Filmes em cartaz

por Michel Laub

It might get loud Documentário com takes preciosos de Jimmy Page tocando Whole lotta love e uma versão de The weight, mas que vale mesmo pelo contraponto entre os estilos dos outros protagonistas: The Edge, cujo senso melódico é quase todo baseado em tecnologia – efeitos de pedal, por exemplo, responsáveis por sua marca mais célebre, o delay –, e Jack White, o mais novo e purista dos três. Na preferência por instrumentos ruins – “para lutar contra eles” – e no gosto pelo despojamento, que estaria mais próximo de uma verdade essencial da música – sua canção preferida, Grinnin’ in your face, de Son House, foi gravada apenas com voz e palmas –, ele faz uma ponte entre gêneros que não costumam ser muito associados, o blues e o punk.

Guerra ao terror – Há um momento em que em que você não torce contra e nem a favor do sargento americano recém-chegado a uma unidade de elite no Iraque. Isso talvez seja bom – porque estabelece a ambiguidade de que gostam tanto por aí – ou ruim – porque os personagens não são carismáticos ou, pior, as longas sequências de desarme de bombas acabam se tornando enfadonhas. Só que o desfecho redime tudo: na velha linhagem inaugurada por Apocalypse now, e como espécie de complemento a Jarhead, de Sam Mendes, que tratava do primeiro conflito no golfo, o filme de Kathryn Bigelow se revela menos uma história sobre implicações da guerra em larga escala do que sobre a guerra de cada um – independentemente dos mortos, dos feridos e da prateleira de sucrilhos.