Algo chamado decoro mesmo quando estamos sozinhos

por Michel Laub

Junichiro Tanizaki em A Vida secreta do senhor de Musashi (Companhia das Letras, 218 págs., tradução de Dirce Miyamura:

“Damas nascidas numa família de daimyo (…) jamais permitiam que alguém, nem elas próprias, visse os sólidos excretados por seu corpo. Esse tipo de reserva era cumprido cavando-se abaixo do vaso sanitário uma fossa bem profunda que era preenchida com terra depois da morte da dama (…). A discrição sobre este assunto era compartilhada por todas as damas da alta sociedade. Em comparação, o vaso sanitário moderno com descarga automática, embora satisfaça no quesito limpeza e higiene, apresenta tudo abertamente à frente de nossos olhos, e assim (…) é um equipamento vulgar, grosseiro, cujo criador deve ter esquecido que existe algo chamado decoro mesmo quando estamos sozinhos.”