Um jantar em Paris

por Michel Laub

Daniela Pinheiro em reportagem sobre Antônio Carlos de Almeida, o Kakay, advogado que atua em Brasília, na Piauí:

“O grupo queria jantar no restaurante Les Ombres, onde se recomenda fazer reserva com semanas de antecedência. Telefonou-se e confirmou-se que o restaurante estava lotado. Passaram-se dez minutos, Kakay desapareceu brevemente, voltou e comunicou a todos: ‘Temos reservas para as 10 horas no Les Ombres.’ Em seguida, ofereceu o telefone da pessoa que lhe arruma uma mesa a qualquer hora em qualquer restaurante da cidade.

No telhado do Quai Branly, o Les Ombres é uma caixa de vidro que faz com que a Torre Eiffel pareça estar dentro do salão. Kakay prevenira os amigos de que levaria um cliente para o jantar. Era o libanês Samir Traboulsi, que é considerado um dos maiores colecionadores de arte moderna da Europa. Ele também é conselheiro de grandes grupos industriais, sobretudo na área de telefonia móvel (…). Segundo Kakay, Traboulsi lhe apresentara ‘dois bons clientes’ e se mostrara interessado em conhecer alguns empresários brasileiros. ‘Hoje, esse pessoal quer interlocução com as empresas, não com o governo”, disse. ‘Se eu puder, eu apresento, não me custa nada, mas não quero me meter com isso, não.’ Contou que, uma vez, apresentou dois empresários que fecharam um grande negócio. Seu irmão achava que ele deveria ter ganho ‘pelo menos 5 milhões’ pela conexão. ‘Eu não faço’, ele disse. ‘Porque, se apresentando uma pessoa você ganha isso, na terceira vez você está rico. E aí perde o rumo na vida. Eu quero e gosto de advogar.’

Samir Traboulsi reclamou do serviço, do vinho, do restaurante – ‘armadilha para turistas’ – e de ser atendido por um garçom negro. Kakay estava constrangido. Ao longo da conversa, o milionário falou sobre suas casas em Paris, Londres e Monte Carlo, onde ofereceu um jantar para Paulo e Sylvia Maluf anos atrás. Segundo ele, o casal só ficava olhando para o relógio esperando a hora de ir para o cassino, dispensou o Château Lafite que ele havia escolhido e exigiu Château Pétrus. Kakay mencionou-me ter um amigo que só toma Pétrus. ‘Uma vez, jantamos em três e a conta foi de 120 mil reais, acredita?’.”

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