Caetano: bossa nova, tropicalismo e imprensa

por Michel Laub

 

Outro trecho de O som do pasquim (ver post anterior):

 

“Quando digo que o meu trabalho e o de Gil não são do mesmo nível da bossa nova, é porque o nosso trabalho não tem uma característica formal definida (…). Você pode pegar um disco do João Gilberto, tocar 500 vezes e, se você tem bom ouvido musical, você pega os acordes e faz. Agora uma coisa que não tem uma forma definida, como o nosso trabalho, como é que você vai imitar?”

 

Falar bem ou mal de Caetano Veloso não deixa de ser uma espécie de moda, e a tendência negativa atual parece que mudará, dados os elogios que seu novo disco vem recebendo. Independentemente disso, e em meio ao barroquismo que sempre envolve suas respostas, não dá para negar a precisão de alguns de seus diagnósticos – como o citado acima, de 1971, ou o seguinte, tirado de Pós-tudo, o livro comemorativo dos cinqüenta anos da Ilustrada que saiu em 2008 (Publifolha, 368 págs.):

 

“Eu não sou frankfurtiano. Acho que quando os artistas eram posse do príncipe ou do Papa não estavam em melhor situação do que sendo posse do mercado (…). O jornalista tende a gostar muito do Adorno (…). Há uma contradição, porque Adorno odiaria esse mundo do jornalismo. Ainda mais o dos segundos cadernos, que é o mundo do entretenimento, da indústria da cultura.”