Michel Laub

Mês: abril, 2013

Fazer 40 anos é

– Tentar não confundir minha decadência com a decadência do mundo.

– Não achar que o pessimismo é moralmente superior ao otimismo.

– Ter uma ideia razoável do que não vai me matar. Todo o resto, incluindo o vasto reino das doenças, é uma possibilidade fascinante.

Texto publicado na Folha de S.Paulo em 26/4. Íntegra aqui.

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Fim de semana

Uma edição – Toda poesia, Paulo Leminski (Companhia das Letras, 424 págs.).

Uma nova edição – Notícias do planalto, Mario Sergio Conti (Companhia das Letras, 528 págs.).

Uma mostra na Caixa/Sé – Mário Gruber, gravuras.

Outra – Mário de Andrade, fotos.

Um bar – Balsa.

Links

– Sobre sono e insônia: http://goo.gl/jKlL8

– Sobre imprensa hoje (http://goo.gl/XL24W) e os malefícios do noticiário (http://goo.gl/45s5S)

– Christopher Hitchens e Margaret Thatcher: http://goo.gl/z34UL

– Luís Henrique Pellanda e um dia com Coetzee em Curitiba: http://goo.gl/AAsZc

– A geração touch-screen: http://goo.gl/NbR20

– Uma toalha encharcada no espaço: http://goo.gl/958TY

– Entrevista com Charles Cosac: http://goo.gl/ChpeB

– Quando Hitler, Trotsky, Tito, Stalin e Freud moraram pertinho: http://goo.gl/KASuH

– Luiz Fernando Vianna sobre ter um filho autista: http://goo.gl/wj8HG

– Documentários sobre música brasileira: http://goo.gl/WIjst

– Um passeio pelas ruínas do Orkut: http://goo.gl/nTkO9

– A evolução das cidades americanas: http://goo.gl/HPU5Y

– ‘Deficientes tecnológicos’ e ‘hackercracia’: http://goo.gl/BZGeY

– Myanmar, com destaque para a roda gigante (21’02) e o trem (37’15): http://goo.gl/UnAVA

– Até quando leitores aguentam livros dentro de livros: http://goo.gl/1qJu5, via @sergiotodoprosa

– Ian McEwan: como recuperar a fé na ficção antes de iniciar um romance. http://goo.gl/WO8JS

– Uri Geller desmentido por James Randi: http://goo.gl/m2AI + http://goo.gl/ENvXP

– Prédios novos e urbanismo em Porto Alegre, por @carolbensimon: http://goo.gl/4pqf8

– Vivendo com menos, por @alexandrerodrig: http://goo.gl/cyHyb

– Pesquisa sobre emoções na literatura (estatística: pior critério): http://goo.gl/c13ej

– Matéria do NYT (outra) sobre SP, noite etc.: http://goo.gl/ixkWU

Fim de semana

Uma mostra de cinema – David Lynch.

Uma livraria de rua em Santos – Realejo.

Uma biografia – Mais pesado que o céu, Charles R.Cross (Globo, 450 págs.).

Um livro de perfis/entrevistas – Cobain dos editores da Rolling Stone (Spring, 147 págs.).

Uma banda simpática – Brad.

Resposta ao apocalipse

Faça o teste: digite o nome de qualquer hit brasileiro dos anos 1980 no YouTube. Entre os comentários, 99% de chance de alguém ver ali os vestígios de uma era de ouro. A nostalgia inclui Rádio Táxi, Dr. Silvana, até o ursinho Blau-Blau, e pode ser resumida nas palavras do internauta Xreynato: “A mídia só dá valor para essas porqueiras de hoje”.

Texto publicado na Folha de SP em 15/2/2013. Íntegra aqui.

Motivos para viajar (ou não)

Millôr Fernandes dizia que um homem pode admitir qualquer fraqueza, inclusive as de cunho sexual, mas jamais se declara um mau motorista. Algo semelhante acontece nesta época do ano, em meio à praga confessional de esperança e tristeza relativa à passagem do tempo: quantas pessoas falam publicamente que não gostam de viajar?

Texto publicado na Folha de SP em 21/12/2012. Íntegra aqui.

Fim de semana

Um documentário – Elena, Petra Costa.

Outro – Philip Roth – sem complexos, William Karel.

Um livro de poesia – A arte das armadilhas, Ana Martins Marques (Companhia das Letras, 88 págs.).

Um profissional de TI – Kambeba.

Um prato no Issa além do Okonomiyaki – macarrão sarraceno torrado.

Egopress

1) Terça que vem, 16/4, 20h, participo de um encontro na programação das Tarrafadas, em Santos. http://goo.gl/vbiY5

2) Saíram algumas resenhas/entrevistas das edições do Diário da queda em Portugal e Espanha: Público, por Isabel Coutinho; Expresso, por José Mario Silva; Time Out/Lisboa, Por Ana Dias Ferreira; Agência EFE/Madri (http://goo.gl/iNtbk),  Diário de Avila; Diario Vasco; Faro de Vigo/ La Opinión de A Coruña/ La opinión de Tenerife/ La nueva España de Oviedo, por Ricardo Menéndez Salmón; blog da Mondadori, por Maria Mecromina (http://goo.gl/TAupg). Quando tiver mais links disso, colo aqui.

