Filmes em cartaz

por Michel Laub

 

Milk, de Gus Van Sant – uma série de atributos impecáveis – direção, atuações, reconstituição de época – a serviço de uma certa facilidade, pelo menos em relação ao público esclarecido: o fato de que somos todos a favor dos direitos civis universais e da luta de figuras como Harvey Milk. Van Sant quis fazer uma homenagem e teve a habilidade de não produzir um mero panfleto, mas não foi muito além disso: justamente ou não – e só quem conhece a história real pode saber –, seu protagonista não tem muito relevo ou contradições, e sua trajetória é um tanto previsível, com o desfecho inclusive anunciado logo na abertura.

 

Frost/Nixon, de Ron Howard – Caso semelhante ao de Milk – sabemos para quem torcer desde o início –, mas com uma diferença a seu favor. Embora seja um diretor com menos recursos que Van Sant, e talvez até por isso, Howard não teve medo de aderir a alguns convencionalismos narrativos que acabam dando tempero à história. O momento Rocky Balboa, por exemplo, quando, já quase derrotado, o entrevistador percebe que precisa dar duro se quiser virar o jogo. Ou os pequenos tiques que fazem de Nixon uma figura mais charmosa e humana do que pressupõe a versão que temos a seu respeito.

 

Quem quer ser um milionário?, de Danny Boyle –Triste que o cineasta que fez os ótimos Cova rasa e Trainspotting, e já prenunciava o declínio com Por uma vida menos ordinária, A praia e o superfaturado Extermínio, tenha se conformado em piscar o olho para a crítica neste suposto tributo a Bollywood. O filme é uma armadilha: basta apontar o óbvio – o esquematismo do roteiro, a inverossimilhança dos personagens, a abordagem turística da Índia, a ligeireza moral dos conflitos, as cenas gratuitamente desagradáveis – para que sejamos acusados de não entender as intenções paródicas do roteiro. De minha parte, prefiro os originais com princesas e elefantes – isso, claro, na hipótese de estar tomando choque da polícia e precisar escolher.