Olho por dente

por Michel Laub

Diferentemente da imagem que tem hoje, a Lei de Talião foi um avanço no direito penal. Ao menos no da Babilônia do Século 18 a.C.: antes do “olho por olho, dente por dente”, as punições tinham pouco a ver com a gravidade aos crimes. Se alguém roubasse um boi do vizinho, poderia ter a casa incendiada com o rebanho e a família dentro.

Dado o tipo de justiça que anda sendo praticada na Internet, uma versão 2015 do Talião não seria má ideia. Se há algo em falta nas redes sociais, é proporcionalidade. Nos dois sentidos do termo: para alguns notórios políticos e formadores de opinião, nada do que for dito constrangerá uma trajetória de venalidade orgulhosa.

Já para quem tem alguma vergonha na cara, mas erra como qualquer humano, as penas podem ganhar dimensões de Velho Testamento. É sobre esses indivíduos até então anônimos, ou no máximo conhecidos em nichos, que escreve o jornalista britânico Jon Ronson em seu novo livro.

Publicado na Folha de S.Paulo, 8-5-2015. Íntegra aqui.