Poesia e dicionários

por Michel Laub

Num ensaio sobre o “Grande Diccionario Portuguez”, publicado em 1874 por Frei Domingos Vieira, o também grande Sérgio Augusto de Andrade afirma: “Em nenhum momento [o autor] simula indiferença diante da língua (…). Cada palavra representa um desafio, um compromisso, uma questão de honra, uma sinfonia e o projeto de uma estética.”

Algo parecido dá para dizer do “Partido das coisas”, de Francis Ponge, escrito em 1942 e editado no Brasil pela Iluminuras. Em forma de verbetes, ou mini-ensaios que evocam as características de objetos, pessoas, animais, plantas, lugares e elementos da natureza, o autor francês mistura o que daria para chamar de rigor léxico com a exuberância de sua sensibilidade.

Texto publicado na Folha de S.Paulo, 1/8/2014. Íntegra aqui.