Dois inícios entusiasmantes

por Michel Laub

1) O de um conto de Robert Coover citado por Tom Wolfe em Radical chique e o novo jornalismo (Companhia das Letras, 245 págs.):

“Para conseguir começar, ele foi viver sozinho numa ilha e se matou com um tiro.”

2) O de Excession, de Iain Banks, descrito e devidamente comentado por Nick Hornby neste trecho de Frenesi polissilábico (ver posts anteriores):

“Nada nas poucas páginas que consegui ler era em absoluto ruim; o problema é que não entendi uma palavra. Nem sequer entendi a sinopse na contracapa do livro: ‘Dois mil e quinhentos anos atrás, o artefato apareceu num remoto ponto do espaço sideral, ao lado de um sol moribundo de um trilhão de anos, num universo diferente. Era uma esfera perfeita, negra, que permanecia inerte. De repente, desapareceu. Agora voltou.’ (…) Quando cheguei no primeiro capítulo, intitulado Problema de contexto externo, que começa assim: ‘(CGU Área Cinza, seqüência de sinal arquivo número n428857/119)’, eu chorava tanto que não conseguia mais enxergar a página à minha frente.”