Michel Laub

Categoria: Livros

Feriado

Um ensaio – Joan Acocella sobre o Livro de Jó (http://goo.gl/GuGTrU)

Uma reportagem – Julia Duailibi sobre a Comissão da Verdade (Piauí).

Uma exposição saindo de cartaz – Coleção Ludwig, CCBB.

Uma peça que saiu de cartaz – Tríptico Beckett, dir. Roberto Alvim.

Um disco – Live from KCRW, Nick Cave.

Fim de semana

Um livro – Lionel Asbo, Martin Amis (Companhia das Letras, 352 págs.)

Um depoimento entusiasmado – J.M.Coetzee sobre a beleza (http://goo.gl/ftJkOX).

Outro – Bernardo Carvalho sobre o Paquistão e a Índia (na Piauí).

Um filme – Inside Llewyn Davis, irmãos Coen.

Outro – Dallas buyers club, Jean-Marc Vallée.

Por que viúvos gostam de ópera

Julian Barnes em Altos voos e quedas livres (Rocco, 127 págs., tradução de Léa Viveiros de Castro), livro sobre balonismo, fotografia e o luto por sua mulher Pat Kavanagh:

“Durante a maior parte da minha vida, essa tinha me parecido ser a forma menos compreensível de arte. Eu não compreendia realmente o que estava acontecendo (apesar de ler atentamente os resumos da história); tinha um certo preconceito contra aqueles piqueniqueiros de smoking que pareciam ser donos do gênero; mas acima de tudo eu não conseguia deixar minha imaginação voar. Óperas parecem peças inteiramente implausíveis e mal construídas, com personagens berrando ao mesmo tempo na cara um dos outros. O problema inicial – o de compreensão – foi resolvido pela introdução de traduções projetadas acima do palco. Mas agora, na escuridão de um auditório e na escuridão do luto, a implausibilidade do gênero de repente desapareceu. Agora parecia natural que as pessoas entrassem no palco e cantassem umas para as outras, porque a música era uma maneira mais primitiva de comunicação do que a palavra falada – ao mesmo tempo mais alta e mais profunda. Em Don Carlo, de Verdi, o herói acabou de conhecer sua princesa francesa na floresta de Fontainebleau e já está de joelhos cantando: “Meu nome é Carlo e eu te amo”. Sim, pensei, está certo, é assim que a vida é e deveria ser, vamos nos concentrar no que é essencial. É claro que a ópera tem um enredo (…), mas sua função principal é levar os personagens o mais rápido possível ao ponto em que eles possam cantar a respeito de suas emoções mais profundas. A ópera vai direto ao ponto, assim como a morte (…). Aqui estava meu novo realismo social.”

Fim de semana

Um livro – Altos voos e quedas livres, Julian Barnes (Rocco, 127 págs.).

Um ensaio – Philip Seymour Hoffman por Anthony Lane (http://goo.gl/i0oiPn)

Um filme – Entre nós, Paulo Morelli.

Uma temporada, tirando a primeira metade do último capítulo – True Detective.

Uma exposição – Fotos de escravos no Frei Caneca.

Tipos intelectuais, 2014

– Destaque das humanidades ou da ciência que vira um idiota quando o assunto é política.

– Crítico literário que, ditando todo tipo de regra sobre como a prosa alheia deve ser, escreve em prosa ilegível.

– Nostálgico de algo que nunca houve: respeito pela coisa pública, arte elevada que já nasce elevada, Rio de Janeiro cordial e lírico.

Texto publicado na Folha de S.Paulo, 14/3/2014. Íntegra aqui.

Fim de semana

Uma exposição em Lisboa – Rui Chafes, Gulbekian.

Uma exposição em Paris – Gustave Doré, museu D’Orsay.

Outra – Carl Larsson, Petit Palais.

Um filme – Ninfomaníaca – parte 2, Lars Von Trier.

