Nick Hornby e o frenesi

por Michel Laub

Pode-se dizer qualquer coisa de Nick Hornby, menos que ele não saiba escrever com fluidez, inteligência e humor. Em seus romances isso nem sempre basta, talvez porque os achados pop que abundam em sua prosa não garantam sozinhos a densidade estética e psicológica que a ficção muitas vezes exige. Não que sejam maus romances, apenas acho que suas qualidades como escritor aparecem mais no formato de não-ficção. É nele que escreveu dois ótimos livros: Febre de bola (Rocco, 248 págs.), suas memórias de torcedor do Arsenal, e o agora lançado Frenesi polissilábico (Rocco, 264 págs.), coletânea de resenhas publicadas na revista americana The Believer.

Na verdade, são menos resenhas que conversas sobre livros – leves, sinceras, repletas da habitual mistura de descrições apaixonadas e auto-ironia, numa constante defesa dos prazeres da leitura descompromissada frente ao engessamento de categorias acadêmicas e ideológicas. E o que é mais importante em se tratando de análise literária: seja falando das obras em si, seja de temas em geral ignorados pela imprensa do meio – o tamanho das histórias, por exemplo, ou a forma como são apresentadas as edições –, os textos trazem a marca inconfundível de autores que pensam sozinhos, mesmo quando erram.

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