Dois filmes de Oliver Stone sobre presidentes republicanos odiados

por Michel Laub

W – A técnica apurada de sempre, tanto nas imagens quanto na narrativa, e a mão pesada de sempre. Nem falo dos diálogos que pretendem reproduzir a história “real” – e tenho preguiça em saber se foi assim ou não, porque não faz muita diferença –, mas em detalhes claramente direcionados: George Bush dando uma cantada em sua futura mulher com a boca cheia de hambúrguer, ou sendo manipulado de forma infantil por Rumsfield e cia. Enfim, para quem acredita em teorias freudianas literais – a obsessão de W por seu pai – ou na hipótese de que alguém pode chegar à presidência dos Estados Unidos, independentemente do óbvio fracasso político e humano de sua gestão, sendo um idiota quase completo.

Nixon – A mesma obsessão freudiana – desta vez em relação a Kennedy – e a mesma mão pesada nas metáforas – um bife sangrando enquanto à mesa se discute um bombardeio, ou um cavalo que bufa de olho arregalado enquanto um pacto escuso é proposto a J. Edgar Hoover. Mas Stone manipula menos aqui, talvez por estar convencido da contradição entre grandeza e mesquinharia, geopolítica às vezes vitoriosa e constante desastre interno que marcou a gestão Nixon. Uma tragédia em tom grandiloquente, com diálogos eventualmente patéticos, resumida no momento em que Anthony Hopkins e Paul Sorvino se ajoelham para rezar por uma América que já não existia, se é que um dia existiu – aquela de Norman Rockwell, das tortas de maçã no subúrbio, dos desfiles de bombeiros carregando bandeirinhas longe do Vietnã, de Woodstock e do Watergate.

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