Michel Laub

Links

– Documentários online:
http://documentaryheaven.com/

– Dicionário de emoções ainda não catalogadas:
http://the-emotionary.com

– Privacidade e o argumento do “nada a esconder”:
http://goo.gl/7AQmr
, via @trasel

– Nate Silver sobre segurança e estatísticas:
http://goo.gl/bWKmE

– Memória, plágio e plágio inconsciente, por Oliver Sacks:
http://goo.gl/yvKeq

– Vida, obra e opiniões de Céline:
http://goo.gl/lcsGm

– Casais:
http://goo.gl/zNzeJ

– Fotos embaixo d’água:
http://goo.gl/whPM8

– A negociação de Neymar:
http://goo.gl/UzjCB
. E um perfil antigo de Wagner Ribeiro:
http://goo.gl/rjWGb

– Roda Viva com Paulo Mendes da Rocha: http://goo.gl/bGFbv

– Londres em cores, 1927: http://goo.gl/hi4eW

– Bastidores de ‘Morangos silvestres’ (em cores, via Spuldar):
http://goo.gl/2xAHy

– Em defesa dos hipsters:
http://goo.gl/w5PI9

– Liberalismo, neoliberalismo, Foucault e utopia:
http://goo.gl/g0Q3A

– Sobre imprensa cultural brasileira:
http://goo.gl/RQKpy

– Por que Hilda Hilst foi morar no sítio dos 90 cachorros:
http://goo.gl/9Yooj

– O ‘plano de contingência’, incluindo discurso de Nixon, para o caso de desastre na missão à Lua em 1969:
http://goo.gl/VYxbB

Morte (e vida) dos sentimentos

Num texto antigo, cômico e triste sobre a indústria dos “filmes adultos” (http://goo.gl/oMhkw), Martin Amis define uma das características da pornografia: a capacidade de identificar, e então explorar de forma vil e inapelável, o que o leitor-espectador-consumidor deseja. É uma longa dança da sedução, para usarmos uma metáfora óbvia sobre o tema, um cardápio imenso de assuntos, registros e abordagens até que o sujeito(a) descubra, aos 13 ou 70 anos, no canto de uma foto, em dez segundos de um filme, aquilo de que realmente gosta.

Publicado na Folha de S.Paulo em 7/6/13. Íntegra aqui.

Fim de semana

Uma biografia – O trovador solitário, Arthur Dapieve (Relume Dumará, 183 págs.).

Um filme – Faroeste caboclo, René Sampaio.

Um documentário chapa-branca – Crazy Wisdom, Johanna Demetrakas.

Um purê que já foi maior e mais crocante – Baalbek.

Um ensaio – Christy Wampole sobre o gênero ensaio (aqui).

Segredos que não interessam

Cada pessoa tem sua escala de valores, que obedece tanto a princípios elevados quanto ao bom e velho fígado. Na minha, quem vaza correspondência privada é a escória. Não há vingança conjugal, surto psicótico ou senso infantil de justiça que desculpe esse que é o mais covarde dos ataques. Algo que acompanhará o atingido para sempre, sem chance de defesa do que muitas vezes parece ser –e nem sempre é– uma confissão vexaminosa.

Publicado na Folha de S.Paulo, 24/5/13. Íntegra aqui.

Feriado

Um documentário – Inside deep throat, Fenton Bailey e Randy Barbato.

Um romance – A tristeza extraordinária do leopardo-das-neves, Joca Terron (Companhia das Letras, 176 págs.).

Um disco – Trouble will find me, The National.

Uma filial perto de casa – Do.

Outra – St. Louis.

