Michel Laub

Categoria: Música

Fim de semana

Uma série – Chernobyl.

Uma exposição – Leonilson, Fiesp.

Um livro – Entre Nós, diálogos com Philip Roth (Companhia das Letras, 176 págs.).

Um relato – Guinevere Turner e a infância num culto (aqui).

Um disco – Roberto Carlos por Nando Reis.

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Fim de semana

Um disco – Westkust, Westkust.

Uma feira (para ryco) – SP Arte.

Um western – Rastro de Maldade, S. Craig Zahler.

Um filme farofa – The Dirt, Jeff Treimane.

Um livro – A Literatura Nazista na América, Roberto Bolaño (Companhia das Letras, 237 págs.).

Fim de semana

Uma releitura – O Segredo de Joe Gould, Joseph Mitchell (Companhia das Letras, 158 págs.)

Um filme ruim – The Green Book, Peter Farrelly.

Outro – Velvet Buzzshow, Dan Gilroy.

Um disco – Crushing, Julia Jacklin.

Um podcast de 2018 – João Silvério Trevisan e a história LGBTQ no Brasil (aqui).

Com o chicote da linguagem

Numa passagem de À Sombra dos Viadutos em Flor, seu livro de memórias recém-publicado (Sesi–SP, 143 págs.), o escritor, jornalista e músico Cadão Volpato narra uma conversa com um colega de trabalho que estava lendo A Menina Morta, de Cornélio Pena. “É um romance moderno”, o colega diz. “Nada acontece”. No que Cadão complementa, sem aspas, talvez se referindo à vida naquele início dos anos 1980, agora para o leitor de hoje: “E nada acontecia”.

A princípio, parece haver algo de errado na frase. Não dá para dizer que “nada acontecia” no período que mais ou menos coincide com a fundação do Fellini, uma banda independente e cultuada de São Paulo que tinha, além do próprio Cadão nos vocais, o baixista Ricardo Salvagni e os guitarristas Jair Marcos e Thomas Pappon. Era o início da redemocratização, com sua efervescência cultural e política tanto nos fatos públicos – da bomba no Riocentro à campanha das Diretas Já, do ocaso da censura ao boom da nova geração do rock – quanto nas expectativas, na imagem que o Brasil projetava para o próprio futuro social e institucional.

Mas essa estranheza é uma das qualidades do livro. Cadão não está falando apenas de um período histórico, nem apenas de uma banda de rock, nem apenas de um país. Toda boa autobiografia preserva a individualidade possível diante do que é mero contexto, ou mero clichê: o espírito do tempo sempre pronto para deformar a memória com imposições temáticas, ideológicas ou morais. Numa época em que o factual básico do passado está disponível online – há conteúdo interminável sobre a cultura brasileira dos 1980 no You Tube, por exemplo –, é preciso superar o pleonasmo de evocar um imaginário já bastante comum.

Trata-se de uma lição proustiana, a seu modo, que Cadão aproveita desde o título (uma brincadeira com À Sombra das Raparigas em Flor). Se a linguagem é naturalmente restrita ao evocar lembranças sensoriais e abstratas, que seja capaz de criar um objeto novo, cuja beleza também é nova. Sob as normas dessa reinvenção dá para dizer, sim, que o início da chamada década perdida foi tedioso – porque importa é a inquietude do autor diante do tédio, algo de sua personalidade e temperamento que não passa apenas por gatilhos externos. À diferença do que costumamos ver em histórias de roqueiros, nas quais o passado é sempre cheio de aventura e excessos, gerando anedotas divertidas sobre protagonistas e coadjuvantes então ou posteriormente famosos, o material de Cadão é menos direto, mais difícil de classificar.

Trecho inicial da minha coluna de estreia no Valor Econômico. Escreverei mensalmente sobre livros no caderno Eu&, que circula aos fins de semana. Íntegra do texto aqui, para quem é assinante ou fizer o cadastro.

Fim de semana

Um livro – Ricardo e Vânia, Chico Felitti (Todavia, 191 págs.).

Um filme – Brexit: the Uncivil War, Toby Haynes.

Um disco – Besta Fera, Jards Macalé.

Um disco de 2007 – The Glenn Gould Trilogy: a Life.

Um podcast – Wanderley Mendonça e João Varella no Tutano.

Fim de semana

Uma edição – Poemas, T.S. Eliot (Companhia das Letras, 438 págs.).

Outra – Terra e Paz, Yehuda Amichai (Bazar do Tempo, 184 págs.).

Um disco de 1981 – La Folie, Stranglers.

Um filme – A Ilha dos Cachorros, Wes Anderson.

Outro – Histórias que Nosso Cinema (Não) Contava, Fernanda Pessoa.

Fim de semana

Um livro – Como funciona o Fascismo, Jason Stanley (L&PM, 206 págs.).

Um disco – Piano & A Microfone, Prince.

Um filme – Roma, Alfonso Cuarón.

Uma exposição no IMS – Claudia Andujar.

Outra – Millôr.

Fim de semana

Um livro – Caderno de Memórias Coloniais, Isabela Figueiredo (Todavia, 184 págs.).

Outro – O Sonâmbulo Canta no Topo do Edifício em Chamas, Joca Terron (Pedra papel tesoura, 120 págs.).

Uma exposição em Fortaleza – Terra em Transe, Dragão do Mar.

Um filme médio – Bohemian Rhapsody, Bryan Singer.

Um documentário – Rolling Stones: Crossfire Hurricane, Brett Morgen.

Fim de semana

Um romance A Vida Escolar de Jesus, J.M. Coetzee (Companhia das Letras, 259 págs.).

Um ensaio – Contra os Filhos, Lina Meruane (Todavia, 176 págs.).

Um filme – You Were Never Really Here, Lynne Ramsay.

Um clipe – Suspirium, Thom Yorke (aqui).

Uma exposição – Bienal.

Fim de semana

Uma exposição – Irving Penn no IMS.

Um adaptação competente – De amor e Trevas, Natalie Portman.

Um disco de 2016 – Post Pop Depression, Iggy Pop.

Um ensaio – Carol Bensimon sobre o apartamento dos avôs (aqui)

Um relançamento – Fun Home, Alison Bechdel (Todavia, 234 págs.).

Fim de semana

Um livro – A Guerra: a Ascensão do PCC e o Mundo do Crime no Brasil, Bruno Paes Manso e Camila Nunes Dias (Todavia, 344 págs.).

Um ensaio – Zadie Smith sobre Henry Taylor (aqui).

Um documentário ok – Robin Williams: Come Inside My Mind, Marina Zenovich.

Um filme simpático – England is Mine, Mark Gill.

Um disco simpático – Call the Comet, Johnny Marr.

Fim de semana

Um livro – Garotas Mortas, Selva Almada (Todavia, 128 págs.).

Um conto – Writing Teacher, John Edgar Wideman (aqui).

Uma exposição – Jac Leirner, Fortes D’Aloia & Gabriel.

Outra – Powerpaola, Sala Aberta.

Um disco – Ofertório, Caetano Veloso e filhos.

Fim de semana

Um disco – Sparkle Hard, Stephen Malkmus & The Jicks.

Uma montagem – Eu Sou Essa Outra, Sesc Pinheiros.

Um filme pior que os anteriores da série – The Trip to Spain, Michael Winterbottom.

Uma HQ – Sem Volta, Charles Burns (Quadrinhos na Cia, 176 págs.).

Um artigo – Jenny Uglow e a pintura realista em Londres, Século 20 (aqui).

Fim de semana

Uma reportagem – Allan de Abreu sobre o PCC, na Piauí.

Um livro de provocação – Manifesto Contrassexual, Paul B.Preciado (N-1, 224 págs.).

Um documentário médio/bom – The Reagan Show, Sierra Pettengill e Pacho Velez.

Um médio/médio – A Verdade sobre Marlon Brando, Stevan Riley.

Um disco – Deus é Mulher, Elza Soares.

Fim de semana

Uma série – Wild Wild Country.

Um disco – Every Country’s Sun, Mogwai.

Uma exposição no Tomie Ohtake – Cecily Brown.

Outra – Paulo Pasta.

Um perfil – Marianne Elliott e a nova montagem de Angels in America (aqui).

Fim de semana

Um filme – Projeto Flórida, Sean Baker.

Um documentário – Torquato Neto – Todas as Horas do Fim, Eduardo Ades e Marcus Fernando

Um livro – Marlene Dumas: the Image as Burden (Tate/D.A.P., 176 págs.).

Uma novela média – Pinball, 1973, Haruki Murakami.

Um ensaio de provocação – Literatura de Esquerda, Damián Tabarovsky (aqui).

Fim de semana

Um artigo – O fim do liberalismo racial nos EUA (aqui).

Uma reportagem – O desastre estratégico da intervenção no Rio (aqui).

Um livro – Citizen, Claudia Rankine (Graywolf Press, 174 págs.).

Uma exposição – Erwin Olaf no MIS.

Um disco – Beneath the Redwoods, Morrison Kincannon.

Fim de semana

Um livro – Confissões, Santo Agostinho (Penguin Companhia, 416 págs.).

Um romance – I Love Dick, Chris Kraus (Semiotext(e)/Native Agents, 280 págs.) .

Um conto – The Dog, J.M.Coetzee (aqui).

Um documentário – The Act of Killing, Joshua Oppenheimer.

Um podcast – R.E.M. sobre os 25 anos de Automatic for the People (aqui).

Fim de semana

Um livro – Imunidade, Eula Biss (Todavia, 206 págs.).

Uma exposição de madrugada – The Clock, IMS.

Um filme ok – Blade Runner 2049.

Um filme melhor – Blade Runner 1.

Um disco – Campos Neutrais, Vitor Ramil.

Fim de semana

Uma exposição – Robert Frank no IMS.

Outra – Kohei Nawa na Japan House.

Um posfácio – Paulo Henriques Britto na nova edição de O Som e a Fúria (Companhia das Letras, 376 págs.).

Uma peça – Ala dos Criados, Mauricio Kartum.

Um disco – Pleasure, Feist.

Fim de semana

Um disco – Hiss Spun, Chelsea Wolfe.

Um documentário – Oasis: Supersonic, Mat Whitecross.

Um filme de 1981 – The Decline of Western Civilization (1), Penelope Spheeris.

Um filme pretensioso – Mãe!, Darren Aronofsky.

Um prédio – IMS Paulista.

Fim de semana

Um documentário – Metallica: Some Kind of Monster, Joe Berlinger e Bruce Sinofsky.

Um filme ruim – O Contador, Gavin O’Connor.

Uma série de culinária – Anthony Bourdain.

Uma peça – Jó ou a Tortura pelos Amigos, Fabrice Hadjaj (É Realizações, 80 págs.).

Uma releitura – O Instante Contínuo, Geoff Dyer (Companhia das Letras, 304 págs.).

Fim de semana

Uma série – Hip Hop Evolution.

Uma série ruim sobre o mesmo tema – The Get Down.

Um documentário – American Anarchist, Charlie Siskel.

Outro – Janis: Little Girl Blue, Amy Berg

Uma coletânea – Extras e gravações alternativas de Vauxhal and I, de Morrissey (aqui).

Fim de semana

Um disco – No Home of the Mind, Bing and Ruth.

Um filme simpático – Paterson, Jim Jarmusch.

Outro – O Cidadão Ilustre, Mariano Cohn e Gastón Duprat.

Uma série de depoimentos – Como a Guerra dos Seis Dias mudou a religião (aqui).

Uma série de fotos – Nazistas nos EUA, anos 30 (aqui).

Fim de semana

Um livro – Manual da Faxineira, Lucia Berlin (Companhia das Letras, 536 págs.).

Um livro meio datado – A Segunda Profissão Mais Antiga do Mundo, Paulo Francis (Três Estrelas, 408 págs.).

Uma exposição datada – Yoko Ono no Tomie Ohtake.

Um disco – Slowdive, Slowdive.

Um filme médio – Stefan Zweig: Adeus à Europa, Maria Schrader.

Fim de semana

Um disco – Stereoscope, Christina Vantzou.

Um filme – Vermelho Russo, Charly Braun.

Um filme médio – The Founder, John Lee Hancock.

Um livro – A Idade Viril, Michel Leiris (Cosac Naify, 208 págs.).

Um ensaio – Ben Lerner sobre poesia na Serrote.

Fim de semana

Um livro – Sapiens, Yoval Noah Harari (L&PM, 521 págs.).

Outro – Mulheres, Raça e Classe, Angela Davis (Boitempo, 244 págs.).

Um filme – Negação, Mick Jackson.

Outro – Hell or High Water, David Mackenzie.

Um documentário – I’m Not Your Negro, Raoul Peck.

Um disco – Goldberg Variations, Beatrice Rana.

Links

– O futuro sombrio da manipulação de notícias: https://goo.gl/mt3WHI

– Fake News ao longo da história, por Robert Darnton: https://goo.gl/CVLCqI

– O mercado de Fake News no Brasil, por Fabio Victor: https://goo.gl/RzXyHC

– Artistas, arquitetos e direitos humanos na construção de museus nos Emirados Árabes: https://goo.gl/1Mv70b

– Alejandro Chacoff sobre Reagan e Trump (e filosofia política, e infância nos EUA dos 1980): https://goo.gl/ZCyxmc

– O que alguns integrantes do ISIS acham de Trump: https://goo.gl/G6taSW

– Sobre decidir escrever ficção numa língua que não é a sua: https://goo.gl/ZBYyMU

– Utopias ontem e hoje: https://goo.gl/kgeyFW

– O passado e o futuro do PCC: https://goo.gl/mV40Bg

– Nate Silver e a impossibilidade de prever o imprevisível: https://goo.gl/mV40Bg

– 4h de podcast sobre um movimento messiânico em Munster, 1534: https://goo.gl/btTb9K

– Ideologia e cálculo na ascensão de Putin na Rússia e no Ocidente: https://goo.gl/zKgEXL

– Lenin e a literatura russa: https://goo.gl/aQx3Pv

– William Buckley Jr entrevista Carlos Lacerda, 1967: https://goo.gl/H5bI9h

– 200 discos clássicos (ou quase) da música brasileira para ouvir online: https://goo.gl/ExEEj2

Fim de semana

Um perfil – Leonard Cohen por David Remnick (aqui).

Um texto – Ana Maria Bahiana sobre Bob Dylan (aqui).

Uma palestra – Bernardo Carvalho sobre criação literária (aqui).

Um disco – Love your Dam and Mad, Nadine Shah.

Um livro – A Filha Perdida, Elena Ferrante (Intrínseca, 174 págs.).

Fim de semana

Um livro – A ascensão do romance, Ian Watt (Companhia de Bolso, 352 págs.).

Um disco – Schmilco, Wilco.

Um filme – Café Society, Woody Allen.

Uma adaptação fraca – Breves entrevistas com homens hediondos, John Krasinski.

Um documentário triste – Weiner, Josh Kriegman e Elyse Steinberg.