Viagens invisíveis

por Michel Laub

Muito antes do Instagram e das poses de Francisco Cuoco na piscina de Caras, com um pouquinho mais de ênfase que a dos pensadores dedicados ao tema nas últimas décadas, o escritor e dramaturgo Thomas Bernhard definiu a fotografia como “mania sórdida”, uma “doença que acometeu toda a humanidade” e, em suma, “a maior desgraça do Século 20”.

Em certas circunstâncias, é difícil não ver na sátira do trecho – tirado do romance “Extinção”, de 1986 – algo de profético. Nas atuais viagens, por exemplo: se há algo que não está em falta no Século 21, ao menos quando falamos do turismo de classe média/alta no Ocidente, são imagens de metrópoles cada vez mais parecidas nos costumes, no comércio, nas atrações culturais.

Publicado na Folha de S.Paulo, 10/4/2015. Íntegra aqui.