Hervé Guibert, Thomas Bernhard e a aids

Hervé Guibert (1955-1991) em seu relato autobiográfico Para o amigo que não me salvou a vida, de 1990 (José Olímpio, 142 págs., tradução de Mariza Campos da Paz):

“Eu odiava este Thomas Bernhard, ele era inegavelmente bem melhor escritor que eu, mas não passava de um enchedor de linguiça, um enrolador, um masturbador intelectual, um fazedor de obviedades silogísticas, um virgem tuberculoso, um tergiversador enganador (…), um contador de vantagens que fazia tudo melhor que todo mundo, andar de bicicleta, livros, pregar pregos, tocar violino, canto, filosofia e uma raiva limitadora, um urso mal-humorado cheio de tiques à força de dar sempre as mesmas patadas, com sua gorda pata pesada, pata teimosa de babaca holandês, sobre as mesmas quimeras, seu país natal e seus patriotas, os nazistas e os socialistas, as freiras, gente de teatro, todos os outros escritores e especialmente os bons, assim como os críticos literários que incensassem ou desprezassem os seus livros, sim, um pobre Dom Quixote imbuído de si mesmo, esse miserável vienense traidor em todos os sentidos, que nunca acabava de proclamar sua genialidade ao longo de seus livros, que não passavam de coisinhas insignificantes, de ideiazinhas, de rancorezinhos, de imagenzinhas, de impotenciazinhas sobre as quais esse mau violinista enrolava e enchia linguiça em duzentas páginas, sem se mover o mínimo sobre o fragmento que tinha se proposto a polir, com sua inigualável grandeza, até o clarão final ou o apagamento (…), prendendo a atenção do leitor com as repetições de sua mesmice obsessiva, trabalhando os nervos deles com pequenos golpes de arco tão exasperantes como um disco com um sulco arranhado (…). Tinha tido a imprudência, por minha vez, de entrar num jogo de xadrez renhido com Thomas Bernhard. A metástase bernhardiana, semelhante à progressão do vírus HIV que destrói no interior do meu sangue os linfócitos, fazendo desmoronar minhas defesas imunológicas, meus T4, diga-se de passagem no desvio de uma frase (…), a 12 de janeiro o doutor Chandi me revelou pelo telefone que a taxa deles tinha caído para 291 (…), o que dá margem a pensar que depois de um mês (…) minha taxa não passará de (…) 213, me colocando assim (…) fora da possibilidade da experiência da vacina de Mockney e de seu eventual milagre, e beirando o limite catastrófico que deveria ser recuado pela absorção do AZT se eu o preferir à Digitalina (…), e se ainda por cima o meu corpo tolerar essa quimioterapia (…) a metástase bernhardiana se propagou à velocidade com V maiúsculo nos meus tecidos e nos meus reflexos vitais da escrita, ela a fagocita, a absorve, cativa-a, destrói toda a sua naturalidade e personalidade para estender sobre ela sua dominação devastadora. Assim como tenho ainda a esperança (…) de receber em mim a vacina Mockney, que me livrará do vírus HIV (…), espero com impaciência a vacina literária que me livrará do sortilégio que me infligi de propósito por intermédio de Thomas Bernhard, transformando a observação e admiração de sua escrita (…) em motivo de paródia (…), escrevendo assim um livro essencialmente bernhardiano (…), realizando pela trucagem de uma ficção imitativa uma espécie de ensaio sobre Thomas Bernhard, com o qual de fato quis rivalizar, quis pegar pelo alto e superar na sua própria monstruosidade, como ele próprio fez ensaios falsos disfarçados sobre Glenn Gould, Mendelssohn-Bertholdy, ou, acho, Tintoretto, e como ao contrário do seu personagem Wertheimer, que renunciou a se tornar um virtuose do piano no dia em que ouviu Glenn Gould tocar as Variações Goldberg, eu não baixei os braços diante da compreensão do gênio, ao contrário, me rebelei diante da virtuosidade de Thomas Bernhard, e eu, pobre Guibert, entrava no jogo para valer, polia minhas armas para igualar um mestre contemporâneo, eu pobre pequeno Guibert, ex-senhor do mundo que havia encontrado algo mais forte que ele na Aids e em Thomas Bernhard.”

