Cem escritores brasileiros e suas manias quando escrevem (9)

por Michel Laub

Alexandre Rodrigues, autor de Veja se você responde essa pergunta – “Nunca escrevo antes das 3 da manhã. Pode ser que tente, mas praticamente nunca algo vai acontecer antes deste horário. Para abrir os trabalhos, costumo ler pequenos trechos de três ou quatro livros por vez. Preciso de silêncio absoluto. Diante do meu prédio tem um bueiro solto. Os carros passam em cima e fazem um ‘ramplam’. Já pensei em subornar um funcionário da prefeitura para dar um jeito. Ou eu mesmo dar um jeito. Não admito música no ambiente. Antes de começar, alimento os gatos, troco a água e limpo a areia para não haver interrupção. Em todos os contos de Veja…, exceto um, estava chapado. Não apologizo e nem recomendo, mas o fato é que funcionou. Dificilmente bebo, jamais fico bêbado. Reviso o que escrevi logo ao acordar, depois deixo o texto por mais algumas horas. E mesmo que não consiga escrever nada, quando estou escrevendo espero o dia amanhecer antes de dormir. Uso sempre a mesma fonte e corpo 11. Às vezes faço experiências para mudar. Essa semana tentei de novo ouvir música. Apenas uma música, a mesma, tocando no repeat. Uma música brega dos anos 70 que nem arranhou a parada de sucessos. Tentei ver se a vontade de me livrar daquela música ruim acelerava as coisas. Não deu certo. 
E não posso garantir que não estou mentindo.”

Marcelo Moutinho, autor de Somos todos iguais nesta noite – “Até pelo ofício de jornalista, que nos obriga a redigir em ambentes movimentados e não raro barulhentos, em geral não preciso de muita preparação quando vou escrever ficção. O fundamental é que haja café em profusão e – ainda mais relevante – que não ninguém fite a tela enquanto digito. Prefiro escrever pela manhã, quando a mente ainda está vazia. E na maior parte das vezes, quando me sento para trabalhar, já tenho algumas anotações sobre o conto a ser criado: observações sobre enredo ou personagem, frases soltas, em alguns casos o final da história.”

Mariana Ianelli, autora de Almádema ­– “Escrevo sempre de madrugada, a luz do escritório apagada, uma luminária e dois abajures acesos. Basicamente, o ambiente é este: janelas fechadas, uma fruta, um chazinho, os cadernos de anotação e os papéis na mesa, uma boa caneta, ninguém por perto além dos gatos.”

Santiago Nazarian, autor de O prédio, o tédio e o menino cego – “Antes de tudo, não consigo escrever com ninguém na minha casa, mas isso é tranquilo porque moro sozinho e não costumo receber hóspedes. Televisão ligada também não dá. Um sonzinho já pode ajudar a dar clima. MSN ligado é ok. Tenho escrito mais de manhã, logo ao acordar, tomando café, coca-cola, café, coca-cola, até um ponto em que estou tão pilhado de cafeína que não consigo mais pensar, daí saio pra academia.”

Sergio Sant’Anna, autor de O voo da madrugada – “Escrevendo, a cada dia, tenho a sensação  de buscar o impossível”.

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