Ingmar Bergman, uma infância

Trechos de Lanterna mágica, autobiografia do cineasta e diretor de teatro sueco (Cosac Naify, 319 págs., tradução de Marion Xavier):

“Para o meu irmão, as coisas eram muito piores. Muitas vezes minha mãe sentava-se ao seu lado na cama e punha compressas em suas costas, onde a ripa fizera soltar a pele e o marcara com lanhos e sangue. Como eu odiava meu irmão e tinha medo de seus ímpetos de loucura, encontrava grande satisfação no fato de ele ser castigado tão duramente.”

“Confiando no silêncio de meu vizinho de carteira na escola, que se chamava Nisse, contei que meus pais haviam me vendido para o Circo Schumann (…). No dia seguinte, minha fábula estava na boca de todos (…). A professora achou o assunto tão sério que escreveu uma carta a minha mãe (…). Fui colocado contra a parede, humilhado, foi um escândalo (…). Vinguei-me do meu ex-amigo perseguindo-o ao redor do pátio da escola com a faca de escoteiro do meu irmão. Quando uma professora se atirou entre nós dois, eu tentei mata-la. Recebi uma suspensão da escola e apanhei muito em casa. Mais tarde, o meu falso amigo contraiu paralisia infantil e morreu, o que me alegrou muito.”

“Nasce minha irmã, eu tenho quatro anos (…). O demônio do ciúme cravou suas garras em meu coração; estou furioso, choro, faço cocô no chão e me lambuzo todo. Meu irmão mais velho e eu, habitualmente inimigos mortais, celebramos a paz e planejamos diferentes maneiras de matar o repugnante animal (…). Numa tarde silenciosa, penso estar sozinho no apartamento e me esgueiro para o quarto de meus pais, onde aquele ser está dormindo no seu berço cor-de-rosa. Puxo uma cadeira, fico de pé nela e vejo o rosto inchado e a boca cheia de baba. Meu irmão tinha me dado instruções exatas sobre como deveria executar o ato. Mas entendo mal. Em vez de apertar a garganta da minha irmã, tento pressionar o seu peito. Ela acorda imediatamente com um grito lancinante; tapo sua boca com a mão, os olhos aguados e azuis se retorcem e se fixam em mim, dou um passo a frente para me firmar, perco o equilíbrio e caio no chão.”

“No verão de 1984, meu irmão (…) estava com 69 anos, aposentado como cônsul-geral. Tinha lutado incansavelmente para manter seu posto, apesar de uma severa paralisia. Naquela ocasião, podia mexer somente a cabeça, respirava com dificuldade e a fala era quase incompreensível (…). Ele recordava muito mais que eu: falou de seu ódio ao nosso pai e sua forte ligação com nossa mãe. Eles continuavam sendo, para ele, os pais da infância, seres míticos, caprichosos, incompreensíveis e superdimensionados. Deparamos com caminhos muito fechados e restou-nos olhar um para o outro, espantados: dois senhores envelhecidos, saídos do mesmo ventre e distanciados irremediavelmente um do outro. Nossa antipatia recíproca se extinguira, mas deu lugar ao vazio. Não havia nenhum contato, nenhuma solidariedade. Meu irmão desejava a morte, mas ao mesmo tempo tinha medo dela (…). Mencionou também que não era possível cometer suicídio porque as mãos estavam imóveis.”

“Algumas vezes pensei em minha irmã com uma pitada de remorso. Ela começou a escrever em segredo. Ninguém podia saber o que criava. Finalmente, resolveu-se e me deixou ler. Eu mesmo estava inseguro. Fora de bom grado aceito como diretor promissor, porém era uma negação como autor. Escrevia mal, com maneirismos e sob influência de Hjalmar Bergman e Strindberg. Encontrei, então, em minha irmã, o mesmo estilo forçado e afetado e assassinei sua tentativa, sem pensar que era a única chance de se expressar. Segundo ela mesma, parou de escrever. Se para me castigar, castigar-se a si própria ou por falta de coragem, não sei.”

Fim de semana

Um ensaio – Notes on camp, Susan Sontag.

Outro – Sermão do mandato, Padre Vieira.

Um filme difícil – A caça, Thomas Vinterberg.

Um show para talvez ir – The Cure.

Uma exposição – Ai Meiwei, MIS.

Formas de matar um escritor

Exemplo de frase atribuída a Clarice Lispector na internet: “Ainda bem que sempre existe outro dia, e outros sonhos, e outros risos, e outras pessoas, e outras coisas”. Outro exemplo: “Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome”. Ambas estão num site que, reagindo ao que o mundo virtual faz contra autores como Luis Fernando Verissimo e Caio Fernando Abreu, dispõe-se a conferir a autenticidade de citações. Tarefa digna, embora eu fique em dúvida sobre o que é pior: a Clarice falsa (sonhos e pessoas) ou a verdadeira (desejo sem nome).

Trecho de texto publicado na Folha de São Paulo em 29/3/2013. Íntegra aqui.