Michel Laub

Categoria: Música

Fim de semana

Um romance – Debaixo do Vulcão, Malcolm Lowry (Alfaguara, 388 págs.).

Um disco de 2017 – Soft Sounds from Another Planet, Japanese Breakfast.

Uma conversa de 1983 – Jorge O Mourão, Nelson Motta e Scarlet Moon (aqui).

Um perfil – Jorge O Mourão por Claudio Leal (aqui).

Uma reportagem – A extrema direita e o PDT, por Marie Declercq (aqui).

Coisas que não deveriam acontecer

Um dos quatro filhos de Nick Cave morreu em maio último, aos 31 anos. Outro havia morrido em 2015, aos 15. É indevido especular sobre o reflexo dessas perdas nas letras do compositor e cantor australiano? No álbum Seven psalms, lançado no fim de junho, uma das faixas se chama Such things should never happen. Entre as coisas que não deveriam jamais acontecer, os versos falam de filhotes de andorinha indefesos, da mãe que chora ao lado de um pequeno caixão.

Texto publicado no Valor Econômico, 23-7-22, sobre Nick Cave e o romance Não Fossem as Sílabas do Sábado, de Mariana Salomão Carrara. Íntegra aqui.

Fim de semana

Um depoimento – Heloisa Jahn (aqui).

Uma conversa – Mano Brown e Zeca Pagodinho (Spotify).

Uma exposição no Tomie Ohtake – Anna Maria Maiolino.

Outra – Tomie Ohtake.

Uma graphic novel – Flying Couch, Amy Kurzweil (Catapult, 224 págs.).

Fim de semana

Um disco – Seven Psalms, Nick Cave.

Um filme – Crimes of the Future, David Cronenberg.

Uma série ok – Modern Love.

Uma entrevista – Leão Serva sobre guerra e imagens (aqui).

Um romance – Não Fossem as Sílabas do Sábado, Mariana Salomão Carrara (Todavia, 168 págs.).

Fim de semana

Um filme – Ilusões Perdidas, Xavier Giannoli.

Um podcast – Discoteca Básica.

Um texto – Juliana Cunha sobre Paul Simon (aqui).

Outro – Thomas Meaney sobre Lea Ypi e a Albânia (aqui).

Um livro de 2007 – 20 Poemas para o seu Walkman, Marília Garcia (Sete Letras. 90 págs.)

Fim de semana

Um livro – Morte e Vida de Grandes Cidades, Jane Jacobs (Martins Fontes, 508 págs.).

Um disco – Motomami, Rosalia.

Uma entrevista – Gilberto Gil, 80 (aqui).

Uma exposição no IMS/SP – Daido Moriyana.

Outra – Walter Firmo.

Fim de semana

Um livro – Quando deixamos de entender o mundo, Benjamin Labatut (Todavia, 176 págs.).

Um doc/show – Shut Up and Play the Hits, Will Lovelace e Dylan Southern.

Um doc médio – Reading Susan Sontag, Nancy Kates.

Uma conversa – Susan Sontag e John Berger sobre ficção (aqui).

Uma entrevista – Robert Karo sobre biografias (aqui).

Fim de semana

Uma palestra – Lourenço Mutarelli sobre desenho e narrativa (aqui).

Um disco – Avenida Angélica, Vitor Ramil.

Um filme convencional – King Richard, Reinaldo Marcus Green.

Um filme de 1985 – Debaixo do Vulcão, John Huston.

Um livrinho – How to Start Writing (and When to Stop), Wislawa Szymborska (New Directions, 96 págs.).

Fim de semana

Uma exposição – Adriana Varejão, Pinacoteca.

Outra – Beth Slamek, Galeria Pilar.

Um filme curioso – Andarilho, Cao Guimarães.

Uma reportagem – Clarissa Levy sobre o Ifood (aqui).

Uma entrevista em duas partes – Carlos Eduardo Miranda por Thunderbird (aqui e aqui).