Fim de semana

Um filme – O que se move, Caetano Gotardo.

Um filme para rever – Man on the moon, Milos Forman.

Outro – O jornal, Ron Howard.

Um disco – Fandango, The Phoenix Foundation.

Um pão de queijo na estrada – Graal.

Egopress

1) Nesta quarta, 22/5, às 19h30, participo de uma conversa no Sesc de Araraquara/SP. Agenda para as próximas semanas: Hebraica/SP (25/5, 16h); Feira de Ribeirão Preto/SP (9/6, 14h, oficina); Feira de Canoas/RS (13/6, 15h, debate com Daniel Galera e Reginaldo Pujol Filho); Livraria da Vila de Higienópolis/SP (18/6, 19h30, debate com Noemi Jaffe); Sesc Santo Amaro/SP (27/6, 20h, debate com Miguel Sanches Neto, Andrea Del Fuego e Josélia Aguiar).

2) Um conto meu saiu na coletânea alemã Popcorn Unterm Zuckerhut (Verlag Klaus Wagenbach), organizada por Timo Berger, que tem outros 19 escritores brasileiros. Mais informações aqui.

Links

– Saul Bellow segundo seus filhos:
http://goo.gl/SuYrH

– Imre Kertész entrevista a si mesmo:
http://goo.gl/nqzPz

– A biblioteca de Paulo Francis:
http://goo.gl/xuq1g

– Mapa de gêneros musicais com anotações:
http://goo.gl/GczKd

– ‘This is water’, de David Foster Wallace, em áudio:
http://goo.gl/h4UDD

– Autenticidade, sinceridade e ironia, por Daniel Pellizzari:
http://goo.gl/oh0jf

– Uma avalanche em texto, imagens, vídeos e animações:
http://goo.gl/TmGk0

– Um ano sem internet:
http://goo.gl/lcjiA

– Vacinas usadas com fins militares:
http://goo.gl/6AQpV

– Sobre literatura brasileira no exterior:
http://goo.gl/oYvaM
.

– Sobre escritores brasileiros na Alemanha:
http://goo.gl/Lw94z

– Miguel Sanches e a primeira pessoa na literatura:
http://goo.gl/C3Jqc

– Herzog e as filmagens de ‘Fitzcarraldo’:
http://goo.gl/ucInt

– Eduardo Pinheiro sobre big data:
http://goo.gl/cbnbF

– Hermano Viana, 1983, sobre o rock de Brasília:
http://goo.gl/pglkB

– Livros para entender o Brasil, por Antonio Candido:
http://goo.gl/QGOMz

Fim de semana

Um filme – Depois de maio, Olivier Assayas.

Um documentário – We were here, David Weissman.

Um livro (a propósito) – Para o amigo que não me salvou a vida, Hervé Guibert (José Olympio, 142 págs.).

Um roteador – TP-Link TL–WR941ND

Uma confeitaria – La bombe.

Existe amor no FB

Num dos textos mais bonitos da língua portuguesa, o “Sermão do Mandato”, padre Antonio Vieira comenta as ignorâncias que impedem o amor de florescer no vale de lágrimas onde vivemos: não conhecer a si mesmo, não entender o amor, não saber onde o amor vai dar, não enxergar a natureza do objeto amado.

Não sei se Jonathan Franzen leu o padre Vieira, mas num ensaio curto, na verdade o discurso de formatura que abre a coletânea “Como Ficar Sozinho” (Companhia das Letras), de certo modo aderiu a um esporte comum quando o assunto são as redes sociais: atualizar os quatro preceitos, definindo o que seriam as relações sentimentais verdadeiras.

Texto publicado na Folha de S. Paulo em 01/02/2013. Íntegra aqui.

