), ou um ato sexual numa menina acompanhada da mãe que toca o braço de um homem nu cercado de outras pessoas num museu (MAM/SP), entre tantos outros exemplos, é só entender as coisas por um valor de face adaptado à estupidez do observador.

Mais interessante, porém, é levar o caso a sério em seus próprios termos. Um dos subtextos dos protestos reafirma uma verdade que andava esquecida: a de que algumas das batalhas centrais na determinação da mentalidade de uma época estão, sim, no campo simbólico da representação estética. Se a arte voltou a ser perigosa, é porque voltou a ser relevante.

Trecho inicial de texto que publiquei na Folha de S.Paulo, 19/11/2017. Íntegra aqui.

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Fim de semana

Um filme – Borg Vs McEnroe, Janus Metz Pedersen.

Outro – Gabriel e a Montanha, Fellipe Barbosa.

Um livro – O Palácio da Memória, Nate DiMeo (Todavia, 253 págs.).

Outro – A Glória e seu Cortejo de Horrores, Fernanda Torres (Companhia das Letras, 216 págs.).

Um texto – Marcel Cohen sobre coincidências na Piauí.

Fim de semana

Um artigo – Hermano Vianna sobre inteligência artificial (aqui).

Outro – Joan Acocella sobre Lutero (aqui).

Um filme – Churchill, Jonathan Teplitzky.

Um filme ok – O Formidável, Michel Hazanavicius.

Um livro – A vítima tem sempre razão?, Francisco Bosco (Todavia, 208 págs.).

Fim de semana

Um livro – Imunidade, Eula Biss (Todavia, 206 págs.).

Uma exposição de madrugada – The Clock, IMS.

Um filme ok – Blade Runner 2049.

Um filme melhor – Blade Runner 1.

Um disco – Campos Neutrais, Vitor Ramil.

Fim de semana

Um disco – Hiss Spun, Chelsea Wolfe.

Um documentário – Oasis: Supersonic, Mat Whitecross.

Um filme de 1981 – The Decline of Western Civilization (1), Penelope Spheeris.

Um filme pretensioso – Mãe!, Darren Aronofsky.

Um prédio – IMS Paulista.

Fim de semana

Um livro – Sobre Gatos, Doris Lessing (Autêntica, 192 págs.).

Um ensaio – Antonio Engelke sobre identitarismo, na Piauí.

Um vídeo – Rock Grande do Sul 30 anos depois (aqui).

Um filme médio – Norman, Joseph Cedar.

Um filme ruim – O Círculo, James Ponsoldt.

Fim de semana

Um romance – O Vendido, Paul Beatty (Todavia, 320 págs.).

Um ensaio de provocação – Teoria King Kong, Virginie Despentes (N-1 Edições, 128 págs.).

Um filme simpático – O Filme da Minha Vida, Selton Mello.

Outro – The Invention of Lying, Ricky Gervais.

Um artigo – Fake news na época da invenção do rádio (aqui).

Fim de semana

Um filme – Bingo, o Rei das Manhãs, Daniel Rezende.

Um filme pretensioso – De Canção em Canção, Terrence Malick.

Um livro – As Perguntas, Antonio Xerxenesky (Companhia das Letras, 184 págs.).

Um projeto – Sesc 24 de maio.

Um depoimento – Ruy Castro sobre alcoolismo (aqui).

Fim de semana

Uma HQ – Aqui, Richard McGuire (Companhia das Letras, 304 págs.).

Uma peça – Marte, você está aí?, Silvia Gomez.

Um filme – O Apartamento, Asghar Farhadi.

Outro – Afterimage, Andzrej Wajda.

Um vídeo – Charlottesville na Vice/HBO (aqui).

Fim de semana

Um filme – Wizard of Lies, Barry Levinnson.

Outro – Dunkirk, Christopher Nolan.

Uma exposição no Masp – Toulouse Lautrec.

Outra (com vidros que refletem) – Miguel Rio Branco.

Um obituário – Maria Emilia Bender sobre Elvira Vigna na Piauí.

