Dois trechos sobre nomes

por Michel Laub

1) Um dos narradores de William Faulkner em O som e a fúria (Cosac Naify, 331 págs.), sobre um personagem que foi rebatizado depois de descoberta sua deficiência mental:

“Ele sente o cheiro das coisa que a gente diz pra ele quando ele quer. Não precisa escutar nem falar não. Será que ele sente o cheiro do nome novo que deram para ele? O cheiro do azar?”

2) João Gilberto Noll em A fúria do corpo (Record, 272 págs):

“O meu nome não. Vivo nas ruas de um tempo onde dar o nome é fornecer suspeita (…). Não me pergunte pois idade, estado civil, local de nascimento, filiação, pegadas do passado, nada, passado não, nome também: não. Sexo, o meu sexo sim: o meu sexo está livre de qualquer ofensa, e é com ele-só-ele que abrirei caminho entre eu e tu, aqui.”