Spike Lee, Tarantino e racismo

Linguagem é poder, como sabem economistas, advogados, marqueteiros e qualquer um que use jargão para demonstrar autoridade. Logo, é também política: uma guerra começa a ser ganha quando um indivíduo é chamado de “militante” em vez de “terrorista”, e vice-versa.

Texto publicado na Folha de S. Paulo em 18/01/2013. Íntegra aqui.

Fim de semana

Um filme – Últimos dias, Gus Van Sant.

Um filme simpático – Somos tão jovens, Antonio Carlos da Fontoura.

Um filme fraco – Dois dias em Nova York, Julie Delpy.

Um disco – The haunted man, Bat for Lashes.

Uma reportagem – Michael Specter sobre Bactérias na Piauí.

Pai, filho, um avião em pane e por que alguém vai parar no Xingu

Trecho de Nove noites, de Bernardo Carvalho (Companhia das Letras, 171 págs.):

“A ideia era irmos até a Tracajá e de lá até Goiânia, onde deixaríamos o mecânico e seguiríamos de volta para São Paulo. Mas meu pai logo avisou que, ao contrário do planejado, desceríamos na Suiá Miçu, uma fazena gigantesca, um verdadeiro mundo, na época sob o controle acionário do Vaticano, segundo o que diziam, a meio caminho entre o Xingu e o rio das Mortes. Perguntei ao meu pai o que era aquele barulho de uma coisa estalando na cauda do avião. Ele disse que devia ter batido contra um pássaro qualquer e me mandou calar a boca. Não se falou mais durante a viagem. Só ao nos aproximarmos da Suiá Miçu, quando a pista, talvez a melhor da região, já aparecia na distância, foi que meu pai se virou para o mecânico e para mim e anunciou que ia desligar os motores para que o combustível ficasse nos tanques na ponta das asas. Pediu que não nos preocupássemos. Recomendou ao mecânico que abrisse a porta antes de o avião tocar o solo e disse que, assim que batêssemos no chão, nós dois devíamos nos atirar, porque o avião poderia explodir. Larguei o gibi e arregalei os olhos. Eu ainda não sabia o que tinha acontecido. Ao sair da Santa Cecília, quando tentava decolar, meu pai fez uma barbeiragem. Contava desembaçar o para-brisa e não percebeu que tinha saído da pista e entrado na floresta. (…) Já estava com o trem de pouso avariado (…). Os fios das antenas de rádio foram cortados pelas copas das árvores. O barulho na cauda do avião era dos fios que batiam ao vento (…). Agora, o bimotor descia planando, com os motores desligados e o bico levantado. Não me lembro se o mecânico abriu ainda no ar a porta sobre a asa. Eu estava em pânico. O avião bateu de barriga no chão, já que o trem de pouso estava solto. A asa esquerda foi arrancada com o impacto, e acabamos entrando de bico num barranco de terra do lado esquerdo da pista. Ninguém se jogou. Ninguém se machucou O mecânico desceu. Eu desci com as pernas bambas. Só quando já estava no chão é que comecei a chorar e a gritar, numa crise histérica, pedindo ao meu pai que saísse do avião (…). Na minha lembrança, ele saiu de lá sorrindo. Era um sorriso amarelo, talvez de alívio, talvez para encobrir o medo. Logo chegaram os carros do administrador da fazenda, que, depois de constatar que ninguém tinha se machucado, nos convidou para almoçar, me deu um calmante e mandou um dos empregados nos levar até um povoado próximo, onde poderíamos pegar um táxi aéreo. Levamos umas quatro horas, se não mais, por uma estrada de terra, e o único avião disponível no pequeno campo de pouso era um fatídico Bonanza, com sua cauda em V, reputado pela falta de estabilidade. Nunca vomitei tanto como naquela viagem até Goiânia, onde dormi por vinte e quatro horas ininterruptas, graças em parte ao efeito do calmante (…). No dia em que acordei, a manchete dos jornais era a tragédia de um avião da Varig que se incendiara misteriosamente na rota de descida para Orly, matando boa parte dos tripulantes e todos os passageiros, à exceção de um (…). De alguma forma associei a grande tragédia ao nosso pequeno acidente, como se houvesse alguma conexão incompreensível entre os dois. O Xingu, em todo caso, ficou guardado na minha memória como a imagem do inferno. Não entendia o que dera na cabeça dos índios para se instalarem lá, o que me parecia de uma burrice incrível, se não um masoquismo e mesmo uma espécie de suicídio. Não pensei mais no assunto até o antropólogo que por fim me levou aos Krahô, em agosto de 2001, me esclarecer: ‘Veja o Xingu. Por que os índios estão lá? Porque foram sendo empurrados, encurralados, foram fugindo até se estabelecerem no lugar mais inóspito e inacessível, o mais terrível para a sua sobrevivência, e ao mesmo tempo a sua única e última condição. O Xingu foi o que lhes restou.’”