Uma seleção – 80 trechos de Philip Roth, por Camila Von Holdefer (http://goo.gl/vsJ8F3).

Querido Papai Noel

Em mais este Natal cristão, dê um presente ao meio cultural brasileiro fazendo com que:

- A disciplina de interpretação de texto se torne diária em todas as escolas, de preferência em aulas longas e sem direito a ir ao banheiro.

- Volte a ser possível ser contestado sem acusar o contestador de baixar o nível da discussão.

Texto publicado na Folha de S.Paulo, 6/12/2013. Íntegra aqui.

Fim de semana

Uma reportagem – David Zwirner e como funciona o mercado de arte (aqui).

Um documentário – Don DeLillo na BBC (aqui).

Um single – The Lord is out of control, Mogwai (aqui).

Uma mostra – Luigi Ghirri no IMS.

Uma edição – Decamerón, 10 novelas selecionadas (Cosac Naify, 128 págs.).

Semimorto em Frankfurt

Às vezes viajar é ótimo, às vezes é um pesadelo. Eventos de literatura são a mesma coisa. Tenho participado de uns trinta por ano. Não me queixo: faço porque quero, fico feliz que leiam minhas coisas e tenham interesse no que digo. Há escritores com agendas mais e menos cheias que a minha. Poucos não têm agenda além de escrever. Tenho consciência de que afundaria em neurose se ficasse apenas em casa. Ao mesmo tempo, a neurose não respeita aeroportos e hotéis. Passarei as próximas duas semanas na Alemanha, a convite da Fundação Biblioteca Nacional, que trouxe 65 autores para a edição da feira de Frankfurt que em 2013 homenageia o Brasil.

Texto publicado na revista Piauí, novembro de 2013. Íntegra (para assinantes) aqui.

Fim de semana

Um filme – Blue Jasmine, Woody Allen.

Um disco – Virgins, Tim Hecker.

Um romance brasileiro – Todos nós adorávamos caubóis, Carol Bensimon (Companhia das Letras, 192 págs.).

Outro – O drible, Sérgio Rodrigues (Companhia das Letras, 224 págs.).

Um japonês no Rio – Miako.

Fim de semana

Um disco – Wild light, 65daysofstatic.

Uma exposição – Kubrick no MIS.

Uma piscina – AAAOC.

Um filme esquisito – O conselheiro do crime, Rilley Scott.

Um livro – In defense of flogging, Peter Moskos (Basic Books, 192 págs.).

Morrissey

Por volta de 1987, quando os Smiths eram minha banda estrangeira preferida, seu cantor e líder Morrissey atacou o então onipresente George Michael com uma frase que cito de cabeça: “Se ele experimentasse viver a minha vida por um minuto, correria até a árvore mais próxima e se enforcaria”. Talvez involuntariamente, as recém-lançadas memórias de Morrissey (Autobiography, Penguin Classics) tornam a declaração emblemática.

Texto publicado na Folha de S.Paulo, 8/11/13. Íntegra aqui.

Fim de semana

Uma exposição – William Kentridge na Pinacoteca.

Um livro difícil – Desejo, Elfriede Jelinek (Tordesilhas, 239 págs.).

Um filme meio fácil – O mordomo da casa branca, Lee Daniels.

Um festival – SP Burguer Fest.

Um disco – Reflektor, Arcade Fire

Fim de semana

Um livro – Conversas com Kubrick, Michel Ciment (Cosac Naify, 384 págs.).

Outro Autobiography, Morrissey (Penguin Classics, 480 págs.).

Um perfil – Norman Mailer na New Yorker.

Um disco – The unissued 1965 half note broadcasts, Wes Montgomery.

Outro – Lightning bolt, Pearl Jam.

Fim de semana

Um disco – Dream river, Bill Callahan.

Um perfil antigo – Bruce Springsteen por David Remnick (aqui).

Um conto de autor novo – Minha defesa, Thiago Picchi (aqui).

