Michel Laub

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Egopress

– Neste sábado (12/8, 11h), estarei no projeto Segundas Intenções, na Biblioteca Villa-Lobos, em São Paulo, numa conversa com Manuel da Costa Pinto.

– Na sequência, como parte do programa Viagem Literária/SP, darei palestras em bibliotecas públicas de cinco cidades: Ilha Comprida (21/8, 19h), Itanhaém (22/8, 19h), Praia Grande (23/8, 13h), Cubatão (também em 23/8, 19h) e Diadema (24/8, 19h).

– Ainda em agosto, com mediação de Vivian Schlesinger, participo de uma mesa da Feira Literária do Clube Paulistano/SP (26/8, 19h).

– No novo número da revista Versalete, da UFPR, respondi a perguntas de Sandra M. Stroparo no estilo ‘Questionário Proust’. PDF da edição: https://goo.gl/nkiz7y

– Participação minha no Encontros de Interrogação do Itaú Cultural, em 2014 (o vídeo foi posto no ar este mês), no estilo TED (pediram para eu subir no palco e dizer o que quisesse): https://goo.gl/AtV2Kj

 

O Tribunal da Quinta-Feira – entrevistas, matérias, críticas

– Entrevista ao G1, por Luciano Trigo: http://goo.gl/u0npyw

– Entrevista à Brasileiros, por Daniel Benevides: https://goo.gl/7QQUs6

– Entrevista ao El País, por Camila Moraes: http://goo.gl/qBmtJl

– Entrevista ao Globo, por Emiliano Urbim: http://goo.gl/VilUjj

– Entrevista ao Estadão, por Guilherme Sobota: http://goo.gl/GhZVUa

– Entrevista à Bravo, por Almir de Freitas: http://goo.gl/xGI0hm

– Entrevista à Zero Hora, por Alexandre Lucchesi: http://goo.gl/LyGHdr

– Entrevista à Zero Hora (Caderno DOC), por Carlos André Moreira: https://goo.gl/FRnt3b

– Entrevista ao Estado de Minas, por Carlos Marcelo: http://goo.gl/cbOhAb

– Entrevista ao O Povo, por Henrique Araújo: http://goo.gl/3Fx0FX

– Entrevista ao Correiro Braziliense, por Nahima Maciel: http://goo.gl/OJdufW

– Entrevista à revista da OAB/CAASP, por Paulo Henrique Arantes: https://goo.gl/iJe2SP

– Entrevista ao Metrópolis, por Cunha Jr. (vídeo): http://goo.gl/u0l8cH

– Entrevista ao Arte 1, por Sheyla Miranda (vídeo): http://goo.gl/zziRzF

– Entrevista ao Clube do Livro/Veja, por Jerônimo Teixeira (vídeo): http://goo.gl/RIOjG6

– Entrevista à Globo News, por Edney Silvestre (vídeo): https://goo.gl/QVTwTt

– Entrevista à CBN, por Tania Morales (áudio): https://goo.gl/OvV0OW

– Entrevista à Rádio Nacional, por Paulliny Gualberto Tort (áudio): https://goo.gl/u5kYpf

– Entrevista à FM Cultura, por Alexandre Machado (áudio): http://goo.gl/8Q547v

– Resenha/comentário no Aprova Lendo, por Guilherme Shibata (vídeo): http://goo.gl/AbLVvM

– Resenha/comentário no canal Livrada, por Yuri Ra (vídeo): https://goo.gl/y5FSWj

– Resenha/comentário no Literatorios, por Roberta Carmona (vídeo): http://goo.gl/ABG7Lk

– Resenha/comentário no Agenda (Rede Minas), por Leticia Marad (vídeo): http://goo.gl/J85GAi

– Resenha/comentário no Cabe na Estante, por Ana Emilia (vídeo): https://goo.gl/ISWJNa

– Resenha/comentário no Redoma de Livros, por Clarissa Wolf (vídeo): https://goo.gl/mPL6H7