Fim de semana

Um livro – Them, Jon Ronson (Simon & Schuster, 336 págs.).

Uma reestreia – Laranja mecânica.

Uma trilha sonora – Searching for sugar man.

Uma mostra de fotos – Coleção Itaú, Tomie Ohtake.

Um chef – Piero.

Fazer 40 anos é

– Tentar não confundir minha decadência com a decadência do mundo.

– Não achar que o pessimismo é moralmente superior ao otimismo.

– Ter uma ideia razoável do que não vai me matar. Todo o resto, incluindo o vasto reino das doenças, é uma possibilidade fascinante.

Texto publicado na Folha de S.Paulo em 26/4. Íntegra aqui.

Fim de semana

Uma edição – Toda poesia, Paulo Leminski (Companhia das Letras, 424 págs.).

Uma nova edição – Notícias do planalto, Mario Sergio Conti (Companhia das Letras, 528 págs.).

Uma mostra na Caixa/Sé – Mário Gruber, gravuras.

Outra – Mário de Andrade, fotos.

Um bar – Balsa.

Links

– Sobre sono e insônia:
http://goo.gl/jKlL8

– Sobre imprensa hoje (
http://goo.gl/XL24W
) e os malefícios do noticiário (
http://goo.gl/45s5S
)

– Christopher Hitchens e Margaret Thatcher:
http://goo.gl/z34UL

– Luís Henrique Pellanda e um dia com Coetzee em Curitiba:
http://goo.gl/AAsZc

– A geração touch-screen:
http://goo.gl/NbR20

– Uma toalha encharcada no espaço:
http://goo.gl/958TY

– Entrevista com Charles Cosac:
http://goo.gl/ChpeB

– Quando Hitler, Trotsky, Tito, Stalin e Freud moraram pertinho:
http://goo.gl/KASuH

– Luiz Fernando Vianna sobre ter um filho autista:
http://goo.gl/wj8HG

– Documentários sobre música brasileira:
http://goo.gl/WIjst

– Um passeio pelas ruínas do Orkut:
http://goo.gl/nTkO9

– A evolução das cidades americanas:
http://goo.gl/HPU5Y

– ‘Deficientes tecnológicos’ e ‘hackercracia’:
http://goo.gl/BZGeY

– Myanmar, com destaque para a roda gigante (21’02) e o trem (37’15):
http://goo.gl/UnAVA

– Até quando leitores aguentam livros dentro de livros:
http://goo.gl/1qJu5
, via @sergiotodoprosa

– Ian McEwan: como recuperar a fé na ficção antes de iniciar um romance.
http://goo.gl/WO8JS

– Uri Geller desmentido por James Randi: http://goo.gl/m2AI +
http://goo.gl/ENvXP

– Prédios novos e urbanismo em Porto Alegre, por @carolbensimon:
http://goo.gl/4pqf8

– Vivendo com menos, por @alexandrerodrig:
http://goo.gl/cyHyb

– Pesquisa sobre emoções na literatura (estatística: pior critério):
http://goo.gl/c13ej

– Matéria do NYT (outra) sobre SP, noite etc.:
http://goo.gl/ixkWU

Fim de semana

Uma mostra de cinema – David Lynch.