Um rum – Aniversario.

Um filme – Antes da meia-noite, Richard Linklater

Fim de semana

Um livro – Os irmãos sister, Patrick deWitt (Planeta, 208 págs.).

Um perfil – Philip Roth na New Yorker.

Um museu em Frankfurt – Städel.

Outro – Ikonen-Museum.

Um restaurante – Viet Rice.

Répteis e extremistas

Um dos bons livros que li este ano foi Them, de Jon Ronson, jornalista britânico que acompanhou o dia a dia de extremistas religiosos e políticos. Entre seus personagens há um chefe da Ku Klux Klan, um líder protestante contrário aos acordos de paz na Irlanda e um mulá que tenta arrecadar fundos para a jihad islâmica na Inglaterra.

O livro foi publicado em 2001, antes dos atentados do 11 de Setembro, e pode ser considerado peça premonitória do que seria a década seguinte. Ou instantâneo de um mundo que não existe mais, em que os resultados universais e trágicos do que é narrado ainda eram sombras sob a violência localizada ou a pregação de malucos.

Texto publicado na Folha de S.Paulo, 11/10/13. Íntegra aqui.

Vida capturada

O ato de escrever pode ser descrito em vários níveis, e alguém já disse que no mais pessoal deles o escritor é um tradutor de si mesmo. Ele transforma o universo inesgotável de sua mente, feito de sensações, sentimentos e intuições em geral abstratas, num outro código, a linguagem, que obedece a leis próprias de coerência.

É uma operação que envolve talento inventivo, não há dúvida. Como numa tradução, as palavras escolhidas para reproduzir o sentido original criam um novo sentido. Que precisa ser forte o suficiente, de maneira autônoma, para transmitir uma intensidade que até aqui só funcionou em outro contexto (histórico, cultural, linguístico, íntimo).

Texto publicado na Folha de S.Paulo, 13/9/2013. Íntegra aqui.

Selinho nas trevas

Uma coincidência separou em poucos meses, no Brasil, a visita do papa e o lançamento de “Longe da Árvore”, de Andrew Solomon, que sai em setembro pela Companhia das Letras. O livro fala de indivíduos e famílias de indivíduos com autismo, esquizofrenia, deficiência múltipla, síndrome de Down, além de prodígios, transgêneros, surdos, anões, criminosos, crianças geradas por estupro.

Trata-se de um ensaio/reportagem de impacto comparável a “O Demônio do Meio-Dia” (Objetiva), a obra-prima de Solomon sobre depressão. Num ponto, ao menos, ambos convergem: o autor tenta entender sua condição pessoal –como deprimido grave, no primeiro caso, e como gay e pai, no segundo– investigando o conceito de identidade. Ou de algo que com ela se mistura em termos históricos, políticos e científicos: a doença.

Texto publicado na Folha de S.Paulo, 30/8/2013. Íntegra aqui.

Fim de semana

Um disco brasileiro – Pantim, Lulina.

Outro – Esses patifes, Ruspo.

Um filme mais ou menos – Jobs, Joshua Michael Stern.

Um conto – Emission, Joshua Cohen

Uma reestreia – O natimorto, dir. Mário Bortolotto.

Fim de semana

Um livro – Humiliation, Wayne Koestenbaum (Picador, 192 págs.).

Um filme – A gangue de Hollywood, Sofia Coppola.

Um burger em Porto Alegre – Bife.

Um lugar para pegar gripe em Passo Fundo – Bokita.

Um lugar para nunca mais ir – Espaço das Américas.

Falta de noção

Toda vez que vejo um comercial de banco dando lições de consciência social, de sustentabilidade e de amor pelos nossos filhos, ou até declarando que dinheiro não é tão importante nesta vida, reconheço que os publicitários ainda são capazes de nos surpreender.

Texto publicado na Folha de S.Paulo em 2/8/2013. Íntegra aqui.