– Resenha/comentário no Livro Minuto, por André Aguiar (vídeo):  https://goo.gl/w0EFoK

–  Comentário na Eldorado FM, por Igor Muller (áudio): https://goo.gl/kaWkBY

– Crítica no Livros Abertos, por Camila Von Holdefer: http://goo.gl/2tfvQB

– Crítica no Posfácio, por Isadora Sinay: http://goo.gl/MQktUj

– Crítica no Confrariando, por Guilherme Nicesio: https://goo.gl/zcvpGa

– Crítica no Medium, por Wibsson: https://goo.gl/XdoDMR

– Crítica no Lombada Quebrada, por Zeno Queiroz: http://goo.gl/3dAhmu

– Crítica no Jornal do Commercio, por Diogo Guedes: http://goo.gl/v4lNJm

– Crítica na Escotilha, por Eder Alex: http://bit.ly/2gURbsl

– Crítica no Imparcial, por Zema Ribeiro: https://goo.gl/ZJdNQZ)

– Crítica no Resenha de Bolso: http://goo.gl/934Ukt

– Crítica no Meninas que Leem Livros, por Manuh Hitz: http://goo.gl/VPSiZ2

– Crítica no Cine Caboclo, por Bruno Garavello: https://goo.gl/VywDjP

– Crítica no Ler Para Divertir, por Rodolfo Euflazino: https://goo.gl/CAO6c0

– Crítica no Trendr, por Lucas Borges: https://goo.gl/pujALq

– Crítica no Dose Literária, por Maria Valéria: https://goo.gl/V3eWCp

– Crítica no Cassionei Lê e Escreve, por Cassionei Petry: https://goo.gl/flJxCD

– Crítica no Achados e Lidos, por Tainara Machado: https://goo.gl/ma7u02

– Crítica no Torpor Niilista, por Maria Valéria: https://goo.gl/IOCXhI

– Crítica no Beltrano, por André Nigri: https://goo.gl/Rs2RWv

– Crítica no Blog do Milton Ribeiro: https://goo.gl/brfl4G

– Crítica no Leitor Insuportável: https://goo.gl/H4RAIK

– Crítica no Our Brave New Blog, por Vitor Heliângelo: https://goo.gl/HdT8Kk

– Crítica no peregrina Cultural: https://goo.gl/DHYJkI

– Crítica na Folha de S.Paulo, por Francesca Angiollilo: http://goo.gl/i2VDZJ

– Crítica no Valor Econômico, por Cadão Volpato (para assinantes): https://goo.gl/RPD2Di

– Crítica na Veja, por Jeronimo Teixeira (impresso).

– Texto na Zero Hora, por Claudia Laitano: http://goo.gl/AeGkuA

– Texto na Zero Hora, por Luis Augusto Fischer: https://goo.gl/9l9ypd

– Texto na Zero Hora, por Cintia Moscovich: https://goo.gl/prDwXr

– Texto no Extra, por Felipe Pena: http://goo.gl/MLCGUF

– Texto no Sul 21, por Marcelo Carneiro da Cunha: http://goo.gl/qJdQYS

– Texto no O Dia, por Nelson Vasconcelos: http://goo.gl/Saamd2

– Texto na Folha de Londrina, por Marcos Losnak: http://goo.gl/2TFge3

– Texto no Segunda Opinião, por Osvaldo Euclides: https://goo.gl/XEB51y

– Texto no As Ordens da Desordem, por Breno Kummel: http://goo.gl/DsyPCo

– Texto no Extraliterário (sobre o Clube do Livro da Livraria da Vila), por Jéssica Carvalho: https://goo.gl/nH1KVD

– Texto no Valor Econômico, por Tatiana Salem Levy (para assinantes): http://goo.gl/jkj5or