Uma livraria de rua em Santos – Realejo.

Uma biografia – Mais pesado que o céu, Charles R.Cross (Globo, 450 págs.).

Um livro de perfis/entrevistas – Cobain dos editores da Rolling Stone (Spring, 147 págs.).

Uma banda simpática – Brad.

Resposta ao apocalipse

Faça o teste: digite o nome de qualquer hit brasileiro dos anos 1980 no YouTube. Entre os comentários, 99% de chance de alguém ver ali os vestígios de uma era de ouro. A nostalgia inclui Rádio Táxi, Dr. Silvana, até o ursinho Blau-Blau, e pode ser resumida nas palavras do internauta Xreynato: “A mídia só dá valor para essas porqueiras de hoje”.

Texto publicado na Folha de SP em 15/2/2013. Íntegra aqui.

Motivos para viajar (ou não)

Millôr Fernandes dizia que um homem pode admitir qualquer fraqueza, inclusive as de cunho sexual, mas jamais se declara um mau motorista. Algo semelhante acontece nesta época do ano, em meio à praga confessional de esperança e tristeza relativa à passagem do tempo: quantas pessoas falam publicamente que não gostam de viajar?

Texto publicado na Folha de SP em 21/12/2012. Íntegra aqui.

Fim de semana

Um documentário – Elena, Petra Costa.

Outro – Philip Roth – sem complexos, William Karel.

Um livro de poesia – A arte das armadilhas, Ana Martins Marques (Companhia das Letras, 88 págs.).

Um profissional de TI – Kambeba.

Um prato no Issa além do Okonomiyaki – macarrão sarraceno torrado.

Egopress

1) Terça que vem, 16/4, 20h, participo de um encontro na programação das Tarrafadas, em Santos.
http://goo.gl/vbiY5

2) Saíram algumas resenhas/entrevistas das edições do Diário da queda em Portugal e Espanha: Público, por Isabel Coutinho; Expresso, por José Mario Silva; Time Out/Lisboa, Por Ana Dias Ferreira; Agência EFE/Madri (
http://goo.gl/iNtbk
),  Diário de Avila; Diario Vasco; Faro de Vigo/ La Opinión de A Coruña/ La opinión de Tenerife/ La nueva España de Oviedo, por Ricardo Menéndez Salmón; blog da Mondadori, por Maria Mecromina (
http://goo.gl/TAupg
). Quando tiver mais links disso, colo aqui.

Ingmar Bergman, uma infância

Trechos de Lanterna mágica, autobiografia do cineasta e diretor de teatro sueco (Cosac Naify, 319 págs., tradução de Marion Xavier):

“Para o meu irmão, as coisas eram muito piores. Muitas vezes minha mãe sentava-se ao seu lado na cama e punha compressas em suas costas, onde a ripa fizera soltar a pele e o marcara com lanhos e sangue. Como eu odiava meu irmão e tinha medo de seus ímpetos de loucura, encontrava grande satisfação no fato de ele ser castigado tão duramente.”

“Confiando no silêncio de meu vizinho de carteira na escola, que se chamava Nisse, contei que meus pais haviam me vendido para o Circo Schumann (…). No dia seguinte, minha fábula estava na boca de todos (…). A professora achou o assunto tão sério que escreveu uma carta a minha mãe (…). Fui colocado contra a parede, humilhado, foi um escândalo (…). Vinguei-me do meu ex-amigo perseguindo-o ao redor do pátio da escola com a faca de escoteiro do meu irmão. Quando uma professora se atirou entre nós dois, eu tentei mata-la. Recebi uma suspensão da escola e apanhei muito em casa. Mais tarde, o meu falso amigo contraiu paralisia infantil e morreu, o que me alegrou muito.”

