‘Verão’, de J.M.Coetzee: trechos (1)

por Michel Laub

Uma das ex-namoradas do personagem John Coetzee, falando de sua literatura e desmentindo o post anterior (ou seja, não desmentindo):

“Achava John inteligente, achava que era culto, tinha admiração por ele sob vários aspectos. Como escritor, ele sabia o que estava fazendo, tinha um certo estilo, e estilo é o começo da distinção. Mas ele não tinha nenhuma sensibilidade especial que eu pudesse detectar, nenhum insight original sobre a condição humana. Ele era apenas um homem, um homem do seu tempo, talentoso, talvez até dotado, mas, francamente, nenhum gigante (…).

Não me lembro de todos [os livros]. Depois de Desonra eu perdi o interesse. No geral, eu diria que o trabalho dele é desprovido de ambição. O controle dos elementos é muito estrito. Em nenhum ponto você tem a sensação de um escritor que deforma a sua mídia a fim de dizer o que nunca foi dito, o que, para mim, é a marca da grande literatura. Muito impassível, muito organizado, eu diria. Muito fácil. Muito desprovido de paixão. Isso é tudo.”