– Textos que citam o livro: Mario Sergio Conti sobre livros políticos na Folha de S.Paulo (http://goo.gl/THPbJ8), Sérgio Sant’anna sobre literatura brasileira no Estadão (http://goo.gl/YCmvQR), Camila Von Holdefer sobre humor no IMS (http://goo.gl/a67zhw), Luciano Alabarse sobre 2016 na Zero Hora (http://goo.gl/tdQMBl), Equipe Segundo Caderno/ZH sobre 2016 (http://goo.gl/bM4VyR), Tati Bernardi sobre livros x séries na Folha de S.Paulo (http://goo.gl/PNX5ES), Leyla Perrone-Moisés sobre literatura contemporânea na Folha de S.Paulo (entrevista, https://goo.gl/W2dTD6), André Miranda sobre arte e politicamente correto no Globo (https://goo.gl/sRH9Xw), Jennifer Ann Thomas sobre haters virtuais na Veja (impresso).

– Listas de melhores de 2016: Zero Hora (http://goo.gl/TXu2Fv), Livros Abertos (http://goo.gl/6l7ENZ), Vip (http://goo.gl/ojAIFL), Escotilha (http://goo.gl/xJmwq3), Espanador (http://goo.gl/L2QQwR) revista Bula (http://goo.gl/DpWb2w), Rizzenhas (http://goo.gl/ep9D9E), Mondo Livro (http://goo.gl/KUdB9N), Dom Total (http://goo.gl/xrAbCL), Diário da Região (http://goo.gl/HXubWi), Blibliotecários sem Fronteiras (http://goo.gl/X9AHM3), Monte de Leituras (http://goo.gl/BnW826), Viver Bem (http://goo.gl/6YgDR7), Meninas que Leem Livros (http://goo.gl/aE8GuB), Scream&Yell (https://goo.gl/or0cp7).

– Resenhas e avaliações no Goodreads (http://goo.gl/kk5Iu3) e Skoob (http://goo.gl/KPxSXx). Trechos de alguns dos links acima e de comentários nas redes sociais: http://goo.gl/KJe1pw. Trecho do livro: http://goo.gl/iNlJQP

O Tribunal da Quinta-Feira

Orelha do meu novo romance, que chega às livrarias em 11 de novembro. Farei um lançamento dia 21, às 19h30, na Livraria da Vila da Lorena-SP.

Um publicitário conta segredos por e-mail ao melhor amigo. Os textos falam de sexo e amor, casamento e traição, usando termos e piadas ofensivas que ajudam a reconstituir uma longa crise pessoal. Quando a ex-mulher do protagonista faz cópias das mensagens e as envia para meia dúzia de destinatários, tem início o escândalo que está no centro deste romance explosivo.

O fio condutor da história, que une o destino dos personagens diante de um tribunal inusitado, são os reflexos tardios e ainda hoje incômodos da epidemia da aids. Mas não estamos diante de uma mera “história de doença”. Transposta dos anos 1980, quando causou um genocídio, para os tempos atuais, em que virou uma condição crônica controlada por medicamentos, a antiga “peste gay” segue como motor simbólico de implicações culturais e morais — e continua assunto tabu no humor de uma época de ideias políticas radicalizadas.

Autor com pleno domínio sobre sua linguagem e temas, Michel Laub percorre com coragem os delicados caminhos de O tribunal da quinta-feira. Numa dicção que brinca com jargões e clichês das mais diversas áreas — da medicina à pornografia, da autoajuda ao feminismo —, tem-se o aprimoramento da reflexão irônica e emocionada de seus dois livros anteriores, Diário da queda (2011) e A maçã envenenada (2013). O que está em jogo, mais uma vez, são os limites do que entendemos como tolerância. Para chegarmos a eles, contudo, é preciso ir além do que seria uma literatura palatável ou “correta” ao tratar de homofobia, assédio, violência. E também de empatia, desejo e liberdade.

Fim de semana

Um perfil – Leonard Cohen por David Remnick (aqui).

Um texto – Ana Maria Bahiana sobre Bob Dylan (aqui).

Uma palestra – Bernardo Carvalho sobre criação literária (aqui).