Fim de semana

Um livro – Far from the tree, Andrew Solomon (Scribner, 976 págs.).

Um documentário – Jiro, David Gelb.

Um filme – Frances Ha, Noah Bombach.

Um barbeador – Wahl.

Um chinês – Dinastia Ritz.

A verdade sobre quem gosta muito de futebol

Nick Hornby em Febre de bola (Companhia das Letras, 351 págs., tradução de Christian Schwartz):

“‘No que você está pensando?’, ela pergunta. Então eu minto. Eu não estava pensando no Martin Amis ou no Gérard Depardieu ou no Partido Trabalhista. Mas é que gente obsessiva não tem escolha; é obrigada a mentir em ocasiões como essa. Se falássemos a verdade sempre, não conseguiríamos preservar as relações com ninguém no mundo real. Acabaríamos esquecidos, sozinhos com nossos programas do Arsenal ou nossa coleção de discos de selo azul originais da Stax ou nossa criação de spaniels, e os dois minutos diários sonhando acordado se tornariam cada vez mais e mais longos, até que perdêssemos nossos empregos e parássemos de tomar banho e fazer a barba e comer, e acabássemos largados sobre nossos próprios dejetos, voltando repetidamente a fita de vídeo na tentativa de decorar cada comentário, incluindo a análise lance a lance do David Pleat, do jogo daquela noite de 26 de maio de 1989. (Acham que eu tive que consultar essa data? Rá!) A verdade é a seguinte: durante uma parte assustadoramente grande de um dia comum, sou um retardado.”

Fim de semana

Um filme – Marina Abramovic, Matthew Akers.

Outro – Amor pleno, Terrence Malick.

Um disco – Random access memories, Daft Punk.

Um show – McCoy Tyner.

Um conto – Baader-Meinhof, Don DeLillo.

Falácias sobre a literatura

1. “A ficção melhora a vida das pessoas.” – Duvido que ler Céline ajude um funcionário de banco a trabalhar com mais eficiência, arrumar uma namorada ou parar de beber.

2. “Há muita inveja no meio literário.” – Sim (dizem), mas com os amigos é o contrário. Torcemos para que seus livros sejam bons, porque dilemas éticos dão certa preguiça: em algum momento precisaremos decidir se os elogiamos hipocritamente, talvez em público, ou deixamos a amizade avinagrar.

Texto publicado na Folha de S.Paulo em 19/7/2013. Íntegra aqui.

Fim de semana

Um disco – Slow focus, Fuck Buttons.

Um filme – Hannah Arendt, Margarethe Von Trotta.

Um documentário – Copa União (aqui).

Um relançamento – Febre de bola, Nick Hornby (Companhia das Letras, 351 págs.).

Uma reabertura – Bueno.

Fim de semana

Um livro – Pulp Head, John Jeremiah Sillivan (Companhia das Letras, 326 págs.).

Uma reportagem – Consuelo Dieguez sobre a quebra da Varig na Piauí.

Um disco – Comedown Machine, The Strokes.

Uma granola – Native.

Um Filme – Os amantes passageiros, Pedro Almodóvar.

Fim de semana

Uma exposição – Lucian Freud no Masp.

Um documentário sobre SP – Entre Rios, Santa Madeira (aqui).

Um vídeo sobre democracia – Ivan Krastev no Ted (aqui)

Uma maionese – Batatinha.

Um romance – Digam a Satã que o recado foi entendido, Daniel Pellizzari (Companhia das Letras, 184 págs.).

Fim de semana

Um Sesc – Santo Amaro.

Um programa no Netflix - Classic Albums.

Um livro – O que os cegos estão sonhando, Noemi Jaffe (Ed 34, 240 págs.).

Um livro de fotografia – As construções de Brasília – Gautherot, Peter Scheier e Thomaz Farkas (IMS, 239 págs.)

Um prato – Bolinho de feijoada.

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