Fim de semana

Uma série no Netflix – Trilogia Kanye.

Outra – Diários de Andy Warhol.

Um livro para consultar – Diários de Andy Warhol (L&PM, 851 págs.).

Um romance – Os Coadjuvantes, Clara Drummond (Companhia das Letras, 108 págs.).

Um filme médio – Quebrando o Gelo, Peter Flinth.

Fim de semana

Uma reportagem – Sabrina Tavernise sobre os refugiados da Ucrânia (aqui).

Uma entrevista – Antonio Gelis filho sobre Putin e a Rússia (aqui).

Outra – Paulo Cesar Araújo sobre Roberto Carlos (aqui).

Um texto de 1972 – Pauline Kael sobre O Poderoso Chefão (aqui).

Uma reprise – A Professora de Piano, Michael Haneke.

Fim de semana

Um filme – Licorice Pizza, Paul Thomas Anderson.

Um livro de contos – Visão Noturna, Tobias Carvalho (Todavia, 119 págs.).

Um podcast – 50 anos do Clube da Esquina (O Assunto).

Uma entrevista – Sérgio Miceli sobre Drummond e o Modernismo (Ilustríssima Conversa).

Uma entrevista sombria – Vladimir Putin a Oliver Stone (Nocaute).

Fim de semana

Uma releitura – Confissões de uma Máscara, Yukio Mishima (Companhia das Letras, 225 págs.).

Um filme – Drive My Car, Ryusuke Hamaguchi.

Um filme ok – Spencer, Pablo Larraín.

Uma exposição em São Paulo – Tunga.

Uma entrevista – Eddie Vedder no NYT (aqui).

Fim de semana

Um livro – As Raízes do Romantismo, Isaiah Berlin (Fósforo, 256 págs.).

Uma releitura – Pela Noite, Caio Fernando Abreu.

Um filme de 1978 – Tudo Bem, Arnaldo Jabor.

Um de 2009 – Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo, Karim Ainouz e Marcelo Gomes.

Um de 2005 – The Devil and Daniel Johnston, Jeff Feuerzeig.

Fim de semana

Um lugar em São Paulo – Museu Judaico.

Um filme – The Tragedy of Macbeth, Joel Coen.

Outro – Tick, Tick… Boom, Lin-Manuel Miranda.

Uma entrevista boa a partir da metade – Guilherme Arantes no B3.

Uma releitura – Como Vencer um Debate sem precisar ter Razão, Arthur Schopenhauer (Topbooks, 258 págs.).

Fim de semana

Um documentário – Get Back, Peter Jackson.

Um filme – Ataque dos Cães, Jane Campion.

Outro – Casa Gucci, Ridley Scott.

Um texto – Max Norman sobre W.G. Sebald (aqui).

Um livro – Caro Michele, Natalia Ginzburg (Companhia das Letras, 194 págs.).

Fim de semana

Um ensaio – Survival of the Fireflies, Georges Didi-Huberman (Univocal, 112 págs.).

Um ensaio para reler – O artigo dos Vagalumes, Pier Paolo Pasolini.

Um livro de contos – Erva Brava, Paulliny Tort (Fósforo, 104 págs.).

Um podcast – Sam Anderson sobre Laurie Anderson no The Daily.

Um disco – Apocalip se, Zé Nigro.

Fim de semana

Um disco – Síntese do Lance, Jards Macalé e João Donato.

Outro – Meu Coco, Caetano Veloso.

Uma exposição em Berlim – Suely Torres, Donnerstag Gallery.

Um doc pior que o seu tema – The Most Beautiful Boy in the World, Kristina Lindström e Kristian Petri.

Um filme – Adults in the Room, Costa-Gavras.

Fim de semana

Um documentário – The Velvet Underground, Todd Haynes.

Um livro – O Conto não Existe, Sérgio Sant’Anna (Cepe, 228 págs.).

Um trecho – Diários de Patricia Highsmith (aqui).

Um podcast – Juliana de Albuquerque e Isadora Sinay sobre Philip Roth (aqui).