“Nasce minha irmã, eu tenho quatro anos (…). O demônio do ciúme cravou suas garras em meu coração; estou furioso, choro, faço cocô no chão e me lambuzo todo. Meu irmão mais velho e eu, habitualmente inimigos mortais, celebramos a paz e planejamos diferentes maneiras de matar o repugnante animal (…). Numa tarde silenciosa, penso estar sozinho no apartamento e me esgueiro para o quarto de meus pais, onde aquele ser está dormindo no seu berço cor-de-rosa. Puxo uma cadeira, fico de pé nela e vejo o rosto inchado e a boca cheia de baba. Meu irmão tinha me dado instruções exatas sobre como deveria executar o ato. Mas entendo mal. Em vez de apertar a garganta da minha irmã, tento pressionar o seu peito. Ela acorda imediatamente com um grito lancinante; tapo sua boca com a mão, os olhos aguados e azuis se retorcem e se fixam em mim, dou um passo a frente para me firmar, perco o equilíbrio e caio no chão.”

“No verão de 1984, meu irmão (…) estava com 69 anos, aposentado como cônsul-geral. Tinha lutado incansavelmente para manter seu posto, apesar de uma severa paralisia. Naquela ocasião, podia mexer somente a cabeça, respirava com dificuldade e a fala era quase incompreensível (…). Ele recordava muito mais que eu: falou de seu ódio ao nosso pai e sua forte ligação com nossa mãe. Eles continuavam sendo, para ele, os pais da infância, seres míticos, caprichosos, incompreensíveis e superdimensionados. Deparamos com caminhos muito fechados e restou-nos olhar um para o outro, espantados: dois senhores envelhecidos, saídos do mesmo ventre e distanciados irremediavelmente um do outro. Nossa antipatia recíproca se extinguira, mas deu lugar ao vazio. Não havia nenhum contato, nenhuma solidariedade. Meu irmão desejava a morte, mas ao mesmo tempo tinha medo dela (…). Mencionou também que não era possível cometer suicídio porque as mãos estavam imóveis.”

“Algumas vezes pensei em minha irmã com uma pitada de remorso. Ela começou a escrever em segredo. Ninguém podia saber o que criava. Finalmente, resolveu-se e me deixou ler. Eu mesmo estava inseguro. Fora de bom grado aceito como diretor promissor, porém era uma negação como autor. Escrevia mal, com maneirismos e sob influência de Hjalmar Bergman e Strindberg. Encontrei, então, em minha irmã, o mesmo estilo forçado e afetado e assassinei sua tentativa, sem pensar que era a única chance de se expressar. Segundo ela mesma, parou de escrever. Se para me castigar, castigar-se a si própria ou por falta de coragem, não sei.”

Fim de semana

Um ensaio – Notes on camp, Susan Sontag.

Outro – Sermão do mandato, Padre Vieira.

Um filme difícil – A caça, Thomas Vinterberg.

Um show para talvez ir – The Cure.

Uma exposição – Ai Meiwei, MIS.

Formas de matar um escritor

Exemplo de frase atribuída a Clarice Lispector na internet: “Ainda bem que sempre existe outro dia, e outros sonhos, e outros risos, e outras pessoas, e outras coisas”. Outro exemplo: “Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome”. Ambas estão num site que, reagindo ao que o mundo virtual faz contra autores como Luis Fernando Verissimo e Caio Fernando Abreu, dispõe-se a conferir a autenticidade de citações. Tarefa digna, embora eu fique em dúvida sobre o que é pior: a Clarice falsa (sonhos e pessoas) ou a verdadeira (desejo sem nome).

Trecho de texto publicado na Folha de São Paulo em 29/3/2013. Íntegra aqui.

Feriado

Um livro – Lanterna Mágica, Ingmar Bergman (Cosac Naify, 320 págs.).

