Resumo de uma vida

por Michel Laub

William Faulkner, no apêndice de O som e a fúria, descrevendo a biografia do personagem citado no post anterior:

“Quando por fim até mesmo a mãe se deu conta de que ele era o que era e insistiu aos prantos que era preciso mudar seu nome, foi renomeado Benjamin pelo irmão Quentin (Benjamin, o último a nascer, vendido no Egito). O qual amava três coisas: o pasto que foi vendido para custear o casamento de Candace e os estudos de Quentin em Harvard, a irmã Candace, a luz do fogo. O qual não perdeu nenhum dos três porque na verdade não conseguia se lembrar da irmã e sim apenas de sua perda, e a luz do fogo era a mesma forma luminosa do adormecer, e o pasto era até melhor depois de vendido do que antes porque agora ele e T.P. podiam não apenas seguir atemporalmente ao longo da cerca o movimentos que para ele não importava que fossem de sereshumanos com tacosdegolfe, mas também T.P. agora ia com ele a tufos de grama ou mato onde de repente apareciam na mão de T.P. pequenas esferas brancas que enfrentavam e até mesmo derrotavam o que ele nem mesmo sabia ser a gravidade e todas as leis imutáveis quando a mão a lançava contra o chão de tábuas corridas ou a parede do defumadouro ou na calçada de concreto. Castrado em 1913. Internado no Asilo Estadual, Jackson, em 1933. Também nesta ocasião não perdeu nada porque, tal como no caso da irmã, não se lembrava do pasto e sim da perda do pasto, e a luz do fogo continuava sendo a mesma forma luminosa do sono.”

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