Uma série – Succession.

Fim de semana

Um festival – Berlin Art Week.

Uma programação no festival – Planetário.

Um disco de 2019 – Pang, Caroline Polachek.

Um disco de 2018 – Cavala, Maria Beraldo.

Um livro – Qualquer lugar menos agora, JP Cuenca (Record, 240 págs.).

Fim de semana

Um documentário – Woodstock 99, Garret Price.

Outro – Das War Thomas Bernhard (aqui).

Um livro – Discurso sobre a Metástase, André Santana (Todavia, 216 págs.).

Um texto – Sarah E. Bond e Joel Christensen contra o mito do herói (aqui).

Uma série de fotos – Nova York e o pós-pandemia (aqui).

Fim de Semana

Um disco – Happier Than Ever, Billie Eillish.

Um texto – Donna Ferguson sobre a biografia de WG Sebald (aqui).

Um livro – Susan Sontag: The Complete Rolling Stone Interview, Jonathan Cott (Yale University Press, 145 págs.).

Uma entrevista – Camila Rocha sobre a nova direita brasileira (aqui).

Um filme – As Estátuas Também Morrem, Chris Marker e Alain Resnais.

Fim de semana

Um texto – Bolsonaro e os judeus, por Fábio Zuker e Pedro Beresin (aqui).

Uma entrevista – Rosa Freire Aguiar sobre Celso Furtado (aqui).

Uma conversa – Luís Augusto Fischer e Nelson Coelho de Castro (aqui).

Um disco lançado agora – Umbigos Modernos (1988), Nelson Coelho de Castro.

Um romance – O Riso dos Ratos, Joca Reiners Terron (Todavia, 208 págs.).

Fim de semana

Um disco – Convocations, Sufjan Stevens.

Um museu em Berlim – Humboldt Forum.

Um livro – A Vida dos Outros e a Minha, Claudia Cavalcanti (Cultura e Barbárie, 112 págs.).

Um texto – Leonardo Padura sobre Cuba (aqui)

Uma entrevista – Ana Penido e Suzeley Kalil sobre o Partido Militar (aqui).

Fim de semana

Um debate – Eduardo Coutinho, João Moreira Salles e Eduardo Escorel sobre Shoah (aqui).

Outro – Ariella Azoulay e Lilia Schwarcz sobre fotografia (aqui).

Um disco ­– As the Love Continues, Mogwai

Um filme – Nomadland, Chloé Zaho.

Um filme legalzinho – Father, Florian Zeller.

Fim de semana

Um disco – G_d’s Pee AT STATE’S END!, God Speed You! Black Emperor.

Outro – Kids, Noga Erez.

Um documentário ok – Marginal Alado, Felipe Novaes.

Um podcast – Caminhando com Leonardo Fróes, 451.

Um livro – O Ar que me Falta, Luiz Schwarcz (Companhia das Letras, 200 págs.).

Fim de semana

Um podcast – Wind of Change, Patrick Radden Keefe.

Um documentário simpático – Daguerréotypes, Agnés Varda.

Um disco – Carnage, Nick Cave.

Um artigo – Richard Brody sobre Claude Lanzman (aqui)

Um romance – Vista Chinesa, Tatiana Salem Levy (Todavia, 112 págs.).

Fim de semana

Um documentário – Zappa, Alex Winter.

Um documentário em duas partes – Philip Roth Unleashed, Sarah Aspinall (aqui).

Um debate – Ciro Gomes x André Lara Resende (aqui).

Um romance – Os Tais Caquinhos, Natércia Pontes (Companhia das Letras, 144 págs.).

Um ensaio – Colin Vanderburg sobre rock e cultura negra (aqui).

Fim de semana

Um livro – Meu Anjo da Guarda tem Medo do Escuro, Charles Simic (Todavia, 112 págs.).

Um documentário – Professor Polvo, James Reed e Pippa Ehrlich.