Um filme ok – Depois de Lúcia, Michel Franco.

Um almoço perto de casa – Guest 607.

Um disco – The next day, David Bowie.

Um show – Pearl Jam.

O que mais assusta um animal e um diretor de zoológico

Trecho de A vida de Pi, de Yann Martel (Nova Fronteira, 419 págs., tradução de Maria Helena Rouanet):

“Na natureza, os bichos levam uma vida de compulsão e necessidade, dentro de uma hierarquia social impiedosa, num habitat em que o medo existe em altíssima escala e a comida é escassa, o território precisa ser constantemente defendido e os parasitas eternamente suportados. Qual o significado da liberdade num contexto como esse? Na prática, os animais não são livres no espaço e nem no tempo, e tampouco nas suas relações. Em teoria (…) um animal pode perfeitamente pegar suas coisas e ir embora, desacatando todas as convenções sociais e os limites da própria espécie. Isso, porém, é muito mais improvável de acontecer que para um membro da nossa espécie; um comerciante, digamos, com todos os vínculos habituais – família, amigos, sociedade – pode largar tudo e abandonar a própria vida, levando apenas a roupa do corpo e uns trocados no bolso. Se um homem, a mais ousada e inteligente das criaturas, não vai ficar vagando de um lugar a outro, sem conhecer ninguém, sem se ligar a ninguém, por que um animal, que é muito mais conservador por temperamento, faria isso? Porque é isso que eles são: conservadores (…). A mais ínfima das mudanças é capaz de deixá-los aborrecidos. Na verdade, querem que tudo seja do mesmo jeito, dia após dia, mês após mês. Para eles, surpresas são algo extremamente desagradável. Dá para perceber isso nas suas relações espaciais. Um animal habita o seu espaço, seja num zoológico ou na natureza, do mesmo jeito que as peças de xadrez se movem pelo tabuleiro – de forma significativa. Não existe mais acaso, ou mais “liberdade” no local de moradia de um lagarto, de um urso ou de um veado que na localização de um cavalo no tabuleiro de xadrez. Ambos falam de padrões e propósitos. Na natureza, os animais se aferram a determinadas trilhas por razões prementes, estação após estação. Num zoológico, se um animal não está no seu lugar normal ou na sua postura habitual na hora de costume, tem alguma coisa errada. Pode ser o simples reflexo de uma alteração ínfima no ambiente ao seu redor. Uma mangueira enrolada, deixada ali por um funcionário, causou uma impressão ameaçadora. Formou-se uma poça que está incomodando o animal. Uma escada está fazendo sombra. Mas também poderia ser algo mais. Na pior das hipóteses, poderia ser aquilo que o diretor de um zoológico mais teme: um sintoma, o prenúncio de que há um problema à vista, um motivo para inspecionar o esterco, interrogar o zelador, convocar o veterinário. Tudo isso porque a cegonha não está exatamente onde costuma ficar.”

Fim de semana

Uma série – House of cards.

Uma série ok – The newsroom.

Um telefilme meio bobo – Hitchcock, Sacha Gervasi.

Um livro – A vida de Pi, Yann Martel (Nova Fronteira, 424 págs.).

Um disco – Mala, Devendra Banhart.

‘O voo’ e ‘O lado bom da vida’

Alguns termos usados pela crítica de cinema são curiosos. Um deles é “hollywoodiano” como sinônimo de visão de mundo conservadora – a favor da ordem, do capitalismo, do sentimento patriótico, da família tradicional. Digo isso porque Hollywood não é uma corporação monolítica, e sim a indústria que lança dezenas de filmes por ano, para diversos nichos de público, e até por lógica comercial precisa lidar com as ideias e os valores de cada época –tanto de maneira ufanista quanto desconfiada.

Trecho de texto publicado na Folha de S.Paulo, 1/3/2013. Íntegra aqui.

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