Um Brasil que morreu

por Michel Laub

Entrevistas de escritores costumam ter alguma dose de mentira. Sendo essa a prática do metiê, é até esperado que manipulemos o discurso para tornar mais interessante a imagem dos nossos livros, tanto para os outros – leitores, crítica – quanto para nós mesmos – porque é preciso renovar o estímulo e seguir numa luta por vezes inglória.

Ler as entrevistas de Sérgio Sant’Anna, ao menos as que estão reunidas no recém-lançado O Conto não Existe (Cepe, 195 págs., organização de André Nigri e Gustavo Pacheco), causa outra impressão. É possível que ela seja falsa também – quem vai saber? –, mas não importa: o fato de eu sempre ter encontrado verdades na obra deste autor clássico da ficção brasileira do fim do século 20, e que seguiu tendo momentos de vigor até sua morte por covid ano passado, como que contamina o julgamento daquilo que ele disse fora dela.  

Trecho inicial de texto sobre Sérgio e André Sant’Anna, publicado no Valor Econômico, 24-9-2021. Íntegra aqui.