Um filme de 2013 – Museum Hours, Jem Cohen.

Uma entrevista – Mayrton Bahia (aqui).

Um disco – Tocar em Flores Pelado, Gabrre.

Algo que não foi feito ainda

Numa entrevista de Caetano Veloso ao programa Roda Viva, em 1996, Eduardo Gianetti da Fonseca faz uma pergunta cujo preâmbulo é uma tentativa de síntese da obra do compositor, cantor e escritor baiano. Por um lado, diz o economista, há nessa obra a defesa de parâmetros civilizados na convivência pública brasileira – no trânsito, na política, na organização econômica. Por outro, a celebração de um “coração iorubá”, uma “alma selvagem” feita de “espontaneidade” e “alegria de viver”. A fala é um elogio à busca por um “trópico utópico”, mas traz a desconfiança de que as esferas da ordem e da alegria não possam conviver na vida civil: “Eu temo que a civilização entristeça a alma humana. À medida que o Brasil se civiliza, nós vamos perder aos poucos (…) essa vitalidade emocional, essa coisa fantástica que ainda está viva”.

Nos anos 1990, Caetano deu duas respostas importantes ao dilema. A primeira foi no próprio Roda Viva, ao afirmar que nossa “riqueza no modo de ser” permite evitar o caminho da mera adesão cultural, buscando incorporar os “dados universais da civilização” para fazer deles “algo que não foi feito ainda.” A segunda, que elaborou mais longamente a proposta, foi o livro Verdade Tropical (1997). Um de seus capítulos, Narciso em Férias, acaba de ganhar uma edição à parte (Companhia das Letras, 168 págs.), aproveitando a estreia de um documentário homônimo dirigido por Ricardo Calil e Renato Terra.

Texto e filme falam do célebre episódio da prisão de Caetano em 1968, logo depois do AI-5, e dos 54 dias que ele passou na cadeia. Se Verdade Tropical é um panorama do que seria a originalidade brasileira então proposta por sua obra, Narciso em Férias é o ponto do livro em que a ideia de civilização é descrita como que em negativo, numa espécie de grau zero onde a princípio não há nem tristeza –  apenas a brutalidade dos militares, da elite que os apoiou e ajudou a moldar as trevas que vemos até hoje por aqui.

O país que emerge daqueles 54 dias é uma distopia tanto no nível institucional –um périplo kafkiano num não-lugar jurídico e político, onde ninguém conseguia explicar o motivo, o objetivo e o prazo da prisão – quanto no do indivíduo. A cadeia inicia como experiência de aniquilação do corpo: no livro há trechos sobre como a violência do regime interfere no sono, na alimentação, na libido. A vitalidade emocional e a riqueza no modo de ser se desidratam junto com a máquina biológica “reduzida ao imediato”, incapaz até de chorar e de se masturbar nos primeiros dias numa solitária da Polícia do Exército do Rio – como se a humanidade presente nas secreções produzidas pelos dois atos tivesse sido abortada literal e simbolicamente.

E, no entanto, há um percurso curioso em Narciso…. Com a transferência do cantor para um quartel da brigada paraquedista, onde já havia uma comunicação melhor com outros presos e com a vida exterior, personificada em visitas íntimas da então companheira Dedé, o livro se torna (mais) uma reinvenção de Caetano: não dos dados universais da civilização, e sim do horror oferecido pela barbárie. A história é contada décadas depois, claro, mas o seu presente continua existindo sob o registro inimitável de quem a fixa na página. É um feito artístico, antes de tudo: existem muitos relatos bons sobre cadeia, e nenhum oferece o sabor específico deste – a atenção a estes detalhes, a evocação desta paisagem afetiva e linguística. Nela, um pão duro é “um pão um tanto duro e sem manteiga”; uma voz calma é também “compreensiva, humaníssima, doce mesmo”; um devaneio amoroso é um “enternecimento” a desequilibrar a “letargia que era a minha proteção”.

