A célula idiota

por Michel Laub

“Não é difícil perceber o momento em que uma localidade começa a agir como célula idiota”, diz a escritora e ativista Jane Jacobs em seu Morte e Vida de Grandes Cidades (Martins Fontes, 510 págs., tradução de Carlos S. Mendes Rocha). A tendência de um morador da Zona Oeste de São Paulo é relacionar a metáfora, ligada a organismos cancerígenos produzindo incessantemente “material de que não necessitam”, com aquilo que vê todos os dias.

Nos últimos anos, por distorções na regulação e aplicação do bom Plano Diretor de 2014, lugares como Pinheiros, Pompeia e Vila Madalena dão razão a esse pessimismo. O que no jargão do texto oficial se chama adensamento, ou a ideia justa de que áreas próximas a transporte e emprego sejam ocupadas por mais pessoas, com prédios altos nos arredores de avenidas e preservação do miolo dos bairros, na prática está virando uma paisagem do mercado imobiliário.

Publicado no Valor Econômico, 10/6/2022. Íntegra aqui.