Michel Laub

Mês: junho, 2022

Fim de semana

Um vídeo – A China e a vigilância (aqui).

Uma entrevista – Rodrigo Nunes e a esquerda (aqui).

Um depoimento – Aranha e o racismo (Piauí).

Um livro – O Corpo Crítico, Jean-Claude Bernardet (Companhia das Letras, 128 págs.).

Um filme bom, mas chato – Pleasure, Ninja Thyberg.

O furacão que tudo contém

Como explicar a tragédia política brasileira a partir da estética? A pergunta acompanha quem lê o clássico As Raízes do Romantismo, do filósofo anglo-russo Isaiah Berlin (1909-1997), que acaba de sair em nova edição pela Fósforo (246 págs., tradução de Isa Mara Lando). Baseado em palestras dadas em 1965, em Washington, o livro descreve uma “doutrina ardente, fanática, meio insana” que, em alguns aspectos, e ao menos na projeção imediata de quem lê, dialoga com o noticiário de 2022.

Berlin pena ao buscar uma definição do romantismo, a “maior mudança já ocorrida na consciência do Ocidente”. Afinal, esse movimento cujas origens remontam à Alemanha do século 18, um território isolado e ainda devastado pela derrota na Guerra dos 30 anos (1618-1638), é múltiplo e contraditório. Nele convivem a saúde e a doença, o misterioso e o familiar, o caos das revoluções e a dissolução pacífica no “eterno espírito que tudo contém”, entre dezenas de opostos listados.

Em determinado ponto, contudo, há uma tentativa de síntese. O que unira a fragmentação romântica nas artes, na moral, no pensamento e na ação política seria a vontade de “romper a natureza do que é dado”, aplicada a um alvo específico: a tradição racionalista ocidental, então encarnada pelo Iluminismo, com sua ideia de que a história anda rumo ao progresso, de que a vida é um quebra-cabeças cujas peças o método científico/analítico há de encaixar.

Início de texto publicado no Valor Econômico, 22/4/2022. Íntegra aqui.

Fim de semana

Um filme – Ilusões Perdidas, Xavier Giannoli.

Um podcast – Discoteca Básica.

Um texto – Juliana Cunha sobre Paul Simon (aqui).

Outro – Thomas Meaney sobre Lea Ypi e a Albânia (aqui).

Um livro de 2007 – 20 Poemas para o seu Walkman, Marília Garcia (Sete Letras. 90 págs.)

A célula idiota

“Não é difícil perceber o momento em que uma localidade começa a agir como célula idiota”, diz a escritora e ativista Jane Jacobs em seu Morte e Vida de Grandes Cidades (Martins Fontes, 510 págs., tradução de Carlos S. Mendes Rocha). A tendência de um morador da Zona Oeste de São Paulo é relacionar a metáfora, ligada a organismos cancerígenos produzindo incessantemente “material de que não necessitam”, com aquilo que vê todos os dias.

Nos últimos anos, por distorções na regulação e aplicação do bom Plano Diretor de 2014, lugares como Pinheiros, Pompeia e Vila Madalena dão razão a esse pessimismo. O que no jargão do texto oficial se chama adensamento, ou a ideia justa de que áreas próximas a transporte e emprego sejam ocupadas por mais pessoas, com prédios altos nos arredores de avenidas e preservação do miolo dos bairros, na prática está virando uma paisagem do mercado imobiliário.

Publicado no Valor Econômico, 10/6/2022. Íntegra aqui.

Fim de semana

Uma exposição – Bispo do Rosário, Itaú Cultural.

Um evento – Feira do Livro, Pacaembu.

Um livro – Só Nós, Claudia Rankine (Todavia, 352 págs.).

Outro – Engenheiro Fantasma, Fabricio Corsaletti (Companhia das Letras, 128 págs.).

Um documentário – Cinema Novo, Eryk Rocha.

Fim de semana

Um depoimento – Brizola sobre golpes e história (aqui).

Uma coletânea de ensaios – Situando Jane Jacobs (Annablume, 320 págs.).

Um documentário – Hitler, uma Carreira, Joachim Fest e Christian Herrendoerfer.

Um filme médio sobre Lyndon B. Johnson – LBJ, Rob Reiner.

Outro – Bastidores da Guerra, John Frankenheimer.

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