Fim de semana

Um documentário – Metallica: Some Kind of Monster, Joe Berlinger e Bruce Sinofsky.

Um filme ruim – O Contador, Gavin O’Connor.

Uma série de culinária – Anthony Bourdain.

Uma peça – Jó ou a Tortura pelos Amigos, Fabrice Hadjaj (É Realizações, 80 págs.).

Uma releitura – O Instante Contínuo, Geoff Dyer (Companhia das Letras, 304 págs.).

Fim de semana

Uma série – Hip Hop Evolution.

Uma série ruim sobre o mesmo tema – The Get Down.

Um documentário – American Anarchist, Charlie Siskel.

Outro – Janis: Little Girl Blue, Amy Berg

Uma coletânea – Extras e gravações alternativas de Vauxhal and I, de Morrissey (aqui).

Fim de semana

Um disco – No Home of the Mind, Bing and Ruth.

Um filme simpático – Paterson, Jim Jarmusch.

Outro – O Cidadão Ilustre, Mariano Cohn e Gastón Duprat.

Uma série de depoimentos – Como a Guerra dos Seis Dias mudou a religião (aqui).

Uma série de fotos – Nazistas nos EUA, anos 30 (aqui).

Fim de semana

Uma releitura – Luz em Agosto, William Faulkner (Cosac Naify, 440 págs.).

Outra – William Faulkner na Paris Review (aqui).

Um artigo – JM Coetzee e a religião (aqui).

Um filme – David Brent: Life on The Road, Ricky Gervais.

Uma nova temporada – Twin Peaks.

Fim de semana

Um documentário – Testemunha 4, Marcelo Grabowsky.

Outro – Laerte-se, Lygia Barbosa da Silva e Eliane Brum.

Um livro simpático – Romancista Como Vocação, Haruki Murakami (Alfaguara, 166 págs.).

Uma série ruim, mas boa – Designated Survivor.

Uma ruim e ruim – Billions

Fim de semana

Um livro – Manual da Faxineira, Lucia Berlin (Companhia das Letras, 536 págs.).

Um livro meio datado – A Segunda Profissão Mais Antiga do Mundo, Paulo Francis (Três Estrelas, 408 págs.).

Uma exposição datada – Yoko Ono no Tomie Ohtake.

Um disco – Slowdive, Slowdive.

Um filme médio – Stefan Zweig: Adeus à Europa, Maria Schrader.

Fim de semana

Um romance – Noite Dentro da Noite, Joca Reiners Terron (Companhia das Letras, 464 págs.).

Um perfil – Thomas Pynchon por Natália Portinari na Piauí.

Um artigo – Albert Speer Jr. e a Copa do Catar (aqui).

Uma exposição em SP – A Gentil Carioca Jaqueline Martins.

Um filme – Animais Noturnos, Tom Ford.

Uma animação – Anomalisa, Charlie Kaufman.

Fim de semana

Um disco – Stereoscope, Christina Vantzou.

Um filme – Vermelho Russo, Charly Braun.

Um filme médio – The Founder, John Lee Hancock.

Um livro – A Idade Viril, Michel Leiris (Cosac Naify, 208 págs.).

Um ensaio – Ben Lerner sobre poesia na Serrote.

Fim de semana

Um filme – Toni Erdmann, Maren Ade.

Outro – Miss Sloane, John Madden.

Um documentário – Era o Hotel Cambridge, Eliane Caffé.

Uma série média – OJ.

Outra – 13 Reasons Why.

Um livro – Meu Menino Vadio, Luiz Fernando Vianna (Intrínseca, 208 págs.).

Fim de semana

Um livro – Sapiens, Yoval Noah Harari (L&PM, 521 págs.).

Outro – Mulheres, Raça e Classe, Angela Davis (Boitempo, 244 págs.).

Um filme – Negação, Mick Jackson.

Outro – Hell or High Water, David Mackenzie.

Um documentário – I’m Not Your Negro, Raoul Peck.