Nessa literatura entre a digressão proustiana e a retórica barroca, a glória da frase é ser a um só tempo derramada e aguda, intuitiva e observacional. É assim que o autor narra como cantou sob a mira de uma metralhadora, como criou superstições envolvendo baratas e velhas joias do cancioneiro nacional. Ou então como, muitos anos depois de liberto, passou a ter uma estranha saudade dos dias de melhora física e mental no quartel dos paraquedistas: “Acho que naqueles momentos rememorados eu estava ganhando peso, lentamente salvando minha vida, como na infância (…). Entendi por que tantas vezes somos nostálgicos de fases da meninice que foram vividas na infelicidade: o som fanhoso de uma música sem interesse ouvida entre pessoas desprezíveis num crepúsculo sem cor pode, na lembrança, nos remeter a sensações (…) indizivelmente prazerosas (…), portas abertas para o sentimento perene dentro de mim da doçura de ser.”

Um dos efeitos da prosa de Narciso… é o de nos fazer enxergar de outra forma o que já tínhamos visto tantas vezes: o modo como esse calor humano, a aceitação do corpo como filtro principal e generoso da vida, se faz presente na poesia do autor. Um episódio contado no livro é exemplar nesse sentido. Um dia, ao folhear uma revista Manchete, Caetano encontrou entre fotos de mulheres seminuas as primeiras imagens da Terra vista do espaço – ou seja, da grandeza de um mundo que também era o seu naquela cela de poucos metros quadrados. A expressão disso numa letra escrita anos depois, pontuada pelo que o livro define como “traço baiano” de “deslumbramento respeitoso pelo sexo”, nunca deixa a beleza da metáfora se descolar de uma carnalidade palpável, ambas a serviço do gozo que contrasta com a melancolia do confinamento: “As tais fotografias/ Em que apareces inteira/ Porém lá não estavas nua/ E sim coberta de nuvens (…)/ Eu estou apaixonado por uma menina, Terra (…)/ Terra para o pé, firmeza/ Terra para a mão, carícia”.

Ainda na proposta de Gianetti, daria para enxergar a grande dialética civilização versus alegria no aspecto mais epidérmico da visão de mundo de Caetano: as relações entre a subjetividade física, reduzida ao nível básico dos sentidos (e às vezes da fisiologia), nada disso ainda constrangido pelas restrições e exigências da norma social, e os mitos culturais criados a partir daí. Nas décadas seguintes à prisão, e quem sabe sob influência dela, foi o que essa poesia não cansou de mostrar. Em imagens que depois de Narciso… talvez possamos ver como mais literais do que pareciam, aí estão a fala, o ouvido e o tato em Língua; a fome e a sede em Podres Poderes; a cegueira de tanto ver em O estrangeiro; o cuspe e o mijo no Leblon de Fora da Ordem e de Haiti.

Salvo engano, foi nos mesmos anos 1990 do Roda Viva e de Verdade Tropical que o compositor cunhou uma de suas frases célebres: “O Brasil vai dar certo porque eu quero que dê certo”. Isso pode ser um programa político ou uma voz do corpo – daquilo que sempre podemos fazer individualmente, com o otimismo da ação que nos cabe, para que melhore a nossa sensação de estar no mundo (e, logo, o mundo). É assim que se sobrevive a um regime autoritário. Que se reedita um livro numa época que parece perdida para a leitura. Que se canta ao lado dos filhos numa live cheia de beleza e esperança, como fez Caetano em julho último, em plena quarentena e durante um dos governos mais infames de nossa história.

Talvez não faça mais sentido discutir o que o Brasil fará ao se tornar civilizado, porque esse dia pode nunca vir. Mais ainda podemos celebrar nossa autonomia, a alegria de ter um corpo que deseja e sonha. Narciso… é um modo de nos lembrar a respeito: na chave pequena e imensa da literatura, aí está algo que não tinha sido feito ainda.

Publicado no Valor Econômico, 13/11/2020 (original aqui).

%d blogueiros gostam disto: