Duas perguntas para Sérgio Rodrigues

por Michel Laub

 

Escritor e jornalista, autor do blog todoprosa e do recém-lançado Elza, a garota (Nova Fronteira, 240 págs.), romance baseado num episódio histórico controverso – o assassinato, a mando do Partido Comunista Brasileiro, da namorada de um de seus dirigentes, em 1936.

 

O que é mais difícil: botar fatos reais numa ficção ou ficção em fatos reais?

Tecnicamente dá no mesmo, mas injetar ficção em fatos reais é mais perigoso. O risco de falsear uma certa verdade histórica aumenta a responsabilidade. Seja como for, os dois processos me interessam, e a fronteira entre eles nem sempre é tão clara no Elza, que investe pesado num embaralhamento dessas coisas.

 

Você certamente imaginou que o romance ganharia muitas leituras ideológicas. Isso influenciou na maneira como ele foi escrito?

Creio que não. Imaginar como os leitores reais vão ler é algo que sempre evitei fazer enquanto escrevo, pois pode ter efeito paralisante. Por outro lado, sim, mas só no sentido de que eu escrevo para mim mesmo, sou meu primeiro leitor. E desde o início me interessava descascar as camadas ideológicas dessa história em busca de um certo miolo, uma verdade que fosse ao mesmo tempo histórica e romanesca. Se fui bem-sucedido, o livro está cheio de antídotos contra leituras simplistas de esquerda e de direita.

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