Dois grandes filmes sem (quase) nenhuma mulher em cena

por Michel Laub

Soldado anônimo – Uma guerra movida a areia, máscaras de gás e Kanye West, onde a violência que nos acostumamos a ver nos cenários do Vietnã – em meio a selva, fumo e The Doors – é substituída por uma espera tediosa e igualmente absurda. O melhor filme de Sam Mendes, disparado, com uma sequência impressionante rodada no deserto – o encontro à noite, tão apocalíptico quanto as histórias do coronel Kurz em seu monólogo final, entre um jarhead e um cavalo encharcado de óleo.

Mestre dos mares – Com exceção de uma prostituta brasileira que aparece por algo como 15 segundos, o resto é o capitão Lucky Jack enquadrado por Peter Weir: seus mapas, seu violino, seus banquetes e sua obstinação maníaca em fugir e perseguir um navio da esquadra napoleônica. Ouvida no sistema de som de uma sala decente, nenhuma sonoplastia se compara à da batalha inicial, com o ranger das tábuas e o estrondo dos canhões em meio a um pesadelo de marujos correndo na neblina. E nenhuma aventura em alto mar tem cenas como as do biólogo que captura espécies novas em Galápagos, ou personagens com tanta sorte quanto Jonas – quer dizer, considerando as formas possíveis de escapar do escorbuto, do trabalho no convés e das pernas amputadas.

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