Um disco – Goldberg Variations, Beatrice Rana.

Fim de semana

Um livro – Um Amor Feliz, Wislawa Szymborska (Companhia das Letras, 327 págs.).

Uma edição – Os Meninos da Rua Paulo, Ferenc Molnár (Cosac Naify, 262 págs.).

Outra – Berenice Corta o Cabelo, Scott Fitzgerald (Lote 42, 96 págs.).

Um artigo – Ariel Levy sobre o ayahuasca na New Yorker (aqui).

Um filme – O Silêncio do Céu, Marco Dutra.

Fim de semana

Um livro – A ascensão do romance, Ian Watt (Companhia de Bolso, 352 págs.).

Um disco – Schmilco, Wilco.

Um filme – Café Society, Woody Allen.

Uma adaptação fraca – Breves entrevistas com homens hediondos, John Krasinski.

Um documentário triste – Weiner, Josh Kriegman e Elyse Steinberg.

Fim de semana

Um filme – Francofonia, Alexandr Sokúrov.

Outro – Moon, Duncan Jones.

Um disco – Skeleton Tree, Nick Cave.

Um discurso – Lionel Shriver sobre apropriação cultural (aqui).

Um romance – Meia-Noite e Vinte, Daniel Galera (Companhia das Letras, 208 págs.).

Fim de semana

Um livro – Simpatia pelo Demônio, Bernardo Carvalho (Companhia das Letras, 236 págs.).

Outro – Como se Estivéssemos em Palimpsestos de Putas, Elvira Vigna (Companhia das Letras, 212 págs.).

Um disco – My Woman, Angel Olsen.

Um filme com uns poréns – Greenberg, Noah Baumbach.

Outro – Aquarius, Kleber Mendonça Filho.

Fim de semana

Um artigo – Zadie Smith sobre o Brexit (aqui).

Uma reportagem – Angels in America, 25 anos depois (aqui).

Uma série de fotos – A Síria antes e depois da guerra (aqui).

Um filme divertido – Elvis & Nixon, Liza Johnson.

Outro – Four Lions, Christopher Morris .

Fim de semana

Um romance – O Encontro Marcado, Fernando Sabino (Record, 365 págs.).

Um filme para ver de novo – Michael Clayton, Tony Gilroy.

Um artigo – Matéria x consciência para homens e objetos (aqui)

Um perfil – Nan Goldin, 30 anos depois (aqui).

Um ensaio – Marcos Nobre e a volta do Brasil aos anos 80 (aqui).

Fim de semana

Um disco – A Moon Shaped Pool, Radiohead.

Um filme – Viagem para a Itália, Michael Winterbotton.

Um filme ok – Midnight Special, Jeff Nichols.

Um documentário – Lucian Freud no seu ateliê (aqui).

Uma reportagem – Hollywood perdendo as novas gerações (aqui).

Fim de semana

Uma entrevista – James Joyce, 1929/1930 (aqui).

Um disco – Good Morning, My Love, Jesu & Sun Kill Moon.

Um filme de estreia – Aspirantes, Ives Rosenfeld.

Um livro de estreia – Sobre Pessoas Normais, Marcela Dantés (Patuá, 126 págs.)

Uma HQ – Pílulas Azuis, Frederik Peeters (Nemo, 206 págs.).

Fim de semana

Um filme – A Bruxa, Robert Eggers.

Outro – Boi Neon, Gabriel Mascaro.

Um artigo – Siddartha Mukherjee sobre esquizofrenia (aqui).

Outro – As guerras culturais nas universidades americanas (aqui).

Um livro – Entre Aspas 2, Fernando Eichenberg (L&PM, 480 págs.).

Fim de semana

Uma série – The Jinx.

Um filme argentino – O Décimo Homem, Daniel Burman.

Um filme argentino/espanhol – Truman, Cesc Gay.

Um disco de 2014 – Bad Debt, Hiss Golden Messenger.

Um livro – Depois a Louca sou Eu, Tati Bernardi (Companhia das Letras, 140 págs.).