Música brasileira: dinheiro, mulheres e discos voadores

por Michel Laub

 

Longe de mim endossar qualquer conversa nostálgica sobre cultura e imprensa: de maneira geral, e isso não se restringe aos dois temas, acho que o mundo hoje é melhor que trinta, cinqüenta ou cem anos atrás. Mas é fato que entrevistas como as reunidas em O som do pasquim, com organização de Tárik de Souza (Desiderata, 277 págs.), há algum tempo deixaram de ser comuns. Talvez porque os artistas em 2009 tenham mais informação – ou assessoria – que naquela época, o que filtra um pouco de sua sinceridade, digamos assim. Ou porque os veículos não fazem mais longas sessões de perguntas em bares, hábito do Pasquim que, coincidentemente ou não, resultava em declarações como estas:

 

Agnaldo Timóteo – “No Plaza, cansei de tomar dinheiro com nome de outros: ligava e tomava uma grana. (…) Tem um cara aí, que escreve para jornal, que uma vez eu telefonei para uma boate com o nome dele, fui lá e apanhei 10 contos!”.

 

Moreira da Silva (perguntado sobre o boato de que seu samba mais conhecido, Na subida do morro, na realidade era de Geraldo Pereira) – “Sim, é verdade. Ele me vendeu por 1 conto e 300.”

 

Waldick Soriano – “Nenhuma mulher deve pensar que o homem fora de casa vai ser fiel a ela, entendeu? O homem sempre tem necessidade de procurar outra mulher. E se a mulher fica grávida, o homem não é culpado, entende? Nós somos assim: um servindo o outro.”

 

Raul Seixas – “(O disco voador estava) parado, estático. O Paulo (Coelho) chegou e nós começamos a conversar, sentados. Foi como se a gente tivesse feito uma viagem no próprio disco. E vendo a problemática toda do planeta.”

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