Festas e fatwas

por Michel Laub

Esta semana acontece a edição de Los Angeles da já célebre Lebowski Fest, em que a rapaziada joga boliche e toma white russians como se estivesse naquele que é o filme mais alucinado dos irmãos Coen. O evento, que nasceu no Kentucky, mostra que O grande Lebowski ultrapassou as barreiras do cult movie para se incorporar ao imaginário dos Estados Unidos.

Talvez dê para dizer que essa é a forma definitiva de aclamação artística, muito além do mero aplauso de crítica ou do público. O que é uma resenha na Cahiers du cinéma perto de um casamento celebrado por um padre vestido de Darth Vader, ou de um diretor comercial que, como alegremente revelou numa reportagem da Folha há alguns meses, usa métodos do Capitão Nascimento para motivar seus subordinados? É bastante incomum a arte interferir no mundo real. Quando acontece, é uma prova inegável de seu poder – estético, sociológico, moral, seja lá qual for.

Um exemplo do outro lado da moeda, ou seja, da variante mais concreta e sombria de rejeição cultural, costuma ser usado por um amigo quando o assunto é o radicalismo da crítica: a condenação do Aiatolá Khomeini ao romance Os versos satânicos, de Salman Rushdie.