Três filmes em cartaz

por Michel Laub

Bravura indômita – Homenagem ao filme original e à mitologia do western: whisky, decadência física, tribunais mambembes, tiro ao alvo em frutas no meio do nada. De quebra, diálogos ásperos e estranhamente melódicos sobre cavalos, veneno de cobra, um cadáver trocado por dois espelhos, enfim, a vida dura de quem precisa buscar água à noite porque pela manhã o rio estará sempre congelado.

O vencedor – Mais mitologia, desta vez sobre os ringues: peras, cordas, dentes quebrados. Sugar Ray é lembrado numa luta controversa, e Rocky Balboa é a sombra por trás do momento inevitável em que todos resolvem treinar a sério. Só que o filme é Christian Bale, seus tiques de viciado e improvável autoconfiança, plasmada num carisma que transcende o personagem, seu irmão, sua cunhada, sua família e a história até certo ponto convencional de sua queda e redenção.

Cisne negro – Há algo falso aqui, e não é a falsidade proposital da intriga e da abordagem. Talvez a presença sem ironia de dois clichês majoritários do cinema: o personagem psicótico/paranóico/histérico que não sabe o que é “real” ou não, com o público sendo obrigado a embarcar nesse trem da Grande Dúvida, e o mito romântico do artista que só atinge o sublime de sua arte se viver de verdade (a.k.a. bebida, sexo, rompimento com a família e via-crúcis nas mãos de algum treinador/maestro/diretor/coreógrafo tirano). Ou talvez a sensação de que o diretor propõe uma espécie de suborno: dar pistas não muito sutis disso tudo, fazendo parte da plateia se sentir sofisticada por entender, e em troca ganhar seu agradecimento silencioso. Uma pena, porque as cenas de balé são boas e, enfim, Natalie Portman.