Coisas que eu gostaria de ler menos na crítica e na imprensa cultural

por Michel Laub

 

Títulos fazendo paródia com nomes de obras – do tipo O teatro segundo Zé Celso, Zé Celso no país do carnaval, Zé Celso de olhos bem abertos, Quem tem medo de Zé Celso pelado.

 

Ponderação em matérias sobre Paulo Francis – “Podia-se não concordar com tudo o que ele escrevia, mas era impossível ficar indiferente à sua verve.”

 

Escola de Frankfurt – a revelação de que o Big Brother representa o pensamento massificado. O lamento de escritores sobre o fato de que só Paulo Coelho vende. Sarcasmo com o público que vai à cantina depois de ver O fantasma da ópera. Axé, pagode, Preta Gil: problemas a debater.

 

Escola Regina Casé – uma defesa deste Brasil imenso e de sua diversidade de credos, raças e manifestações estéticas nunca legitimadas pelo pensamento encastelado da academia.

 

Hugo Chávez relendo Brecht – análises como esta, em que Otelo, de Shakespeare, é definida como “tragédia da propriedade”. Ou esta, segundo a qual o tubarão do filme de Spielberg é um “braço repressivo” que pune o “proletário do mar” (no caso, um pescador).

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