Sobre a escrita

por Michel Laub

Não existem regras para se escrever ficção. Ou melhor, não existem regras gerais. Cada autor encontrará as que são invioláveis no próprio caso, digam elas respeito a gramática, horários, quantidade de luz na escrivaninha, ruína financeira e conjugal.

A metodologia também se adapta ao tipo de literatura almejada. Em “Sobre a escrita”, livro de 2000 lançado há pouco no Brasil pela Suma das Letras (256 págs., tradução de Michel Teixeira), Stephen King fala da necessidade de ler muito e ter autocrítica, dicas vagas o bastante para não estragar a diversidade literária do mundo nem o entusiasmo de ninguém. Mas parte do que é dito no texto serve mesmo para quem quer seguir o modelo de… Stephen King.

É fundamental, portanto, identificar onde está a autoridade de quem publica tratados do gênero. A do autor de “Sobre a Escrita” é diversa das de Mario Vargas Llosa (“Cartas a um jovem romancista”), Francine Prose (“Para ler como um escritor”), James Wood (“Como funciona a ficção”) e tantos outros.

Trecho de texto publicado na Folha de S.Paulo, 17/7/2015. Íntegra aqui.