Um disco – Love your Dam and Mad, Nadine Shah.

Um livro – A Filha Perdida, Elena Ferrante (Intrínseca, 174 págs.).

Egopress

– Na quarta, 18/5, 19h30, converso com alunos do curso de tradução da Uninove da Barra Funda/SP.

– No sábado, 21/5, 11h, participo do programa/debate ‘Segundas Intenções’, com Manuel da Costa Pinto, na Biblioteca de São Paulo (Carandiru).

– Vídeo completo do debate sobre autoficção, também com Manuel da Costa Pinto, que fiz no Café Filosófico da CPFL/Campinas: https://vimeo.com/162537991.

– Participação (a 42:00) no programa Radioteca, da Universidade de Coimbra/Portugal, em que a jornalista Ines Rodrigues também entrevistou Luiz Rufffato e falou de Paulo Scott e Julián Fuks: https://goo.gl/6Fm2FY

Um lagarto à espreita

Leonardo Padura em O Homem que amava os cachorros (Boitempo, 589 págs., tradução de Helena Pitta):

“Durante anos Stalin parecera-lhe tão insignificante que, por mais que esquadrinhasse a memória, nunca conseguira visualizá-lo naquele que deve ter sido o primeiro encontro entre os dois, em Londres, em 1907. Nessa altura ele era o Trotski que já tinha atrás de si a dramática participação na revolução de 1905, quando chegou a ser presidente do Soviete de Petrogrado: o orador e jornalista capaz de convencer Lenin, ou mesmo de enfrentá-lo, chamando-o de ditador incipiente, Robespierre russo. Era um revolucionário mundano, mimado e odiado, que deve ter olhado sem grande interesse para o georgiano que acabara de se juntar à emigração, inculto e sem história, com a pele do rosto marcada pela varíola. No entanto, conseguia se lembrar dele naquela coincidência fugaz em Viena, no decurso de 1913, quando alguém os apresentou formalmente, sem achar necessário dizer ao montanhês quem era Trotski, uma vez que nenhum revolucionário russo poderia deixar de conhecê-lo. Lembrava-se ainda que, nessa altura, Stalin apenas apertara a sua mão, voltando para a sua xícara de chá, como um animalzinho mal alimentado, que só conseguiria ficar na sua memória devido àquele olhar distante e amarelo, saído de uns olhos pequenos que, tal como os de um lagarto à espreita – foi esse o pormenor! –, não pestanejavam. Como não fora capaz de perceber que um homem com aquele olhar de réptil era um ser altamente perigoso?”

Egopress

– Diário da queda está entre os 10 finalistas do Dublin International Literary Award. O resultado sai em junho. Mais infos aqui.

– Nesta segunda (4/4, 19h30), estarei no Sesc CPF (SP) conversando com Vivian Schesinger e os alunos do curso Clubes de Leitura: como formar e multiplicar.

– Na sexta (8/4, 19h), converso com Manuel da Costa Pinto sobre autoficção no Café Filosófico (Cultura CPFL, em Campinas).

– Na quarta seguinte (13/4, 20h), participo da Semana do Livro e da Leitura do SESC em Cuiabá, numa mesa com Carlos Henrique Schroeder.

Perguntas ao escritor

– Se seus livros não existissem, ia fazer alguma diferença para alguém além de você?

– Entre escrever um grande livro cujo tema magoará uma pessoa muito próxima e querida ou jamais escrever um grande livro, o que você escolheria?

Publicado na Folha de S.Paulo, 19-12-14. Íntegra aqui.

Novo vocabulário político

A linguagem do poder democrático pode ser chata: porcentagens, orações adversativas sem glória. Um governo só consegue ser funcional com alguma reverência aos fatos. Talvez desse para contar a história brasileira dos últimos vinte anos pelo modo como nossos principais partidos sublinharam ou negaram – sem sucesso – tal monotonia.

