Vida capturada

por Michel Laub

O ato de escrever pode ser descrito em vários níveis, e alguém já disse que no mais pessoal deles o escritor é um tradutor de si mesmo. Ele transforma o universo inesgotável de sua mente, feito de sensações, sentimentos e intuições em geral abstratas, num outro código, a linguagem, que obedece a leis próprias de coerência.

É uma operação que envolve talento inventivo, não há dúvida. Como numa tradução, as palavras escolhidas para reproduzir o sentido original criam um novo sentido. Que precisa ser forte o suficiente, de maneira autônoma, para transmitir uma intensidade que até aqui só funcionou em outro contexto (histórico, cultural, linguístico, íntimo).

Texto publicado na Folha de S.Paulo, 13/9/2013. Íntegra aqui.

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