Filmes em cartaz

por Michel Laub

 

O lutador, de Darren Aronofsky – sobre a essência de ser white trash: trailers, anabolizantes, bronzeamento artificial, cabelos longos, strippers, Guns and Roses. O cinema tem o costume de tratar esse universo com desprezo, condescendência ou como num freak show, ou seja, com um grau maior ou menor de distanciamento. Aronofsky fez o contrário: filmou a história de um astro decadente de luta livre muito de perto, tanto em termos físicos – fazendo questão de dar closes nas cicatrizes, rugas e músculos flácidos de Mickey Rourke – quanto psicológicos –  buscando entender seus motivos, a tragédia e a comédia de sua luta inglória, que por causa dessa generosidade acaba sendo muito mais doce do que sórdida.

 

A dúvida, de John Patrick Shanley, e O leitor, de Stephen Daldry – Duas histórias sobre dilemas éticos que giram em torno de temas meio surrados – pedofilia e nazismo, respectivamente. A diferença, como sempre, é o que se faz a partir da premissa: enquanto Shanley povoa seu filme com situações e personagens corretos, mas não muito interessantes, e manipula o espectador ao fazê-lo torcer para um dos lados até a trama sofrer uma reviravolta um tanto quanto abrupta, Daldry se abstém de fazer jogos morais num terreno tão minado quanto o da culpa alemã no pós-guerra. Mesmo assim, não sufoca o que pode haver de ambíguo e humano neste drama sui generis, incluindo aí a relação entre Kate Winslet e um garoto de 16 anos – sobre a qual, pelo menos para os leitores masculinos do blog, não é preciso fazer nenhum comentário.

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