Em tese, a social democracia petista é a primazia da política sobre a ação econômica. O social liberalismo do PSDB seria o contrário. No primeiro caso, o discurso foi temperado com algum getulismo e retórica grandiloquente setentista; no segundo, com toques de República Velha e jargão tecnocrata noventista.

Apesar das diferenças de sotaque, visão de Estado e visão da sociedade, ambos são partidos reformistas do fim do século 20. Seus governos têm em comum, ao menos, a ênfase na prosperidade como motor de justiça social. O que volta e meia leva a uma abordagem quantitativa: cidadania é igual a renda, educação é igual a número de alunos na escola ou na faculdade.

Publicado na Folha de S.Paulo, 10/10/2014. Íntegra aqui.

Debates atuais: roteiro básico

– A ataca B de modo agressivo. B responde de modo igualmente agressivo. A acusa B de baixar o nível da discussão.

– Figurão do meio cinematográfico ou teatral perde cargo numa secretaria. Dá entrevista denunciando dirigismo/patrulha ideológica. Figurão ligado à secretaria rebate denunciando as velhas panelas do setor. Um abaixo-assinado é feito. Notas saem em colunas sociais. Em uma coisa todos concordam: faltam verbas.

– Acontece alguma coisa estranha envolvendo Machado de Assis: editora recusa originais de um texto seu enviado com pseudônimo, celebridade diz que o considera chato ou cita frase de Brás Cubas fora de contexto. Cai uma tempestade na cabeça do(s) réu(s). Índices de leitura no país continuam ridículos.

Texto publicado na Folha de S.Paulo, 26/9. Íntegra aqui.

Fukushima e Nescau geladinho

Há uns 15 anos era mais fácil manter a privacidade. O trânsito era melhor. Fukushima era só o nome de uma usina nuclear no Japão. Também era possível telefonar a um serviço qualquer de atendimento, de bancos a operadoras de cabo e telefonia, e não ser moído existencialmente por pedidos de autenticação, prolixidade dos menus e analfabetismo dos atendentes.

A tecnologia é o uso que se faz dela, e seus efeitos são experimentados apenas quando transcendem a pureza dos laboratórios. A pergunta é se a melhora que a ciência traz para o cotidiano, projetando nossa percepção do futuro, é uma constante. Num dos ensaios de Os Limites do Possível (Portfolio-Penguin), André Lara Resende toca no tema ao fazer um apanhado das teorias econômicas, históricas e culturais que justificam a noção moderna de otimismo.

Texto publicado na Folha de S.Paulo, 22/11/2013 (íntegra aqui).

Resposta ao apocalipse

Faça o teste: digite o nome de qualquer hit brasileiro dos anos 1980 no YouTube. Entre os comentários, 99% de chance de alguém ver ali os vestígios de uma era de ouro. A nostalgia inclui Rádio Táxi, Dr. Silvana, até o ursinho Blau-Blau, e pode ser resumida nas palavras do internauta Xreynato: “A mídia só dá valor para essas porqueiras de hoje”.

Texto publicado na Folha de SP em 15/2/2013. Íntegra aqui.

Elogio aos livros difíceis e chatos

Publicado no Blog da Companhia das Letras, junho/2012:

Sempre que perguntam como alguém pega gosto pela leitura, minha resposta é: lendo. Nada contra programas públicos de compra de livros, investimento em bibliotecas, propaganda institucional na TV, clubes de leitura e qualquer recurso que traga a ficção para perto do dia a dia de professores e alunos, mas no fundo o caminho é individual. Existe uma vocação de leitor: ajuda tentar despertá-la, e essa deve ser uma tarefa de governo e educadores, mas não basta. Venho de uma casa onde sempre se estimulou esse gosto, e cada um dos meus irmãos deu resposta diferente ao incentivo.

