Suando no apocalipse

por Michel Laub

Num ensaio sobre “Júlio César”, filme de Joseph Mankiewcz baseado em Shakespeare, Roland Barthes vê na transpiração dos personagens um sinal de moralidade. “Todos suam porque debatem algo consigo mesmos”, escreve o pensador francês. Homens até então virtuosos, como Brutus, demonstram o “enorme trabalho fisiológico” que dá abandonar princípios para cometer um crime.

Se há uma moral no suor derramado em São Paulo, que teve dias de 37 graus em meio a uma crise hídrica sem precedentes, ela também deveria vir de uma espécie de culpa: a lembrança de que o clima excêntrico dos últimos anos nasce de uma responsabilidade coletiva, dos danos que nosso estilo de vida causa à natureza segundo a quase unanimidade dos cientistas.

Texto publicado na Folha de S.Paulo, 24/10/2014. Íntegra aqui