Numa coluna passada, reclamei carinhosamente dos eventos literários em que não se discute literatura, e sim o aparato pedagógico/econômico/político ao redor da questão no Brasil. Poderia acrescentar o quanto há de mistificador nos slogans que tratam a ficção como um prazer, uma “viagem”, um atalho de ascensão social e libertação do espírito. Ler ficção pode ser tudo isso, mas antes e sempre é um exercício sem utilidade prática, em geral um obstáculo à vida social. Na adolescência, traz mais angústia, isolamento, tristeza e revolta que qualquer outra coisa. Na vida profissional, é mais vantajoso se dedicar a textos técnicos e de “aprendizado”.

Como apreciar um grande romance? Numa dimensão que dê conta de suas qualidades raras, o que só é possível por meio de repertório e comparação, é preciso um longo esforço anterior, anos e anos de contato com grandes, bons, médios, maus e péssimos outros romances. Não espero que uma campanha governamental diga que ler é trabalhoso e até chato muitas vezes, principalmente para quem está começando e não domina os códigos e manhas da prática  que vão do conhecimento vocabular à sabedoria de pular trechos e largar livros no meio , mas de fato é. Quando se afirma que Machado de Assis é um autor inadequado para a escola, não é só porque alguém mais velho terá vivência para entender melhor os personagens de Dom Casmurro. Também porque, para uma apreciação de linguagem e estrutura narrativa, sem as quais esses personagens não existem como tais, faz diferença Dom Casmurro ser o quinto romance que o sujeito lê na vida ou o vigésimo, o centésimo e assim por diante.

Cultura é regra, disse Jean-Luc Godard, e arte é exceção. Qualquer incentivo à democratização do saber gira em torno da primeira, e não haveria como ser diferente. Apenas seria interessante, de vez em quando, ouvir alguém falar em larga escala sobre a última: como o prazer extraído da leitura não é necessariamente direto, fluido e emocional. E como pode ser compensador emergir ao final de dezenas ou centenas de páginas hostis como uma espécie de sobrevivente. O primeiro exemplar da chamada “alta literatura” que li foi O nome da rosa. Eu devia ter uns dezesseis anos e fôlego restrito a enredos policiais (me interessei pela obra de Umberto Eco porque era uma história de detetive). É possível que só tenha ido dali para textos de outros gêneros, registros e densidades porque resisti  por estoicismo, orgulho ou vaidade, não importa  ao cabedal de citações em latim e alusões históricas, religiosas e filosóficas sobre as quais não tinha a menor ideia.

Se ler é uma forma de ampliar a visão de mundo, é pobre limitar a experiência ao que, na forma e no conteúdo, com paternalismo ou demagogia, repete o que já sabemos. Por ocasião do lançamento da Granta e da (bem-vinda) Geração subzero, voltou à tona o debate sem muito sentido que contrapõe qualidade literária e entretenimento. Como se uma coisa excluísse sempre, ou não fosse muitas vezes decorrência da outra. De qualquer forma, Hermano ViannaRaquel Cozer e Francisco Bosco se estenderam com propriedade sobre o assunto, incluindo suas implicações políticas e mercadológicas, enquanto prefiro seguir falando do que sempre será o patinho feio da história: o livro que não é feito para vender, para agradar, para passar o tempo, para dar lição, para render explicações sem fim do autor no Twitter, para virar tese literária ou extraliterária nascida na academia ou na militância antiacadêmica.

É ele, no fim das contas, que mantém a singularidade da ficção escrita, e portanto sua importância, num mundo em que divertir é tarefa cumprida  em geral com mais competência  por séries de TV, cinema, games e assemelhados. Nada contra quem opta por esse caminho ao contar uma história, repito, só não vejo aí superioridade estética ou moral, e nem mesmo despretensão. Na literatura infantil é aceita a regra de não subestimar a inteligência da criança, o que significa não poupá-la de desafios e recompensas proporcionais. No mundo adulto também pode ser assim: o que parece aridez, fragmentação, incoerência, gratuidade e entropia pode ser apenas disfarce do que ainda não se consegue entender numa narrativa. E do que ainda não se sabe que quer.